Do UOL Esporte
Em Belo Horizonte
O juiz Maurício Torres, do Tribunal de Justiça de Minas, acatou nesta terça-feira a denúncia apresentada pelo promotor Francisco de Assis Santiago, do Ministério Público Estadual, contra as 12 pessoas envolvidas na morte do torcedor do Cruzeiro Otávio Fernandes, de 19 anos. O promotor havia pedido que fosse decretada a prisão preventiva dos envolvidos, o que não foi aceito pelo juiz.
Como a prisão temporária da maioria dos envolvidos expira nesta terça-feira, a expectativa é que eles sejam soltos pela Justiça Mineira ainda na noite desta terça-feira. O alvará de soltura dos sete acusados já foi expedido pela justiça, por determinação do juiz Maurício Torres.
Otávio Fernandes foi morto em 27 de novembro, em frente ao Chevrolet Hall, na Zona Sul da capital mineira, durante briga entre integrantes das Galoucura e Máfia Azul, que deixou feridos ainda três outros torcedores cruzeirenses.
Desde o dia 13 de dezembro estão presos o presidente da Galoucura, Roberto Augusto Pereira, o Bocão, o vice-presidente Willian Palumbo, o Ferrugem e Cláudio Henrique Souza Araújo, o Macalé, que é diretor de patrimônio da torcida organizada do Atlético e que foi solto na última sexta-feira devido ao fim do prazo de sua prisão temporária. Eles foram denunciados pelo MP por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha.
Outro integrante da Galoucura, o torcedor Diego Alves Ribeiro, que era considerado foragido pela polícia e que foi denunciado pelo MP, teve o pedido de prisão temporária revogado pelo juiz. De acordo com seu advogado, Rodrigo de Oliveira, ele não havia se entregado por orientação de sua defesa. “Agora ele não pode mais ser preso. Ele vai se apresentar a justiça apenas quando for intimado”, afirmou.
Na decisão, o juiz Maurício Torres declarou que “o procedimento inquisitorial que acompanha a denúncia ainda não esclareceu algumas circunstâncias envolvendo os fatos tratados nos presentes autos, não obstante a denúncia já tenha sido ofertada”. “Esses desencontros e a precipitação que vem imperando nestes autos levaram ao fato de que, dos 41 indiciados pela Autoridade Policial, apenas 12 foram denunciados pelo Ministério Público”, observou a decisão do juiz, que indeferiu a conversão das prisões temporárias em preventivas.
Também em sua decisão, o juiz Maurício Torres determinou a citação e notificação dos réus para responderem a acusação, por escrito, no prazo de 10 dias. Ao determinar a expedição dos alvarás de soltura e o recolhimento dos mandados de prisão ainda não cumpridos, o juiz enfatizou que “no ato da soltura, os acusados deverão informar o endereço no qual poderão ser encontrados, ficando cientes de que devem comunicar eventual mudança de endereço e comparecer a todos os atos processuais para os quais forem intimados”.
A assessoria da Polícia Civil não quis informar sobre quando deverá ocorrer a soltura dos acusados. Ela afirmou que, com o fim das investigações, no último dia 7 de janeiro e que culminou com o indiciamento de 41 torcedores, quem responde pelo caso é o Tribunal de Justiça de Minas.
A briga, que deixou também feridos, ocorreu durante evento de vale-tudo, o 3º MMA Fight Brasil, na noite de sábado 27 de novembro. A morte do torcedor cruzeirense foi a nona ocorrida em confrontos de torcedores em Minas Gerais desde 2004. Dessas, sete foram longe dos estádios.
A agressão aos torcedores cruzeirenses, que causou a morte de Otávio Fernandes, foi registrada por câmeras de segurança do Shopping Pátio Savassi, que possibilitaram ao delegado Breno Pardini Cezário, responsável pelo inquérito, identificar os suspeitos.
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