sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Eles mostram o caminho

Enquanto os grandes da capital decepcionam seus torcedores na Série A, as equipes mineiras que disputam as divisões inferiores do Brasileiro têm campanhas de destaque
Roger Dias - Estado de Minas
Publicação:22/10/2011 10:11
No lugar dos salários milionários, grupos com orçamento milimetricamente calculado. Não existem estrelas que provoquem a agitação dos torcedores para fotos ou autógrafos nem estruturas de última geração. Os atletas às vezes passam pelas ruas, praças e igrejas sem ser reconhecidos. No entanto, eles representam o brilho do futebol mineiro no segundo semestre, em que Atlético, Cruzeiro e América vêm decepcionando suas torcidas com atuações decepcionantes. Mesmo com dificuldades para pagar salários e fazer grandes contratações, o quarteto Boa (na Série B do Brasileiro), Ipatinga (na C), Tupi e Villa Nova (na D) tem lições a dar aos clubes de Belo Horizonte. Suas administrações fizeram planejamento arrojado com o intuito de assegurar o sucesso nos gramados. Ainda que aos trancos e barrancos, tudo vem dando certo e os torcedores os aplaudem com orgulho.
Renegado no Atlético, Jheimy adaptou-se rapidamente ao novo time, virou goleador e é um dos ídolos da torcida boveta
O sucesso do Boa (ex-Ituiutaba) na Segunda Divisão se deve à competência administrativa de Rone Moraes e seus irmãos Rildo e Roberto. Também pode ser considerada a transferência de sede para Varginha, já que a prefeitura abraçou a equipe, dando estrutura para os treinos e disponibilizando o Melão para os jogos. Na ausência de um clube local, os moradores abraçaram o time boveta desde o início, formaram torcida organizada e vêm comparecendo em bom número às partidas. “Cerca de 1 mil camisas foram vendidas na região a preço de R$ 100. Temos muito que agradecer ao povo do Sul de Minas”, frisa o diretor de futebol Rildo Moraes. A folha salarial é estimada em R$ 600 mil e os dirigentes têm compromisso com os gastos. No banco de reservas, há a figura do paizão, conselheiro, incentivador e amigo, Nedo Xavier, que transformou um grupo sem grandes estrelas num time bem postado taticamente, com defesa eficiente e que briga por vaga na elite nacional. Os destaques são o goleiro Luiz Henrique, os volantes Claudinei e Moisés (ex-América) e o atacante Jheimy, goleador da equipe.
Frontini é um dos trunfos do Tigre na boa campanha da equipe na Terceira Divisão, que resultou no retorno à Série B
O Vale do Aço está em festa depois do retorno do Ipatinga à Série B. Com 13 anos de fundação, o Tigre acostumou-se ao sobe e desce dos últimos anos, em âmbito estadual e nacional. Este ano, foi rebaixado ao Módulo II do Mineiro e, por isso, a campanha de destaque na Terceira Divisão nacional foi questão de honra para o técnico Ney da Matta, que conhece bem as limitações do clube, e para os próprios jogadores. “Não adianta subir para a Série B e depois pôr tudo a perder. É preciso dedicação e responsabilidade para que possamos continuar em crescimento”, alerta o atacante Frontini, artilheiro da equipe com cinco gols. O time quadricolor ainda sonha com o título da Terceira Divisão, mas sabe que fez muito até o momento. Os problemas extracampo persistem, mas o presidente Itair Machado promete um fim na crise. A folha salarial do Tigre é estimada em R$ 400 mil.
Ricardo Drubscky montou o grupo em cima da hora e apostou em jogadores experientes para o sucesso do Galo Carijó
Há pelo menos uma década o Tupi vem colhendo os frutos do eficiente trabalho de sua diretoria. Com uma política de investimentos nas categorias de base e em melhorias do CT de Santa Terezinha, o clube construiu uma base importante para sonhar com a ascensão à Série C. No ano passado, a vaga bateu na trave (a equipe perdeu para o Macaé nas quartas de final), mas os torcedores estão esperançosos, sobretudo pelo trabalho de destaque do técnico Ricardo Drubscky, com passagens pelas categorias de base do América, Atlético e Cruzeiro. Ele ajudou a montar a equipe às vésperas da competição, trazendo reforços como o armador Luciano Ratinho e o atacante Ademílson, ídolo do clube e cidadão honorário de Juiz de Fora. Outra aposta foi o atacante Allan Taxista (ex-Villa), que começou no próprio Galo Carijó. A Prefeitura de Juiz de Fora também dá seu incentivo: R$ 30 mil mensais, sendo uma parte investida nas equipes juvenil e júnior.
Com o jovem Leonardo Condé no comando, Leão do Bonfim driblou problemas extracampo na luta pelo acesso à Série C
Antes de sonhar com uma campanha de destaque na Série D do Brasileiro, o Villa Nova foi obrigado a resolver problemas político-administrativos que quase culminaram no fechamento do clube. O aposentado Jairo Gomes assumiu a presidência e deu início à reestruturação fora das quatro linhas (a dívida trabalhista é estimada em R$ 7,8 milhões). O jovem técnico Leonardo Condé teve papel importante na caminhada bem-sucedida na competição – trabalhou o psicológico do grupo, indicou reforços e participou ativamente do planejamento. “Tivemos o sério compromisso de fazer um trabalho eficiente e honesto. Espero que o acesso possa premiar a dedicação dos jogadores”, diz o treinador, que comanda atividade hoje, em preparação para o duelo de volta contra o Anapolina, domingo, às 16h, no Castor Cifuentes. No jogo de ida, os goianos venceram por 1 a 0. Quem passar do confronto briga com o Tupi por vaga na Série C.

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