sexta-feira, 13 de maio de 2011

Chumbo grosso no clássico

Eliminação celeste na Libertadores põe fogo no primeiro jogo e Galo terá de redobrar os cuidados, pois título estadual passa a ser tábua de salvação também para a Raposa
Antônio Melane - Estado de Minas
Ludymilla Sá - Estado de Minas
Publicação:
06/05/2011 07:00
Os atleticanos que se cuidem. A eliminação do Cruzeiro na Copa Libertadores pelo Once Caldas, na quarta-feira, em plena Arena do Jacaré, pode significar artilharia pesada no primeiro clássico da decisão do Campeonato Mineiro, domingo, também em Sete Lagoas. Não só para o Atlético, que saiu precocemente da Copa do Brasil, o título do Estadual pode significar a tábua de salvação também da Raposa no semestre e o confronto promete fortes emoções. Isso sem contar que ambos têm os melhores ataques da competição.
O Galo terminou a fase classificatória com 32 gols, quatro a mais do que os celestes, que inverteram significativamente a vantagem com as duas goleadas sobre o América-TO (8 a 1 e 5 a 1) nas semifinais. O alvinegro fez 3 a 1 e 2 a 1 sobre o América. Por isso, o zagueiro Réver espera por um bombardeio celeste. Para o defensor atleticano, a eliminação não vai comprometer o desempenho do arquirrival. Portanto, o Galo não pode baixar a guarda.
“A atitude do Atlético não pode mudar. Ninguém esperava pela eliminação do Cruzeiro, mas independentemente disso, nossa atitude deve ser a mesma no clássico. Depois de um primeiro semestre difícil, nada melhor do que vencer o Estadual. Isso, aliás, virou uma obrigação por tudo o que ocorreu com o nosso time. Sabemos das dificuldades, porque o Cruzeiro será aguerrido como sempre foi. Certamente, eles tentaram fazer algo mais para minimizar a eliminação na Libertadores”, afirma Réver.
Por outro lado, para o zagueiro, o time celeste só tem mesmo a vantagem assegurada pela melhor campanha na fase classificatória do Mineiro (joga por dois empates ou uma vitória e uma derrota pelo mesmo saldo de gols). “O momento não é de omissão, mesmo sendo o Atlético uma equipe jovem, com muitos garotos. Tivemos muitas mudanças e conseguimos chegar à final. Não podemos somente respeitar o adversário e esquecer de jogar futebol. Esse será um jogo no qual quem errar menos sairá vitorioso. Se não nos omitirmos, temos tudo para tirar essa vantagem deles.”
À espera do atacante Hoje, o Cruzeiro trabalha para que Wallyson, um de seus principais artilheiros da temporada, com 11 gols (sete na Libertadores e quatro no Estadual) retorne à equipe, depois de ausente nos dois últimos jogos. É um peso importante. Tanto que foi olhado com muita atenção pelos preparadores no treinamento físico de ontem, porque ainda sente um pouco a contratura na coxa esquerda, consequência do esforço e do gramado pesado, devido à chuva, na vitória por 2 a 1 sobre o Once Caldas, em Manizales, na Colômbia, jogo de ida das semifinais da Libertadores.
Como está seguindo o mesmo programa de treinamentos imposto no começo da semana para o lateral Pablo, que ganhou condições para disputar o segundo jogo contra os colombianos (recuperava-se de um estiramento na coxa) – apesar de a comissão técnica dizer que é cedo para garantir a presença no primeiro clássico –, a tendência é de que o atacante seja escalado. Já Thiago Ribeiro, principal artilheiro, com 12 gols, vai continuar de fora. Sua chance de retorno é apenas para o segundo jogo. Na próxima semana ele deve iniciar as atividades físicas.
Na quarta-feira, o Cruzeiro começou na frente com uma dupla de estrangeiros: o argentino Farías e o paraguaio Ortigoza. Só que para domingo não será possível, porque dois outros estrangeiros já estão garantidos – o uruguaio Victorino e o argentino Montillo – e nas competições nacionais apenas três estrangeiros podem assinar a sumula. Assim, na frente apenas Ortigoza está garantido. Pode ter a companhia de Dudu ou até André Dias. Na temporada, em 22 jogos, o Cruzeiro só não fez gols em três jogos: 0 a 0 contra o Tolima e o Tupi, e na derrota por 2 a 0 para o Once Caldas. Opções bem guardadas Na espera pelos atacantes Magno Alves e Mancini, o técnico Dorival Júnior testa algumas opções para o caso de não contar com um deles ou ambos no primeiro clássico da final do Campeonato Mineiro contra o Cruzeiro. O primeiro sente dores musculares e foi poupado dos treinamentos da semana. Caso semelhante ao do segundo, que se recupera de um edema na coxa direita. Durante o coletivo de ontem, na Cidade do Galo, o treinador testou Leleu, outro garoto das divisões de base, ao lado de Neto Berola. Magno Alves é responsável por 10 dos 37 gols marcados pelo Galo no Estadual e é candidato a artilheiro do campeonato. Ele empata com Jônatas Obina, recente reforço atleticano, que defendeu o América-TO e está a três do americano Fábio Júnior, até agora líder isolado. Os alvinegros esperam poder contar com o artilheiro atleticano diante do arquirrival. “Tanto Atlético quanto Cruzeiro têm atacantes que desequilibram. No nosso caso, o Magno também disputa a artilharia. Então, esperamos que ele esteja bem para marcar e assumi-la de vez”, afirma o lateral-esquerdo Guilherme Santos.
O atacante deve ser liberado hoje para os trabalhos com bola. Já Mancini só deve jogar o jogo de volta. Outro desfalque é o armador Renan Oliveira, que cumprirá suspensão por causa do acúmulo de cartões amarelos. Para o lugar do jogador, Dorival Júnior tende a escalar uma formação mais
compacta no meio campo, com Toró ao lado de Serginho e Fellipe Soutto.
SIGILO Ninguém revela, porém, quais são as recomendações do técnico. Seria como entregar o ouro para o bandido. “O título do campeonato mineiro vale o semestre para nós. É claro que o adversário tem jogadores que merecem atenção, como o Montillo, que desequilibra, é rápido e inteligente. Mas também temos jogadores capazes de marcá-lo. Estou preocupado com o meu time. Estamos trabalhando e bastante preparados. Da mesma forma que eles também estão”, opina o lateral.O zagueiro Leonardo Silva, que cumpriu suspensão no último jogo contra o América, retorna ao time e será companheiro de Réver.

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