quarta-feira, 13 de abril de 2011

Guilherme: 'Se tudo der certo, serei ídolo do Atlético'


Guilherme (Foto: Divulgação/Site Oficial do Atlético-MG)
Recém-contratado pelo Alvinegro, o atacante Guilherme fala sobre substituir Diego Tardelli no ataque do Galo
Felipe Ribeiro
Thiago Fernandes
Publicada em 13/04/2011 às 08:13
Belo Horizonte (MG)
Apresentado pelo Atlético-MG no mês de março, como a maior contratação do futebol mineiro (cerca de R$16 milhões), o atacante Guilherme - ex-jogador de Cruzeiro, Dínamo de Kiev e CSKA Moscou - abriu o jogo em uma entrevista exclusiva ao LANCE!NET.
O jogador, de apenas 22 anos, falou sobre o retorno ao futebol brasileiro, a polêmica por ter jogado no maior rival do seu atual clube, o Cruzeiro, o sonho em chegar à Seleção Brasileira, a expectativa em vestir a camisa do Atlético-MG pela primeira vez e sua fama por fazer belos gols.
LANCE!NET: O Atlético vive um momento ruim, de carência de gols. Acredita que você pode ser a solução para esse problema?
Guilherme: Espero que sim. Minha obrigação, assim como a de qualquer atacante, é fazer gols. Por isso, espero fazer muitos gols com a camisa do Atlético. Cheguei para cumprir essa função.
LANCE!NET: Como se sente nesta situação de ter que substituir o Tardelli, um ídolo do clube, e ter que entrar para resolver?
Guilherme: Não acredito que será assim. Em um time, não adianta o atacante que faz gols se a defesa não funciona, ou o contrário, quando a defesa é uma parede e o ataque não funciona. O Tardelli e nenhum outro jogador jogam sozinhos. Ele é um grande artilheiro, ídolo da torcida, fez muitos gols. Porém, para que isso acontecesse, o time funcionou perfeitamente. É igual a uma engrenagem: todos precisam cumprir suas obrigações dentro de campo para que ela funcione perfeitamente. Eu venho para cumprir a minha função, que é fazer gols e, se tudo sair dentro do planejado, tenho certeza de que também serei ídolo.
LANCE!NET: Almeja fazer o mesmo sucesso que seu antecessor, Diego Tardelli, logo de cara?
Guilherme: Estou trabalhando para isso. Estou com uma vontade imensa de vestir logo essa camisa e ir para campo, que é o meu lugar. Enquanto isso não acontece, tenho trabalhado forte para que possa render tudo o que esperam de mim no Atlético.
LANCE!NET: Como está a expectativa pela estreia com a camisa do Alvinegro?
Guilherme: A expectativa é muito grande. Às vezes bate uma ansiedade tremenda, mas tenho conseguido me controlar. Mas não vejo a hora de entrar em campo e me encontrar com a Massa pela primeira vez, no estádio.
LANCE!NET: Em qual posição prefere jogar? Como segundo atacante ou centroavante?
Guilherme: Quanto mais perto do gol, melhor. Já joguei nas duas funções, até de meia eu já atuei. Não tenho uma preferência, mas acredito que possa render mais avançado.
LANCE!NET: Com toda essa polêmica da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro, como pretende superar esse problema?
Guilherme: Isso é uma coisa normal, acho que com o tempo as coisas se acertam. Agora, tenho que fazer gols pelo Atlético e buscar o meu espaço no time. Respeito muito o Cruzeiro, mas agora estou do outro lado e defenderei o meu novo clube com unhas e dentes. Meu objetivo é conquistar a torcida atleticana com muito empenho e, se Deus quiser, títulos.
LANCE!NET: Você é conhecido por marcar belos gols, tanto no Cruzeiro quanto no CSKA e no Dínamo de Kiev. Quer que, no Atlético, essa continue sendo sua referência?
Guilherme: Uma vez, ouvi o Dadá Maravilha dizer que não existe gol feio, feio é não fazer gols. Eu penso assim. O importante é colocar a bola na rede, não importa como. Claro que é bacana fazer um gol depois de uma jogada bonita. Mas de nada adianta fazer um bonito e errar os feios, pois eles valem da mesma forma (risos).
LANCE!NET: Após alguns anos no leste europeu, você retorna ao seu país. Acredita que esta volta é um diferencial para chegar à Seleção Brasileira?
Guilherme: Hoje, o futebol brasileiro está se tornando uma vitrine quase tão importante quanto a Europa. Jogando em um grande clube, como é o Atlético, tenho certeza que estarei em evidência para, quem sabe, defender a nossa seleção. Esse é o meu sonho e terei a oportunidade de mostrar o meu valor, mais uma vez, por um time de ponta.
LANCE!NET: Só neste início de ano, você, Adriano, Liedson, Ronaldinho, Luís Fabiano, entre tantos outros, voltaram ao país. Acha normal este fenômeno?
Guilherme: Acredito que é um fenômeno que só tende a crescer. O poderio financeiro dos times daqui está crescendo muito e acho que vários jogadores ainda retornarão. Fico feliz com isso, pois é bom para o futebol brasileiro ter a liga cada vez mais forte e com seus melhores jogadores atuando no país.
LANCE!NET: Depois de dois anos na Europa, você se considerava totalmente adaptado ao futebol europeu?
Guilherme: Apesar de ter morado em países com a cultura tão diferente, já estava adaptado ao futebol de lá. Na Ucrânia, eles prezam muito mais a força do que a técnica e tem um futebol mais objetivo. O atacante, além de jogar bola, tem que aprender a cair, porque os zagueiros batem muito e sem dó (risos).
LANCE!NET: Agora, como será o processo de readaptação ao Brasil?
Guilherme: Só o fato de estar em um país com uma temperatura mais alta, já dá um certo alívio. Até agora, está sendo natural. Aqui é o meu país, estou perto da minha família e tenho certeza de que será bem rápido e fácil.
LANCE!NET: Hoje, como camisa 9 do Atlético, em quem você se inspira para fazer sucesso no clube?
Guilherme: Ainda não sou o dono da 9, quem decidirá isso será o Dorival. Mas, se puder vesti-la, será uma honra. Se tivesse que escolher alguém que vestiu a camisa do Galo para me inspirar, seria o meu xará, Guilherme. Ele não perdoava quando estava cara a cara com o goleiro. Espero fazer tanto sucesso quanto ele. Além dele, tem o Marques, o Tardelli, entre tantos outros que já vestiram o manto do Galo e foram ídolos aqui.
LANCE!NET: Depois de algum tempo como grande carrasco do Galo, chegou a hora de se tornar o algoz do Cruzeiro?
Guilherme: Minha função é fazer gols, seja no Cruzeiro ou em quem vier pela frente. Se puder fazer gol em clássico e ajudar o Atlético a vencer, ficarei muito feliz. Sei que é sempre muito difícil fazer gols em jogos assim, mas estou pronto para marcar, caso tenha oportunidade. Mas minha meta é ser artilheiro, não apenas em clássicos.
COM A PALAVRA (Dadá Maravilha)
O Guilherme vai precisar de um tempo de adaptação, porque na Rússia é muito frio. É um jogador inteligente, um craque, que joga com a cabeça levantada, antevê a jogada, tabela bem, passa muito bem a bola.
Queria saber como está a condição física dele, porque o time do Atlético-MG joga atacando. Eu fico muito feliz quando vejo alguém citando a minha frase, porque mostra que os jovens de hoje também admiram Dadá.

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