domingo, 4 de setembro de 2011

Amanda Moura: a irmã do He-Man também tem a força













Irmã do atacante Rafael Moura, do Fluminense, Amanda tenta trilhar o mesmo caminho no futebol feminino do Atlético/MG
Por Patricia Esteves
Bonita, inteligente e boa de bola! Essa é Amanda Moura, a She-Ra. Já descobriu o motivo do apelido da centroavante? Se pensou no atacante Rafael Moura, do Fluminense, você acertou. A menina, de apenas 17 anos, é irmã do craque tricolor e tenta seguir os passos do irmão no mundo da bola. Jogando há três anos com a camisa do Atlético/MG, atualmente ela disputa a Copa do Brasil com a equipe e torce por uma convocação para a Seleção Brasileira.
Mas se você pensa que ela é nova nos gramados, está muito enganado. Com três anos, bem pequenininha, ela já arriscava umas jogadinhas em um campinho perto de casa. Aos quatro, entrou pro time do colégio onde estudava. Sempre, lógico, acompanhada só de meninos. O que não foi nada complicado para Amanda, já que segundo ela, “nunca houve preconceito”. Pouco tempo depois, o He-man, ainda sem balançar as redes com camisas de grandes clubes brasileiros, foi seu “treinador”. Ao lado das irmãs Jade e Bruna, então com sete anos, a galática foi treinada pelo irmão e pelo pai de um amiguinho. Somente aos 11 anos, ela passou a atuar ao lado de meninas que também tinham o mesmo sonho que ela.
Apoio da família
Dá para perceber que a atacante sempre esteve ligada ao esporte. Em casa, além do irmão atleta, os pais também sempre incentivaram a menina. “Minha mãe sempre achou o máximo. Mas uma coisa que ela sempre pediu foi que eu não adotasse uma postura masculinizada. Ela nunca deixou que eu falasse palavrão, sempre destacou que era legal eu estar arrumadinha”, revelou. “E eu gosto mesmo. Sempre pinto a unha, jogo maquiada, uso rabo de cavalo com tiara, minha chuteira é diferente. Me preocupo em estar sempre bonita. Não é porque eu jogo bola que tenho que ser como homem”, completou.
Sobre a relação com Rafael, a caçula e xodó da família não poupa elogios. Amanda deixa claro que se espelha no craque e que ele é seu melhor amigo. Ela, inclusive, contou que assiste às partidas do Fluminense para prestar atenção em posicionamento, estilo de jogo e tudo mais que o irmão puder oferecer a ela, mesmo que longe.
“O Rafael sempre me liga, sempre quer saber da minha vida pessoal e também da profissional. Somos muito próximos e gostamos das mesmas coisas. Na música, por exemplo, curtimos Eduardo Costa, Leonardo… esse sertanejo mais meloso. Jogamos videogame juntos, vemos luta. Adoramos assistir UFC! Ele às vezes me liga para comentarmos. Somos muito amigos mesmo”, disse, com uma voz de quem tem Rafael como ídolo.
Foi nessa que a jogadora lembrou de um episódio que arranca gargalhadas dos dois até hoje. Em 2009, a dupla foi convidada para participar de uma partida beneficente, promovida pelo jogar Nilmar, ex-Internacional. Amanda ficou na equipe dos solteiros, enquanto Rafael foi pro ataque dos casados. Com a companhia do anfitrião da festa, a moça deu tudo de si e seu time goleou o do irmão. “Eu e Nilmar brincamos muito com ele esse dia. Rimos muito disso depois”, afirmou.
Futebol feminino: na luta pelo reconhecimento da modalidade
Mas quando o assunto é coisa séria, a jovem menina também sabe falar sério. Engajada na luta pelo reconhecimento do futebol feminino, se pudesse, Amanda usava das mesmas armas da heroína She-Ra para mostrar que a modalidade tem o seu valor. Além disso, ela acredita que a criação de um Campeonato Brasileiro de futebol feminino, como o vigente do masculino, seria de extrema importância para impulsionar esse “boom”.
“O panorama do futebol feminino vem mudando bastante nos últimos dois anos e ainda bem que temos exemplos como a Marta e a Cristiane, que assim que chegaram da Copa do Mundo, reveleram tudo que acontece nos bastidores. A mídia precisa dar mais apoio também, as empresas precisam investir mais, temos de assegurar mais estrutura para a realização dos jogos e condicionamento das atletas. Acho que o primeiro passo seria o Brasileiro de janeiro a dezembro”, opinou.
Enquanto a modalidade ganha força, a She-Ra segue tentando driblar as dificuldades e fazer bonito dentro de campo para um dia, quem sabe, ter o reconhecimento que o irmão tem no futebol masculino. Mas uma coisa é certa: ela também tem a força!

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