domingo, 27 de março de 2011

Presente de aniversário

No dia em que completa 103 anos, o Galo apresenta o craque prometido pelo presidente.A chegada do ex-cruzeirense Guilherme atenua o mal-estar provocado pelas más atuações
Paulo Galvão - Estado de Minas
Publicação:25/03/2011 07:00
Atualização:25/03/2011 14:02
O Atlético completa hoje 103 anos, e o que a massa mais gostaria de ganhar de presente é a volta do bom futebol. E esta esperança atleticana foi renovada ontem com a chegada do atacante Guilherme, de 22 anos, que fez exames médicos e será apresentado oficialmente hoje. Há também a expectativa de que pelo menos mais um reforço seja anunciado, mas o nome vem sendo mantido em sigilo. O mais provável é que seja um atacante de área, embora não esteja descartada a possibilidade de vir um armador.
A chegada do maranhense revelado pelo Cruzeiro deixou em segundo plano a decepção da torcida com o mau futebol do time, evidenciado no empate da véspera com o Uberaba por 1 a 1, na Arena do Jacaré. O Galo folga no fim de semana, mas tem um jogo perigoso quinta-feira, contra o Prudente, no interior paulista, pela rodada de ida da segunda fase da Copa do Brasil. Um resultado ruim pode transformar em crise o que por enquanto é mal-estar.
Na semana passada, o presidente Alexandre Kalil afirmou que pretendia fechar uma contratação até o aniversário do clube e cumpriu a promessa com Guilherme. O ex-cruzeirense, porém, não se considera presente para o torcedor nesta data especial, que será celebrada com missa às 19h30 na catedral da Boa Viagem. Ele sabe que precisará mostrar regularidade no período em que estiver no alvinegro (acertou por quatro anos). “Tenho de dar uma resposta positiva até o fim do meu contrato, não só agora, quando o clube está comemorando aniversário”, argumenta. “Estou muito feliz de estar retornando ao país, vindo jogar em um clube de massa, que disputará grandes competições e tem tudo para conquistar títulos importantes.”
Apesar do ânimo do recém-chegado, a situação do Atlético não é das mais confortáveis. O time até está bem nas duas competições que disputa – é vice-líder do Campeonato Mineiro e está classificado à segunda fase da Copa do Brasil. O problema é que vem apresentando futebol bem abaixo das expectativas e muito longe de quem quer brigar pelos títulos.
Ciente da situação, Guilherme mantém a calma e mostra confiança. “Ainda estamos no início de temporada e não há motivo para alarde, mas é claro que temos de nos acertar o quanto antes. Estou muito feliz. O Atlético tem montado um bom time e espero ajudar. Quero ganhar títulos e tentar ser ídolo dessa torcida”, disse.
Para atingir o objetivo, o atacante precisará fazer o torcedor esquecer alguns goleadores que marcaram a história recente do clube, como Obina e Diego Tardelli, hoje na China e na Rússia, respectivamente. Tem consciência de que a pressão é grande e o melhor caminho é balançando as redes adversárias. “Fazer gols é minha obrigação. Nasci para ser grande e espero crescer no Atlético”, diz o jogador, fazendo questão de evitar comparações com Tardelli. “Temos características diferentes, mas o mesmo objetivo, fazer gols.”
Além da cobrança dos alvinegros, que ainda reclamam da saída dos artilheiros, o novo reforço também deverá ser hostilizado pelos cruzeirenses, que não costumam perdoar seus ex-destaques que passam a defender o arquirrival, sobretudo quando foram criados na Toca da Raposa. Mais uma vez, garante não estar preocupado. “Fiz bem meu trabalho, e o Cruzeiro teve o retorno pelo que fez por mim. Então, saí de lá de cabeça erguida, sem dever nada a ninguém.”
A massa espera que ele faça o mesmo com a camisa do Galo, repetindo inclusive o ótimo desempenho em clássicos – com a camisa azul, disputou sete e fez seis gols, ganhando a alcunha de carrasco. “Isso não tem como mudar, mas agora visto a camisa do Atlético e tenho de dar satisfação à torcida atleticana.” Para suportar bem o momento de adaptação, ele conta com o apoio do pai, Nílson Gusmão, que o acompanhou às clínicas em que fez exames ontem. O principal conselho é relevar as palavras dos agora adversários, que começaram a ser ouvidas antes mesmo da assinatura do contrato com o Galo.
Tão logo termine a apresentação, Guilherme iniciará os testes físicos para que a comissão técnica saiba quais exercícios serão prioritários e estipule o tempo necessário para deixar o atacante à disposição de Dorival Júnior. Ele ficou uma semana sem treinar por causa da negociação com o Galo e da volta ao Brasil, mas acredita que não demorará a ter condições de jogo. Apesar de considerar válida a passagem pela Ucrânia, onde estava desde 2009, reconhece que não se saiu bem lá. O maior problema, acredita, foi entender a filosofia local. “Mas isso faz parte do passado, o importante é ter fixado na cabeça minha qualidade.”
DE MOLHO O atacante Mancini, que deixou a partida contra o Uberaba, depois de apenas 13 minutos em campo, sentindo dor na coxa direita, foi submetido a exame de imagem para que os médicos saibam a gravidade da contusão. O resultado sairá hoje, dia de treinos em horário integral. O árbitro do primeiro jogo contra o Prudente será Antônio Denival de Morais e os assistentes, também do Paraná, serão Gílson Bento Coutinho e Marcos Rogério da Silva.

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