Rafael Miranda curte sua terceira temporada com a camisa do Marítimo, de Portugal, e rememora histórias alvinegras
Leandro Mattos - Superesportes
Publicação:17/01/2012 08:30
Atualização:17/01/2012 09:39
Natural de Belo Horizonte, cidade em que nasceu em 1984, ele traz o Atlético no DNA. De família alvinegra, cresceu dentro do Galo, clube em que ingressou ainda como jogador de Futsal, em 1993, antes de integrar as categorias de base do futebol de campo, a partir de 1995. Rafael Miranda da Conceição, hoje no futebol português, onde defende o Marítimo, da Ilha da Madeira - desde 2010 -, não esquece de suas raízes e lembra com carinho do clube que o transformou em um profissional do futebol.
“O Galo pra mim é tudo. Sou até suspeito para falar. Sou atleticano, assim como toda a minha família. Passei 15 anos no clube, foi uma vida inteira. Foi o clube que me projetou, que me deu uma carreira como profissional do futebol. Foi onde vivi alegrias e tristezas. Não sou rico, mas tenho uma vida financeira estabilizada e devo isso ao Atlético”, afirma.
Da época preta e branca ficou a saudade e a gratidão. Pelo Galo, foram 153 jogos como profissional e quatro gols marcados. Atualmente, o volante veste vermelho e verde e conta como foi sua adaptação ao futebol português, depois de uma passagem eficiente pelo Atlético-PR, em 2009, antes de seguir para a Europa. Primeiro, ele elege as diferenças dentro das quatro linhas. “Dentro de campo, a principal diferença é que o futebol é bem mais tático do que no Brasil. Temos mais toque de bola e menos jogadas individuais aqui em Portugal. Os jogadores são mais disciplinados taticamente, atuam mais bem posicionados, e todos ajudam muito na marcação”.
Depois de experimentar uma cultura diferente, Rafael Miranda contou que sua adaptação em Portugal, fora dos gramados, não foi muito difícil e o motivo é simples: “Portugal e Brasil são parentes e muitas coisas são semelhantes. A culinária e as pessoas, por exemplo. O que é mais diferente é o clima, mas como vivo numa ilha de clima mais tropical (Ilha da Madeira), não estranho tanto. No frio, lidamos com temperaturas de 12 graus, em média, mas dá pra suportar. Em alguns jogos enfrentamos temperatura de 0º, mas são poucas partidas”.
O que mais marcou o volante nos primeiros meses foi a diferença de personalidade dos dois povos. “As pessoas são um pouco diferentes, um pouco mais frias do que no Brasil. Mas elas não fazem por mal, são apenas mais reservadas, não têm aquele calor do Brasileiro, aquele jeitinho de conversar. No início eu me assustei um pouco, mas depois percebi que é o jeito deles. Afinal, o estrangeiro aqui sou eu e eu é que tenho que me adaptar”
Saudade, a pior ‘inimiga’
Hoje, completamente adaptado, o ex-volante do Atlético diz que só não há remédio para uma coisa: a saudade do que deixou em terras brasileiras.“O pior de tudo aqui é a saudade da família e dos amigos que deixei aí no Brasil. Tenho conseguido ir uma vez por ano, nas férias de verão aqui, mas a saudade é grande”.
Empolgado com o momento que vive em Portugal, Rafael diz que esta pode ser a sua melhor temporada desde que chegou à Europa. “Já estou no terceiro ano aqui e é diferente de tudo que eu passei aí no Brasil. Nosso campeonato já está na metade e está sendo muito bom este ano. Estamos numa zona de classificação (após 15 jogos, o Marítimo ocupa a quinta colocação da tabela) que nos permite brigar por uma vaga na Liga Europa, que é um dos nossos objetivos. Acho que é o meu melhor momento aqui em Portugal até agora. Fiquei fora de apenas um jogo e acho que vai ser um ano importante”.
Um Campeonato Mineiro inesquecível
No próximo dia 29, 12 clubes de Minas Gerais começam a duelar pelo Estadual’2012. Mesmo de longe, Rafael vai ficar de olho no desempenho do Atlético na primeira competição oficial da temporada.
Convidado a exercitar a memória, o volante elegeu um dos momentos especiais que viveu com a camisa do Galo. Foi justamente num Campeonato Mineiro, em 2007, quando o Alvinegro foi campeão em cima do maior rival, o Cruzeiro, com direito a um jogo mágico para o atleta.
O título se desenhou com uma goleada alvinegra por 4 a 0 na primeira partida, com um lance inesquecível para os atleticanos, em que o goleiro Fábio sofreu um gol quando estava de costas para o campo, num chute de Vanderlei, aos 47 minutos do segundo tempo. Na finalíssima, o Cruzeiro venceu por 2 a 0, saldo insuficiente para impedir a festa preta e branca. “O Campeonato Mineiro mais marcante pra mim foi o de 2007, quando fomos campeões de uma forma especial, com aquela goleada e o famoso ‘gol de costas’. Foi muito bacana e é um título especial pra mim. Vínhamos de um início irregular no Estadual, mas reagimos”
O 'xodó da vovó'
É impossível falar de Rafael Miranda e não citar um episódio marcante na carreira do jogador. O fato rendeu ao atleta até um apelido: ‘xodó da vovó’. A história aconteceu na véspera de uma partida do Atlético contra o Paysandu, pela Série B de 2006, quando sua avó, Dona Helena, visitou o centro de treinamentos do Galo. É o próprio jogador quem relembra: "Foi uma situação muito marcante pra mim. Até hoje as pessoas se lembram dessa história, até as crianças me perguntam sobre ela. Minha avó Helena foi me visitar na Cidade do Galo. Eu não sabia e ela chegou de surpresa. Ela conversou até com o Levir (Culpi, então técnico do Atlético) nesse dia. Ela me pediu pra marcar um gol, coisa que eu nunca tinha feito com a camisa profissional do Atlético até então. Ela fez o pedido na televisão e, por coincidência ou não, acabei marcando no dia seguinte, numa partida em que vencemos o Paysandu pelo Campeonato Brasileiro por 3 a 0”.
No final do papo com o Superesportes, Rafael Miranda - que tem contrato com o Marítimo até junho de 2013 - falou de suas expectativas em relação ao clube que tanto admira. “Espero que o time conquiste títulos e que faça a torcida muito feliz. É uma torcida apaixonada. Desde a época em que eu estava aí, o Atlético já vinha se reestruturando. Peço para que todos continuem acreditando, pois a época do clube colher os frutos já chegou. Espero que o 2012 seja diferente do ano passado e que possa ser bem mais feliz para todos os atleticanos”
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