A conta do chá
Campeonato Brasileiro tem o maior percentual de vitórias pelo placar mínimo nas cinco primeiras rodadas desde 2006. Em 50 confrontos, 16 terminaram com o resultado magro
Renan Damasceno - Estado de Minas
Publicação:20/06/2012 09:20
Atualização:20/06/2012 10:54
Na hora do aperto, 1 a 0 é goleada. A afirmação, cada vez mais utilizada por jogadores e técnicos para justificar a comemoração do placar mínimo – mesmo com futebol abaixo da expectativa –, nunca esteve tão em alta no Campeonato Brasileiro, desde que a competição passou a ser disputada por 20 clubes a partir de 2006, três anos depois da adoção da disputa com pontos corridos. Dos 50 confrontos válidos pelas cinco primeiras rodadas da atual edição, 16 terminaram em 1 a 0 (uma média de quase um em cada três partidas).
A tabela da competição mais parece uma planilha de códigos binários – sistema utilizado na computação em que todas as quantidades são representados por um e zero. Além dos 16 placares mínimos, seis jogos terminaram em 0 a 0 e oito em 1 a 1. Os únicos times a sair do script foram o Coritiba, que goleou o Atlético-GO (3 a 0), e Fluminense, que venceu a Portuguesa (4 a 1), ambos na última rodada. Na Série B, a situação é parecida: 11 de 59 partidas terminaram em 1 a 0.
Vice-líder do Brasileiro, com 11 pontos, o Cruzeiro tem jogado a conta do chá. À exceção do triunfo sobre o Botafogo, por 3 a 2, de virada, no Engenhão, o time celeste triunfou por 1 a 0 sobre Sport e Figueirense e ficou no empate sem gols com Atlético-GO e Náutico. Para o técnico da Raposa, Celso Roth, os placares baixos podem ser explicados pela manutenção da fórmula de pontos corridos. “A cultura foi aprendida. Todos os jogos são uma decisão”, afirma. “Temos tido partidas alucinantes, competitivas, porque os jogadores e as comissões técnicas já aprenderam que cada jogo vale muito. Por isso as dificuldades.”
EQUILÍBRIO? Com um ponto a menos e uma posição abaixo, o Atlético não balançou as redes mais de uma vez em nenhuma oportunidade. Venceu Ponte Preta, Corinthians e Palmeiras; perdeu pelo mesmo placar para o São Paulo, e empatou com o Bahia por 1 a 1. “O futebol hoje é muito equilibrado e definido nos detalhes táticos. As equipes se preparam muito, têm qualidade e normalmente contam com poucas chances para matar o jogo. Por isso, precisamos ter o máximo de competência na hora que somos exigidos”, analisa o atacante Bernard, que ainda não marcou gol na competição e foi bastante criticado por desperdiçar oportunidades diante do Verdão e do tricolor paulista.
Bernard sabe que a vida dos atacantes não tem sido fácil. Três equipes marcaram apenas um gol em cinco jogos: Atlético-GO, Corinthians e Santos. No entanto, os dois clubes paulistas, apontados como candidatos ao título, ainda não estrearam o time titular no Brasileiro, uma vez que se enfrentam na semifinal da Copa Libertadores.
Se serve de consolo aos que veem tudo com otimismo, o panorama pode ser invocado também como a prova de que os times brasileiros têm aprendido a montar defesas sólidas. A conferir com as próximas temporadas. (Com Eugênio Moreira e Roger Dias)
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