
Willian Tomaz Palumbo, o Ferrugem, foi um dos beneficiados pela decisão
Ivan Satuf - Estado de Minas
Flávia Ayer - Estado de Minas
Publicação:12/01/2011 09:20
Atualização:12/01/2011 09:32
Foram libertados na madrugada desta quarta-feira cinco integrantes da Galoucura denunciados pelo assassinato do cruzeirense Otávio Fernandes, de 19 anos. A decisão foi tomada terça-feira pelo juiz sumariante do 2º Tribunal do Júri Maurício Torres Soares, no mesmo dia em que acatou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra 12 envolvidos , entre elas homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha.
O MPE havia pedido a prisão preventiva dos envolvidos na barbárie entre torcidas organizadas, sob argumento de que seriam de alta periculosidade. No entendimento do magistrado, não há provas suficientes para manter os atleticanos presos e uma decisão neste sentido atenderia unicamente ao clamor popular.
Detidos desde 11 de dezembro, o presidente da Galoucura, Roberto Augusto Pereira, o Bocão, o vice-presidente, Willian Tomaz Palumbo, o Ferrugem, além dos diretores Marcos Vinícius Oliveira de Melo, o Vinicin, Josimar Júnior de Souza Barros, o Avatar, e Mateus Felipe Magalhães, o Tildan, saíram do Ceresp Gameleira, no Bairro Gameleira, na Região Oeste, na madrugada desta quarta.
Os cinco cumpriam prisão temporária de 30 dias, que venceu na terça-feira. O Ministério Público pediu a prisão preventiva deles até o julgamento, alegando alta periculosidade, mas o argumento não convenceu o magistrado.
Barbárie
Numa briga entre a Máfia Azul e a Galoucura na porta de um ginásio poliesportivo no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, Otávio Fernandes foi espancado e teve a cabeça esmagada com golpes de cavaletes de trânsito. O assassinato ocorreu na noite de 27 de novembro, depois que um grupo de atleticanos saiu do local, onde acompanhava um torneio de vale-tudo. As imagens foram capturadas por câmeras de segurança de um shopping ao lado do complexo. Além de Otávio, três cruzeirenses foram agredidos, mas sobreviveram aos ferimentos.
As acusações do MPE contra os acusados se referem aos crimes de homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha. No entendimento do promotor criminal Francisco de Assis Santiago, autor da denúncia, o maior cuidado nesse processo foi atribuir a cada um suas respectivas participações. Na avaliação do MPE, os principais envolvidos no crime são Bocão, Ferrugem e o cambista Welerson, todos denunciados pelos três crimes. “Não há nada fora do justo em nossa denúncia. Bocão e Ferrugem, como líderes da torcida organizada, tinham condição de inibir a ação violenta, mas não o fizeram. Já o cambista, que vendia bilhetes fora do evento, segundo informações que tivemos fez ligações para a torcida rival, informando sobre a presença de membros da Máfia Azul do lado de fora do ginásio”, afirma.
Foram arroladas pelo promotor 15 testemunhas e a expectativa é de que elas sejam ouvidas até o fim deste semestre. Experiente em tribunais do júri, Santiago ressalta que esta é uma oportunidade de rever o papel e o comportamento das torcidas organizadas. “É preciso chamar atenção para essas torcidas. Eles se tratam como inimigos. Há muitos anos não vejo uma morte tão brutal. A sociedade merece uma resposta e a tranquilidade”, defende. O advogado de defesa de nove dos denunciados, Dino Miraglia Filho, comemora a decisão da Justiça. “Não existe prova para mantê-los presos. Eles colaboraram com a investigação, não ameaçaram as testemunhas, nem atrapalharam as provas do crime”, diz.
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