segunda-feira, 22 de março de 2010

Decepção no Sul (18/03)

Paulo Galvão - Estado de Minas

Chapecó – Quando uma equipe considerada das maiores do futebol brasileiro, em ascensão, enfrenta outra de nível bem mais baixo, em termos de história, e que para completar ainda está em crise, o que se espera é, no mínimo, que vença. Mas no futebol a lógica nem sempre prevalece e o Atlético acabou derrotado por 1 a 0 pela Chapecoense, ontem à noite, em Chapecó (SC), no jogo de ida da segunda fase da Copa do Brasil. Com isso, precisará vencer a partida de volta, em 1o de abril, por pelo menos dois gols de diferença para chegar às quartas de final da competição. Antes, porém, deve se preocupar com os últimos compromissos pela primeira fase do Campeonato Mineiro. Domingo, às 17h, pega o Villa Nova, em Nova Lima, na quarta-feira vai a Teófilo Otoni disputar os 25min que ficaram faltando do jogo com o América-TO, válido pela quinta rodada, e encerra a participação recebendo o Ituiutaba, dia 28. Será bom que volte a conquistar bons resultados, para chegar embalado não só na decisão pelo torneio nacional, mas também no mata-mata do Estadual. O resultado de ontem foi uma ducha de água fria para quem se entusiasmou com as quatro vitórias seguidas do alvinegro. Ainda mais para os não mais de 30 atleticanos que estiveram no Estádio Índio Condá, que encararam torcida adversária pelo menos 200 vezes maior sem perder a fé na equipe. Gente como os irmãos Daniel e Flávio Araújo, ambos representantes comerciais mineiros que moram em Treze Tílias, a 200 quilômetros do local da partida. Animados, eles apostavam na vitória atleticana. “No primeiro tempo, a Chapecoense até pode tentar marcar forte, pressionar, mas no segundo só vai dar Galo”, disse, antes do jogo, Flávio. Sua previsão acabou sendo cumprida pela metade. Realmente, os donos da casa começaram a todo vapor e logo aos 2min poderiam ter aberto o placar com Sagaz. O mesmo Sagaz que não desperdiçou cruzamento de Waldison, pelo lado esquerdo, oito minutos mais tarde, para abrir o placar. Era tudo que a Chapecoense queria. Imprimindo um ritmo alucinante, seus atletas disputavam cada jogada como a última e não deixaram uma bola perdida. Assim, não só impediram que o alvinegro jogasse como criaram chances de ampliar. O Galo parecia atordoado e só teve oportunidade real de marcar aos 38min, quando Obina chutou em cima do goleiro Ricardo. No início do segundo tempo, o panorama se alterou. O Galo, sem conseguir penetrar, passou a tentar finalizações de fora da área. Porém, com erros sucessivos, pouco fez o goleiro catarinense trabalhar. Nem mesmo as entradas de Marques e Leandro nos lugares de Muriqui e Júnior, respectivamente, deixaram o time mais organizado. Na base do abafa, até teve chance de empatar, mas não conseguiu. CONFIANÇA QUE NÃO ACABA Para os atleticanos que estiveram no estádio, porém, a esperança de conquistar o inédito título da Copa do Brasil não se esvaiu. “O Galo é a equipe que mais participou da competição e está na hora de ganhá-la”, afirmou o bancário Edmon Soares Martins, que há dois anos trocou Belo Horizonte por Chapecó. Até quem não nasceu em Minas mostra otimismo. Como o programador André Longhi, de Maravilhas (SC). Ele começou a torcer para o Atlético ainda criança, por ser fã do goleiro Taffarel. “Procuro acompanhar por TV, rádio e internet, mas quando o Galo chegar à final da Copa do Brasil estarei em Belo Horizonte, para vê-lo campeão.” Para isso, o alvinegro precisará passar pela Chapecoense, o que não é difícil, desde que jogue melhor que ontem.

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