sexta-feira, 13 de maio de 2011

Música é ingrediente adicional na rivalidade entre Atlético-MG e Cruzeiro


MÚSICO EXIBE TROFÉU GALO DE PRATA
“Reinaldo era pura precisão: no passe, na colocação, no deslocamento rápido que nem The Flash. Tudo isso com um tal refinamento que ainda não vi nos atacantes que vieram depois dele no futebol mundial”, ressalta o atleticano Celso Adolfo

MÚSICO-TORCEDOR 'CORNETA' O ATLÉTICO
"O Atlético não é suficientemente equilibrado e competitivo para o campeonato Brasileiro. Pode ser que venha a ser", afirma o compositor Vander Lee

SKANK SE MANTÉM PRÓXIMO AO FUTEBOL
Tecladista Henrique Portugal, do Skank, diz que há respeito entre cruzeirenses e atleticanos da banda

Rivalidade no clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG chegou à música feita em Minas
Guyanne Araújo
Em Belo Horizonte
06/05/2011 - 07h00
Uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro, o clássico Atlético-MG e Cruzeiro, especialmente quando vale título, caso dos dois próximos confrontos, a partir deste domingo, às 16h, na Arena do Jacaré, mexe com os torcedores de ambos os lados. E a situação não é diferente em relação aos músicos mineiros, alguns deles com fama fora dos limites do estado, que se dividem pela paixão clubística, numa disputa civilizada e bem humorada.Os ilustres ‘camisas 12’ incentivam suas equipes como podem. Muitas vezes letra e música viram instrumento de torcida por Atlético ou Cruzeiro. Em outros casos, a própria rivalidade é a inspiração. Isso aconteceu com o cantor e compositor Vander Lee, torcedor atleticano, que há alguns anos fez a canção intitulada “Galo e Cruzeiro”, no qual mostra uma situação de conflito entre um casal formado por um torcedor do Atlético e uma cruzeirense.O cantor mineiro jura que não é uma situação pessoal, mas sim fruto da observação entre essa rivalidade. “Tirei do cotidiano. Fiz um trocadilho entre o futebol e a relação de um casal para ter um duplo sentido, mas nunca namorei uma cruzeirense. Não que eu saiba e também nunca briguei por futebol”, revelou.Na letra, o autor intercala situações comuns em campo de futebol com a vivência de um casal. “Na hora do cruzamento, ela deu impedimento ou falta no goleiro. Pra aumentar meu tormento, meu irmão, eu sou Galo e ela é Cruzeiro”, cantou Vander Lee. “Ela finge que não, mas no seu coração ainda sou artilheiro. Só faz isso porque, meu irmão, eu sou Galo e ela é Cruzeiro”, complementou. Ela finge que não, mas no seu coração ainda sou artilheiro Só faz isso porque, meu irmão, eu sou Galo e ela é Cruzeiro Ela finge que não, mas no seu coração ainda sou artilheiro Só faz isso porque, meu irmão, eu sou Galo e ela é Cruzeiro GALO E CRUZEIRO/VANDER LEEO compositor conta que sempre foi atleticano e que o futebol é muito presente em sua vida. “Batia pelada na rua. Sou da geração do Reinaldo, Toninho Cerezo, Luizinho. Para mim, o time do final de 70 foi o melhor que o Galo já teve até hoje, com mais expressão”, salientou. Outro momento importante do clube, segundo ele, é a campanha que o Atlético fez para retornar à Primeira Divisão em 2006. “Saiu de uma situação que não precisava ter entrado. Os torcedores se aproximaram mais do clube e o ajudou ao acesso. Foi muito legal”, recordou.Já Henrique Portugal, tecladista do Skank e torcedor apaixonado pelo clube celeste, daqueles de acompanhar os jogos nos estádios, diz estar sofrendo com o Mineirão fechado. “Estou com dor de cotovelo. Gostaria de ter a possibilidade de ver o Cruzeiro mais perto de casa. Mas já estive na Arena do Jacaré também e sempre que posso levo meu filho que é cruzeirense ao estádio”, comentou.E a Arena do Jacaré foi palco da surpreendente eliminação do Cruzeiro nas oitavas de final da Libertadores, após a derrota para o Once Caldas, por 2 a 0, na última quarta-feira. Independente de tristezas, o músico revelou que nem mesmo as viagens para shows e outros compromissos profissionais, o afastam do seu time de coração.PREFERÊNCIAS CLUBISTICAS DOS ARTISTAS
ILUSTRES ATLETICANOS ILUSTRES CELESTES
Haroldo Ferretti (Skank) e Lelo Zaneti (Skank) Samuel Rosa (Skank) e Henrique Portugal (Skank)
Rogério Flausino (Jota Quest) Marco Túlio (Jota Quest)
John Ulhoa (Pato Fu) Lô Borges
Wilson Sideral Milton Nascimento
Vander Lee Cláudio Venturini
Celso Adolfo Tadeu Franco
Quando está fora da cidade, ele acompanha as notícias e jogos celestes via internet e telefone celular. “Mesmo quando estou fora do Brasil, acompanho os programas sobre futebol”, contou. “Sou bastante animado, mas sem perder essa consciência de que é em primeiro lugar um esporte. Nada de situações extremas. Cada um tem a sua escolha e as pessoas têm que respeitar”, complementou.O integrante da banda do Skank contou que acha curioso quando chega em São Paulo, por exemplo, e as pessoas perguntam para qual time ele torce no estado ai ele responde convicto: “Torço sempre para o Cruzeiro, em todos os estados”. Segundo o músico, o time celeste tem uma dimensão na América Latina igual aos times de São Paulo e Rio de Janeiro. “Todo mundo conhece”, salientou.Dentro do grupo, Henrique Portugal diz que sempre teve respeito mútuo. No Skank, ele e Samuel Rosa são cruzeirenses e Haroldo Ferretti e Lelo Zaneti, atleticanos. “Sabemos conversar, brincar, fazer piadas razoáveis. Mas tem coisas que não se discute: religião, política e futebol. Não existe uma razão, porque a emoção sempre ganha da razão. É um convívio interessante para ninguém ficar com raiva de ninguém”, explicou. Mas brincou sobre assistir aos clássicos juntos. “Aí é muita amizade. É você querer que sejamos educados demais”, acrescentou, aos risos.O cantor Wilson Sideral é outro músico apaixonado pelo Atlético. Ele contou que sua paixão pelo time começou na infância e que tem tatuado em uma das pernas o escudo do time. Ele relatou que quando era criança e morava em Alfenas, no Sul de Minas, encontrou-se com a delegação do Atlético, que estava na cidade para jogo. “Lembro-me que fui almoçar com meus pais e encontrei com Reinaldo, Eder, Toninho Cerezo e tirei fotos com os jogadores”, destacou.
Sideral, que é irmão do também atleticano Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, não sabe explicar sua paixão. “Parece que a gente já nasce para torcer para o Atlético ou Cruzeiro. Foi fortalecendo e comecei a acompanhar o time”, ressaltou. O torcedor apaixonado conta que ajuda o Atlético em todas as oportunidades que pode.
“De várias maneiras expresso meu carinho pelo clube. Seja representando a torcida e o Galo, nos shows dando um salve para a galera, mas sempre de forma democrática, mais com uma brincadeira com o público que sei que tem torcedores do Cruzeiro e outros times”, explicou.
Sideral lembra de um momento especial que teve ao cantar antes da partida que deu o acesso ao time para a Série A do Brasileiro novamente. “Fui convidado para fazer o show antes da partida, recebi com o maior carinho”, recordou. O músico conta que recebeu o Galo de Prata em homenagem a sua torcida ilustre. “Recebi esse troféu do clube e o pessoal cantava: ‘Doutor eu não me engano o Sideral é atleticano, foi muito emocionante’”, contou.
Como representante da torcida pelo atlético, Sideral foi convidado a escrever o livro ‘Meu pequeno atleticano’ da série meu pequeno torcedor. “O livro tem uma pegada infantil e nele descrevo a primeira vez que levei meu filho Igor em campo”, descreveu. O músico, que já foi várias vezes em campo para assistir às partidas, considera complicado acompanhar as partidas em Sete Lagoas. “Mas sempre fico ligado em TV, internet, e redes sociais, como Twitter e Facebook. Assim que o Mineirão ficar pronto quero voltar ao campo e estar lá junto da galera”, destacou.
Homenagens musicais
O cantor e compositor Celso Adolfo exalta sua paixão pelo Atlético-MG em uma de suas músicas em que homenageia o time de coração, "Paixão atleticana". “Uma paixão do tipo que se sente pelo Galo nunca é inteiramente representada”, afirmou o compositor. Ele revela que expressa parte do que é ser atleticano na música. “Quando canto ‘Paixão Atleticana’ procuro um acorde invertido que ainda não usei, procuro um verso que ainda mais forte e diferente do que eu escrevi. É um aperfeiçoamento contínuo para chegar à perfeição que o Galo merece”, destacou.
Natural de São Domingos do Prata, Celso Adolfo contou que em sua cidade natal a torcida é ‘Galo-Prata’. “Desde menino eu assistia aos jogos do CAP – Clube Atlético Pratiano – que tem o mesmo Galo Carijó como mascote, o mesmo uniforme e é uma marca fortíssima na nossa vida”, destacou. Mas, segundo ele, o melhor de tudo foi ter sido batizado como Celso Adolfo Marques, ou seja, CAM. “Já nasci impresso no escudo do Galo”, frisou.
Homenageado também pelo clube do coração, Celso Adolfo já recebeu o Galo de Prata das mãos de Ricardo Guimarães, em 2001. Torcedor de acompanhar o time nos gramados, sempre que pode, Celso viaja para assistir os jogos no estádio. Mas quando não pode ir ao gramado, o músico acompanha por rádio ou TV. Ele criticou o fechamento simultâneo dos estádios em Belo Horizonte para reforma visando a Copa de 2014.
“É prejuízo demais, prejuízo irreparável para um time que lota os estádios com a fidelidade rara dos atleticanos”, afirmou. Celso está otimista em relação à conquista do título pelo seu time. “Nós queremos o Mineiro, que os cruzeirenses desprezam, se possível em duas vitórias, pois assim nossa paixão continuará servida”, afirmou.
O cruzeirense Tadeu Franco também já fez música para homenagear o clube celeste. A música, que ainda não foi gravada, foi apresentada na divulgação da nova camisa do time este ano. Intitulada “Dois amores” ele exalta a paixão pelas cores azul e branco, explicando seu amor pelo time e também da escola de sua escola de samba favorita, a Portela, do Rio.
“Sou torcedor das antigas desde criança. Quando morava em Itaobim, minha mão veio a Belo Horizonte e me perguntou o que eu queria, ai disse: quero a camisa amarela do Raul", relatou. Tadeu lembra que tinha aversão às cores preta e branca. “Meu irmão era Botafogo e acho que isso me bloqueou quanto ao Galo. Acabei virando cruzeirense e gosto do time pela história que tem”, relacionou.

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