segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fred Couto:´Não seu qual é a profissão de Alexandre Kalil´


Fred Couto espera levar novidades ao Atlético-MG (Foto: Divulgação)
Em entrevista ao LANCE!NET, candidato ao posto de mandatário do Atlético-MG disparou contra o presidente Alexandre Kalil
Frederico Ribeiro
Thiago Fernandes
Publicada em 12/12/2011 às 07:13
Belo Horizonte (MG)
O LANCE!NET inicia, nesta segunda-feira, uma série de entrevistas com os três candidatos à presidência do Atlético. As eleições para mandatário do clube ocorrerão na quinta-feira, na sede social do clube, no bairro de Lourdes, na zona centro-sul de Belo Horizonte.
O primeiro candidato será o engenheiro civil e empresário Frederico Peçanha Couto, 53anos, da chapa “Galo, uma nova ordem”. O conselheiro benemérito do Atlético e ex-presidente da comissão de patrimônio do clube recebeu a reportagem do L!NET na sala da presidência de sua empresa. Acompanhado de um dos seus três filhos, o candidato explicou quais são suas propostas e o que acha de seus rivais políticos.
Com os trejeitos e o físico semelhante ao do atual presidente alvinegro, Fred Couto deixa claro que se opõe às ideias de Alexandre Kalil. Ao fim da entrevista, o bem-humorado candidato ainda conversou com os repórteres do diário.
Além da faculdade em engenharia civil, o candidato possui outras qualificações profissionais. Fred Couto tem MBA em Gestão de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e MBA em Marketing Esportivo pelo Instituto Vanderlei Luxemburgo, em São Paulo, o qual ele considera muito importante para um provável mandato à frente do Atlético.
Veja, abaixo, como foi a conversa com o engenheiro Fred Couto:
O que lhe faz achar que está apto para se tornar o presidente do Atlético?
São vários fatores. Eu fui convidado por vários conselheiros ao longo de oito anos de conselho para ser vice-presidente de várias chapas. Fui presidente da comissão de patrimônio e lá tivemos um ponto fundamental, que foi combater aquela renovação altamente prejudicial com a Mutiplan (empresa que gerencia o Diamond Mall, shopping do clube). Fomos contra e levantamos todos os argumentos do por que sermos contra. E não ouvimos por parte do presidente Alexandre Kalil nenhum contra-argumento que se diz algo da administração. Esses fatores me levam a crer que eu posso ser presidente do Atlético. Em relação a futebol, que também é um diferencial, joguei bola a minha vida inteira. Sou formado em engenharia civil, fiz um MBA em gestão de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, tenho MBA em marketing esportivo pelo Instituto Vanderlei Luxemburgo, um curso de dois anos. Administro uma empresa, que vai muito bem, obrigado. Tem gente que não sabe administrar nem a cozinha dele. Eu me coloco muito preparado em relação aos nossos dois concorrentes. Um é um desembargador, que eu respeito muito, e o outro não sei o que é. Não sei se o Alexandre (Kalil) é dono de firma ou se ele não é. Realmente, não sei o que ele faz.
Em algum momento o senhor pensou em unir essa oposição com o Irmar Ferreira?
Antes de lançarmos a candidatura do Irmar e a minha, nós fomos conversar com o desembargador Irmar Ferreira no escritório dele, com todo o respeito que ele merece. Disse a ele que nós teríamos que estar unidos em um único nome. Para a minha surpresa, o desembargador Irmar mandou um recado para mim. Ele disse que estava fora do processo eleitoral do Atlético. Isso aconteceu há mais ou menos quatro meses. Nossa chapa foi contratar a estrutura profissional que achamos necessária para nos candidatarmos, mas sem dizer à imprensa. De repente, o desembargador Irmar, sem me dar nenhuma posição, lançou a chapa dele na imprensa. Mesmo diante desse, no meu entender, desrespeito a um conselheiro, que gostaria de ser candidato, eu deixei a vaga de vice-presidente em aberto, esperando que pudéssemos ter um bom senso em uma união em prol do Atlético. É bom termos chapas de oposição.
Como o senhor enxerga a atual gestão do Atlético?
São 12 anos mandando no Atlético. O presidente Alexandre Kalil está há 12 anos sentado no burro, que não sai do lugar. O Atlético tem de ser respeitado, eu não vejo por parte do presidente nenhum tipo de respeito à instituição.
O Kalil sempre diz que reestruturou o Atlético financeiramente. O senhor concorda com isso?
Absolutamente, não. Quando sentarmos lá, veremos o buraco que ele deixou no Atlético. Temos antecipação de receita de 42 milhões de reais e a falta de pagamento de impostos. Ele retém o imposto de renda de um funcionário e não repassa ao Fisco. Isso é mentira, chega de mentira no Atlético.
Quais são suas principais propostas para os próximos três anos de mandato?
Isso eu adoro falar. Nós temos de reestruturar o Atlético na parte administrativa para que isso dê resultado em campo. Quando você fala em processo de administração, você cria regras para a contratação de jogadores. São criadas metas para cada ano. Você cria regras para a gratificação, você cria identidade nas categorias de base e no time profissional. Queremos fazer uma integração entre os dois. O departamento técnico será entrevistado pelo presidente ou pelo RH do clube para saber se ele se encaixa na filosofia do presidente. A filosofia é nossa, do Atlético. O que nós temos visto é que o clube está entregue aos treinadores. Aí o treinador traz Diego Macedo, Fernandinho, o que ele quiser. Comigo à frente do clube, não será assim. Quando eu estiver no Atlético, teremos regra.
O senhor tem um MBA em Marketing Esportivo e sabe a importância deste artifício no esporte, principalmente no futebol da atualidade. Pretende reativar o departamento de marketing do Atlético?
Claro. Eu costumo dizer que a ignorância administrativa do presidente Alexandre Kalil viu que o marketing é despesa. Marketing é investimento e nós não podemos ter uma ignorância administrativa dentro do Atlético. O marketing preserva aquele nosso cliente, que é o torcedor. O Atlético tem responsabilidade por tudo que afeta o torcedor, porque ele é o meu cliente. Quem fará pesquisa para descobrir o que atrapalha o meu cliente é o departamento de marketing. Essa ignorância administrativa é prejudicial ao Atlético.
Tem intenção de retomar o antigo projeto de sócio-torcedor?
Claro. Nós temos de saber qual o perfil do nosso sócio-torcedor. Temos de saber o que ele quer para que ele nos dê o que nós queremos. Então, se ele quer votar, vamos levar isso ao conselho. Se ele tiver esse benefício, ele vai nos dar isso. Eu estou ouvindo agora, o nosso atual presidente dizer que vai fazer o sócio-torcedor. Por que ele não fez isso há três anos? Uma arena multiuso do Atlético favorece o nosso sócio-torcedor.
O que você gostaria de modificar na estrutura profissional do Atlético, como jogadores, diretor de futebol e comissão técnica?
Temos de assentar lá e ver para que possamos analisar com um bom senso e equilíbrio. O que eu posso dizer é que eu gostei de uma postura do Cuca diante desse tempo em que ele esteve no Atlético. Ele conseguiu, diante de um samba do crioulo doido, dá uma forma ao time. Não quer dizer com isso que eu vou chegar lá e endossar tudo o que o Cuca tenha estabelecido. Vamos conversar e decidir tudo. Em relação ao time em si, nós temos uma proposição que 30% do elenco tem de ser das categorias de base. Se não houver essa possibilidade, nós vamos pontuando, porque no próximo ano, teremos de fazer isso. Nós temos de assentar lá para ver. Os jogadores tem de ter uma identidade com o clube. Hoje, nós trazemos muitos jogadores de Ribeirão Preto e eles chegam para ganhar dinheiro, sem a menor identificação com o clube. Mas é isso mesmo, tem de querer ganhar dinheiro. Temos de olhar o lado do clube também. O garoto, que chega novo, e tem um acompanhamento psicológico, social e educacional, acaba criando uma identidade.
Como foi sua campanha eleitoral até o momento?
Foi muito boa. Nós ainda temos ligado e temos mandado as respostas. É uma pena que o desembargador Irmar copiou tudo o que nós fizemos, mas isso faz parte de um processo democrático. A campanha do desembargador Irmar nada mais é do que a nossa campanha copiada. É assim que é. Nós temos falado muito com os conselheiros. Tivemos reuniões que foram sensacionais, em que ouvimos a todos. Eu não quero falar o nome, porque senão ele são mortos. É um absurdo, é um desrespeito às pessoas. O Atlético é um clube que tem um comando desrespeitador.

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