sexta-feira, 20 de maio de 2011

Dorival analisa trabalho, faz projeções e comenta sobre Daniel Carvalho



Daniela Mineiro - Superesportes
Rodrigo Fonseca - Superesportes
Publicação:19/05/2011 18:01
Atualização:19/05/2011 18:20
Há oito meses no comando do Atlético, Dorival Júnior cumpriu a missão no Campeonato Brasileiro passado, evitando o rebaixamento, planejou o time para 2011, passou por momentos conturbados e, agora, inicia, neste sábado, um longa caminhada com o Galo no Brasileirão. Em entrevista ao Superesportes, o treinador analisou o trabalho no Alvinegro nesses cinco primeiros meses do ano, fez projeções para a equipe na disputa do Nacional, garantiu que não deixará o Atlético e explicou o real motivo de não escalar o meia-atacante Daniel Carvalho.
Depois da eliminação na Copa do Brasil e a perda do Estadual, o que fica de positivo para a disputa do Campeonato Brasileiro?
“Foi um momento um pouco turbulento, complicado. Tivemos um belo início, estávamos montando a equipe em cima de uma base, mas perdemos alguns elementos no meio do caminho. Foram sete ou oito alterações. Depois teve o episódio com o Zé Luís e o Ricardinho, que fez com que mudássemos completamente a formação da equipe. O que vejo é que o Atlético sai com uma boa base, logicamente que muita coisa ainda deve acontecer. Teremos que melhorar em todos os sentidos, mas é uma equipe que está deixando alguma coisa positiva, como o aparecimento de alguns atletas da base. Esperamos que aconteça o crescimento também desses jogadores que estão chegando agora, até porque, contratar é uma coisa, a integração deles é outra. Eu acredito muito em um crescimento da equipe, que é jovem e teve uma sequência curta de jogos. Por isso, nós temos que dar um tempo maior para que o próprio grupo possa encontrar uma adaptação para ter um melhor rendimento em um campeonato tão difícil e complicado como é o Brasileiro.”
As saídas de Zé Luís e Ricardinho abriram espaço para revelações?
“Foi uma situação muito estudada, levantamos muitos fatos que comprovaram que uma atitude seria conveniente naquele momento. Sempre coloquei que jamais gostaria de tomar uma atitude que fosse, de uma maneira que interferisse diretamente na vida de profissionais e, principalmente, para que o clube não fosse penalizado. Levantamos todos os dados possíveis para que tivéssemos uma certeza. Aconteceu a alteração. Eu acreditava muito que a partir daquele momento aconteceria um crescimento do grupo, um amadurecimento e o aparecimento de alguns outros elementos que, até então, estavam um pouco apagados em razão da presença de jogadores mais experientes dentro de um elenco. Acabou dando certo. Foi uma opção, tenho certeza que correta naquele momento, pela postura adotada pelos atletas, que fugia completamente àquilo que a gente estava definindo para o grupo. Não gostei das atitudes tomadas por eles e a diretoria entendeu também dessa forma, porque apurou tudo aquilo que estava acontecendo. Tivemos um ganho de qualidade com o aparecimento de novos elementos, que, com certeza, em um futuro bem próximo, poderão dar um retorno positivo ao grupo.”
O que esperar do Atlético no Brasileirão?
“Temos que ter calma e pés no chão. Ainda é um momento de reconstrução. Estamos tentando encontrar um equilíbrio para a equipe, para que alcancemos um segundo momento. É um campeonato longo, que, talvez, propicie e nos dê essa possibilidade, mas muita coisa ainda tem que ser trabalhada. Espero que o Atlético faça, principalmente, uma campanha bem superior à que fez no ano passado. Esse vai ser nosso trabalho, a consolidação da equipe, para que futuramente tenhamos uma possibilidade maior de conquista.”
Por que Daniel Carvalho não joga?
“O Daniel tem se dedicado, mas o que falta, já coloquei isso para ele, é ter uma participação maior. Ele disse em uma entrevista, na qual foi muito direto, claro e correto em suas colocações, que talvez não estivesse jogando porque eu exigisse dele em termos de marcação, e que ele não tinha o poder de marcação que, talvez, o Giovanni e o Renan Oliveira possuem. Mas, na realidade, não é isso que quero do Daniel. Quero dele uma participação mais intensa, que ele tenha uma dedicação maior e, principalmente, um comprometimento maior a partir do momento que esteja em campo, participando e chamando o jogo para ele, movimentando, buscando alternativas. Não quero nada além do que ele não possa realizar. Não vou cobrar do Daniel, um jogador que tem o potencial técnico que possui, uma exigência de marcação, de posicionamento. Isso eu não quero. Jamais vou cobrar isso, porque sei que ele não vai me dar retorno. O que eu quero dele é apenas que se movimente, participe, busque mais a bola. Uma intensidade maior. É tudo que eu quero que aconteça para que ele possa realmente, a partir daí, me passar confiança e, em cima dessa confiança, eu possa lhe dar uma sequência, que é necessária para qualquer atleta buscar uma recuperação. Confio no Daniel e já coloquei isso para ele algumas vezes. Logicamente que vai depender única e exclusivamente dele essa mudança de postura.”
Seu nome é sempre lembrado em outros clubes quando os técnicos estão ameaçados ou são demitidos. Você pode deixar o Galo?
“Nada me tiraria do Atlético. Nenhuma proposta, mesmo considerando e respeitando todas elas. Eu tenho palavra, sempre fiz isso. Não precisaria nem de um contrato para permanecer no Atlético até o momento em que a diretoria achar conveniente.”

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