Indiciados pelo assassinato de torcedor rival, dois líderes de torcida do Atlético participam de reunião com a PM sobre providências para o clássico com o Cruzeiro
Álvaro Fraga
Publicação:
07/05/2011 07:00
Atualização:
07/05/2011 09:22
Dois integrantes da torcida organizada Galoucura indiciados pelo assassinato do cruzeirense Otávio Fernandes, de 19 anos, espancado até a morte em 27 de novembro do ano passado, na saída de uma programação de vale-tudo na região da Savassi, participaram de reunião com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) para discutir a segurança do primeiro clássico Atlético x Cruzeiro pela decisão do Campeonato Mineiro, amanhã, às 16h, na Arena do Jacaré.
Acusados de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha, Willian Palumbo, o Ferrugem, vice-presidente da Galoucura, e Cláudio Henrique Souza Araújo, o Macalé, diretor de patrimônio, participaram de encontro quinta-feira com o comando do Batalhão de Eventos da PMMG e representantes das torcidas de Cruzeiro e Atlético. Na pauta, a adoção de medidas para assegurar a paz nos estádios nas finais do Campeonato Mineiro.
Como vem ocorrendo desde o fechamento do Mineirão para as obras com vistas à Copa do Mundo de 2014, o clássico de amanhã terá torcida única, a do Galo. No do dia 15, também na Arena do Jacaré, apenas torcedores cruzeirenses terão acesso ao estádio em Sete Lagoas.
Apesar da gravidade das acusações que pesam sobre Ferrugem e Macalé, o tenente-coronel Alex, comandante do Batalhão de Eventos, afirmou que os dois líderes da Galoucura “não poderiam ser discriminados, pois foram apenas indiciados e ainda não foram condenados”. E justificou: “Não cabe à PM dizer às torcidas quem deve ou não deve participar das reuniões que visam coibir a violência nos estádios”. E acrescentou que eles “fazem parte de uma torcida importante, são lideranças importantes, que, em tese, vão estar diretamente envolvidas com os torcedores que estarão no estádio no domingo”.
ABSURDO Para o promotor Francisco Santiago, responsável pela denúncia contra os acusados, é absurda a atitude da Polícia Militar. “Como podem convidar essas pessoas a fazer parte de uma reunião como essa, para tratar de questões de segurança num clássico? Eles foram denunciados por um dos crimes mais bárbaros que presenciamos nesta cidade”, questionou o representante do Ministério Público.
Santiago, porém, afirma que não há o que fazer para afastar Ferrugem e Macalé da Galoucura e dos eventos de que a organizada participa. “Eu denunciei e eles ainda não foram condenados. Então, estão livres para viver uma vida normal. Mas a atitude da PM não deixa de ser anormal, considerando o motivo da denúncia contra os dois.”
Cerca de 80 pessoas participaram da reunião para debater a segurança no clássico de amanhã. Além de Ferrugem e Macalé, únicos representantes da Galoucura, estavam presentes os líderes de torcida Farley Alves dos Santos, o Gordo, do Cruzeiro, e Sandro Torres Gomes, do América. (com Ludymilla Sá)Análise da notícia Em tempo de luta pela paz é inconcebível que policiais militares se sentem à mesa com pessoas indiciadas em inquérito policial como autoras do assassinato de um jovem torcedor cruzeirense, com extrema crueldade, para discutir a segurança das torcidas em jogo de futebol, no caso o primeiro clássico entre Atlético e Cruzeiro na decisão do Estadual. Puro contrasenso. Não há justificativa que possa satisfazer a sociedade, indignada com as bárbaras ocorrências envolvendo as chamadas torcidas organizadas. Haverá outro jogo pela final e espera-se que os convidados das autoridades de segurança sejam representantes da paz, não do medo e da truculência.Para lembrar Sul de Belo Horizonte, na noite de 27 de novembro, durante evento de vale-tudo do qual participava um lutador apoiado pela Galoucura. A vítima e outros integrantes da Máfia Azul foram ao ginásio e, identificados, foram perseguidos por grande número de atleticanos. O cruzeirense foi alcançado no meio da rua e espancado por pelo menos sete integrantes da Galoucura, com golpes de barras de ferro, placas e cavaletes de trânsito. Mesmo caído e sangrando, o rapaz não parou de receber pisões e pontapés na cabeça e morreu na rua, antes que o socorro médico chegasse. Dois torcedores cruzeirenses, também atingidos na briga, foram hospitalizados e se recuperaram. As cenas de violência, registradas por câmeras de segurança e amplamente divulgadas pela internet e pela TV, ajudaram a polícia a identificar os acusados. O Ministério Público apresentou denúncia contra 12 suspeitos, presos e depois libertados pela Justiça. Entre os indiciados, além de Ferrugem e Macalé, estão o presidente da Galoucura, Roberto Augusto Pereira, e os diretores Marcos Vinícius Oliveira de Melo, o Vinicin; Josimar Júnior de Souza Barros, o Avatar, e Mateus Felipe Magalhães, o Tildan.
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