FINAL DA LIBERTADORES
Nem o trânsito incomodou
Chegada ao Mineirão foi complicada para quem optou pela Abrahão Caran. Movimentação foi intensa antes da partida e quem aproveitou para ganhar dinheiro também comemorou
Bruno Freitas - Estado de Minas
Pedro Ferreira - Estado de Minas
Publicação:25/07/2013 08:15
Atualização:25/07/2013 08:17
Pela quantidade de latinhas de cerveja no entorno do Mineirão foi possível saber que os atleticanos comemoraram antes mesmo da vitória. Enquanto a torcida vibrava no estádio, o aposentado Evandro Balbino, de 72 anos, faturava catando latinhas do lado de fora. Ele juntou 8,8kg e faturou R$ 20. “Não estou duro mais. Posso voltar para casa feliz”, disse o aposentado, que mora em Ibirité.
Funcionários de empresas de reciclagem levaram balanças e compravam a mercadoria no local, pagando entre R$ 2,20 a R$ 3. Edson Mauro de Oliveira, de 38, comprou 70kg. “É a primeira vez que venho ao Mineirão. Da próxima, vou chegar mais cedo. A concorrência é grande”, disse Edson.
Já o trânsito não foi nada organizado na Avenida Antônio Abrahão Caran, na chegada ao estádio. Motoristas de carros e até de ônibus estacionaram em cima do Viaduto José Alencar e ao longo da avenida, quando na Copa das Confederações o acesso era apenas para motoristas credenciados para o estacionamento do estádio. Quem seguiu pela Antônio Carlos saindo da Região Hospitalar gastou 3 horas para percorrer 12 quilômetros. Ao longo da Antônio Carlos, cambistas presos no trânsito ofereciam ingressos bem mais caro sem precisar descer dos seus carros. Torcedores a pé e de moto paravam para comprar.
Antes do jogo, a PM prendeu vários suspeitos de roubar ingressos de torcedores. Somente na Avenida Coronel Oscar Paschoal foram quatro ocorrências. A estudante Bárbara Guardão, de 21, foi atacada por oito rapazes e perdeu o ingresso. Ela, o namorado e a amiga, que pagaram R$ 500 cada um, não viram o jogo pois tiveram que registrar boletim de ocorrência na delegacia do Mineirão. Sem TV ou rádio, o motorista de ônibus Clésio Antônio, de 56, aguardava o fim do jogo. Ele ficava sabendo do jogo pelo barulho que vinha do estádio. “Um a zero para o galo”, apostou e acertou.
Via livre Principal atrativo para o torcedor utilizar o transporte público até o Mineirão – enquanto as obras do BRT (transporte rápido por ônibus) não ficam prontas –, o serviço de ônibus executivo, popularmente chamado de “frescão”, se valeu de uma mudança de última hora que se mostrou vencedora. Em vez de utilizar a busway da Avenida Antônio Carlos (congestionada 1h30 antes de a bola rolar), no acesso ao estádio, os coletivos foram desviados para as Avenidas Pedro II e Catalão. Com o trânsito livre nas duas vias, o trajeto foi cumprido em 18 minutos. Na volta, pelo trajeto padrão, também com o tráfego fluindo bem, o tempo gasto foi de 28 minutos.
O embarque do carro 5, utilizado pelo Estado de Minas, foi iniciado às 8h35, com cinco muitos de atraso. “Funcionou perfeitamente”, elogiou o administrador de empresas José Eustáquio Barcelos, de 58 anos. Ao fim da viagem, ele fez questão de cumprimentar o motorista do ônibus, Glaidson David, 25, igualmente avinegro que entrou no clima fazendo buzinaço pelas ruas.
Para o policial civil Thiago Prates de Oliveira, 26, a espera era só alegria. Na companhia do irmão Matheus, e o amigo Bruno, ele comemorava a finalíssima ostentando um bandeirão na fila de embarque. “Saí mais cedo do trabalho, peguei um engarrafamento na Avenida Tereza Cristina, mas estou pronto para o jogo. Optei pelo ônibus pela comodidade”, avaliou. Depois de 120 minutos de muita apreensão, os torcedores voltaram para a Savassi consagrados. A maior festa, porém, era do próprio motorista. Perguntado se já havia ido confiante de que o Galo ganharia a decisão, Glaidson disse: “Com certeza. Se não tiver sofrimento, não é o Galo. O sofrimento foi o tempero.” A comemoração pelo inédito título só estava começando.
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