Paulo Galvão - Estado de Minas
Publicação:05/03/2011 07:00
Atualização:05/03/2011 09:29
Justamente quando o técnico Dorival Júnior começava a ter todos os atacantes à disposição, o Atlético está perdendo o principal deles. Diego Tardelli, ídolo da torcida, foi liberado ontem para ir à Rússia conhecer as instalações do Anzhi e ouvir a segunda proposta do clube, que recentemente tirou do Corinthians o lateral Roberto Carlos e o volante Jucilei e ainda cobiça um quarto brasileiro (o armador Juninho Pernambucano), além do volante italiano Gattuso. A primeira oferta, feita há 10 dias, foi recusada pelo artilheiro do Galo.
Para liberar o craque de 25 anos, o alvinegro pede 5 milhões de euros (cerca de R$ 11,6 milhões) pelos 62,5% dos direitos que detém – o restante pertence a um grupo de empresários. Informações da imprensa europeia dão conta de que o Anzhi faria proposta irrecusável ao jogador.
Antes de sua ida à Rússia se tornar pública, Tardelli garantia, na Cidade do Galo, que estava muito feliz no clube e não trocaria o carinho da massa por uma proposta “qualquer”. Deixou claro, porém, que se for “uma coisa para resolver a vida” financeiramente, poderia ir embora. Parece ser o caso, mesmo que o negócio ainda não esteja confirmado.
O atacante chegou ao Atlético no início de 2009 para fazer a melhor temporada da carreira: foi artilheiro do Campeonato Mineiro (16 gols) e do Brasileiro, juntamente com Adriano, do campeão Flamengo (19). Balançou a rede 42 vezes no ano, tornando-se o principal artilheiro do Brasil e sendo premiado com algumas convocações para a Seleção Brasileira.
Toda essa produção despertou a cobiça do futebol europeu. O presidente atleticano, Alexandre Kalil, recusou proposta de 9 milhões de euros do francês Saint-Etienne. Este ano, outros clubes teriam procurado a direção alvinegra, mas, suas sondagens foram também rechaçadas. Em 2010, Tardelli não foi tão letal, mas deixou sua marca 25vezes. E neste ano já foram seis gols, metade deles no clássico com o Cruzeiro, vencido pelo Galo por 4 a 3, em Sete Lagoas.
Se a negociação se concretizar, o ídolo será o terceiro jogador de destaque a deixar o clube neste início de 2011. Antes, saíram o também atacante Obina (hoje na China) e o armador Diego Souza (agora no Vasco).
Opções
Apesar de não evitar comentar o assunto antes do desfecho, o técnico Dorival Júnior espera que, se o goleador sair mesmo, a reposição seja à altura. Mesmo entendendo que esse tipo de negociação faz parte do futebol, lamenta que ocorra justamente quando finalmente conseguia ter em campo a formação que considera ideal.
O grande destaque do Galo vem sendo exatamente o ataque. Como provou a goleada por 8 a 1 no Iape-MA quarta-feira, na Arena do Jacaré, que confirmou a classificação à segunda fase da Copa do Brasil. Até agora, o time fez 27 gols em oito jogos, incluindo o do 1 a 1 no amistoso com o River Plate-URU. Pelo menos não mostrou dependência de Tardelli, único titular absoluto do ataque. Neto Berola, que começou apenas duas partidas, também tem seis gols, enquanto Ricardinho e Magno Alves marcaram quatro, cada; o armador Renan Oliveira fez três; Jóbson, duas; Ricardo Bueno e o volante Toró, uma.
Enquanto aguarda que a situação do artilheiro se defina, Dorival Júnior pode começar a estudar as opções para montar o time sem ele. Dos que vêm sendo escalados, são quatro as opções (confira as características de cada uma).
Quatro candidatos para duas vagas
Magno Alves
Aos 35 anos, usa toda a bagagem para surpreender os adversários. Conserva a rapidez, finaliza bem, principalmente de média distância, tem ótima visão de jogo e sabe tocar de primeira, dificultando a vida dos marcadores. Tem facilidade também para atuar mais recuado, armando jogadas ou entrando em diagonal. Ás vezes, abusa do individualismo
Ricardo Bueno
Chegou no ano passado tendo no currículo a artilharia do Campeonato Paulista, mas não se firmou. Dono de boa técnica e eficiente no jogo aéreo, não aproveitou as chances, tendo marcado apenas quatro gols em 28 jogos com a camisa alvinegra. Precisa melhorar a finalização e, principalmente, mostrar mais disposição nos jogos.
Neto Berola
Velocista, é ótima arma para os contra-ataques e para desmontar retrancas quando entra no segundo tempo e pega marcadores já desgastados. Se melhorar a finalização, tem tudo para ser ainda mais mortal. Também precisa aprimorar a forma física, pois não consegue manter o ritmo durante os 90 minutos e corre o risco de ser tachado de jogador de segundo tempo
Jóbson
Começou o ano como titular, mas perdeu a posição, muito por falta de comprometimento. Seis jogos depois e sob atenção especial da comissão técnica, voltou na goleada sobre o Iape-MA e mostrou faro de gol, ao marcar dois. Habilidoso, tem futebol para se tornar ídolo da torcida, desde que escape das armadilhas da noite de BH como escapa dos zagueiros.
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