segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Agente se julga traído por Leonardo Silva e também pode processá-lo na Justiça

Fernando César diz ter 50% dos direitos do jogador e procuração, mas teria sido deixado de lado nas negociações com Cruzeiro e Atlético
Bruno Furtado - Superesportes
Publicação:12/01/2011 16:09
Atualização:12/01/2011 18:21
Depois do Cruzeiro, agora é o agente Fernando César que promete ir à Justiça para cobrar indenização de Leonardo Silva. Ele alega deter 50% dos direitos econômicos do zagueiro e ter dois contratos – uma procuração e um de prestação de serviços - que o qualificam como representante legal do atleta. Apesar disso, o empresário teria sido deixado de lado tanto nas negociações frustradas de renovação com Cruzeiro como nas conversas com o Atlético.
A partir de dezembro, o empresário Augusto Castro, o mesmo do Fabinho, amigo e padrinho de casamento de Leonardo Silva, assumiu todas as conversas em nome do defensor de 30 anos.
”Tenho contrato em vigor com ele, procuração e oficialmente eu sou o representante oficial dele. O Augusto Castro entrou no meio, mas o Leo tem um compromisso comigo e tem que cumprir. Tudo foi feito à minha revelia e foi uma surpresa total pra mim”, alega Fernando César, em entrevista ao Superesportes.
O agente conta que, em 2009, quando foi acertada a vinda de Leonardo Silva para o Cruzeiro, o clube adquiriu 50% dos direitos econômicos. A outra metade do ‘passe’ lhe foi transferida pelo jogador.
”Eu tenho participação de 50% dos direitos econômicos, cedidos pelo jogador a mim, mediante contrato. O Leo me cedeu 50% dos direitos independentemente do clube onde ele estivesse. Isso foi cedido quando ele foi para o Cruzeiro. Então eu tenho contrato de procuração, contrato de prestação de serviço, e contrato com o Leo, em que tenho 50% dos direitos. A minha procuração vai até abril do ano que vem (2012)”, explica Fernando César.
Tentativa de acordo
Inicialmente, a intenção do representante é chegar a um acordo com Leonardo Silva, em que exigirá ressarcimento financeiro. Caso persista a pendência, o caminho será a Justiça Comum.
”Vou buscar os meus direitos. Se ele vier sentar para conversar, e resolver liquidar amigavelmente, tudo bem. Se ele achar que amigavelmente não dá, vou procurar meus direitos na Justiça. Eu tenho que receber, porque não foi um problema de amigo. Foi um problema de dinheiro. Tudo indica que o que moveu essa mudança de clube foi dinheiro. Se fosse algo sentimental, estaria tudo bem. Mas, a partir do momento que o Augusto Castro tomou todas essas atitudes e o Leo o acompanhou, em função de melhora financeira, o que paga o meu prejuízo é dinheiro, não um ‘obrigado”, disse.
O Atlético, que todo o tempo negociou com Augusto Castro, já foi notificado por Fernando César sobre o imbróglio. “Eu sou advogado, inclusive avisei o Maluf, do Atlético, de que tenho 50% dos direitos econômicos do Leo, e avisei que se o Leo ficar no Atlético e não acertar a pendência comigo, eu vou acioná-lo juridicamente. O Maluf falou que meus direitos seriam respeitados, desde que eu os tivesse. Cada um busca o seu direito”.
O início da ‘era Augusto Castro’
Fernando César diz ter conhecido Augusto Castro no casamento de Leonardo Silva, em novembro. Na ocasião, o agente de Fabinho o informou que tinha como levar o zagueiro para atuar na Europa. A proposta chegaria na primeira quinzena de dezembro e, posteriormente, seria levada pelos dois à diretoria do Cruzeiro.
O Cruzeiro teria que concordar com a transferência de Leonardo Silva, mesmo após 31 de dezembro, quando vencia o contrato vigente, porque uma cláusula dava ao clube o direito de estender o vínculo do zagueiro pelo mesmo tempo em que ele ficara em tratamento da lesão no joelho direito.
”Eu alertei o Augusto que o Leo estava voltando de contusão, ficou seis meses sem jogar e achava difícil um clube de fora trazer uma proposta para ele, depois dessa inatividade. Além disso, nós teríamos um problema com o Cruzeiro, porque o clube tinha direito de estender o contrato dele por mais seis meses. Estava no contrato isso. Eu falei isso com o Leo, com o Augusto. Se realmente viesse a oferta, nós a levaríamos no Cruzeiro e conversaríamos sobre a saída, com uma coisa concreta na mão. Seria diferente. Ficou assim. Nesse caso, o Augusto Castro teria o meu consentimento e o consentimento do Cruzeiro para negociar o atleta”, disse Fernando.
Mas, na versão de Fernando César, a história começou a mudar de rumo quando Leonardo Silva convocou Augusto Castro e não ele, para discutir a renovação contratual com o Cruzeiro. Em seguida, o jogador também foi oferecido a vários clubes, entre eles Internacional e São Paulo. ”Eu alertei o Leo que tinha alguma coisa errada e que ele tinha que continuar no Cruzeiro por pelo menos mais seis meses para acertamos essa situação. Ele tinha que respeitar o contrato com o clube”.
Por fim, houve o acerto entre Augusto Castro, Leonardo Silva e o Atlético. “A minha surpresa maior foi quando ele foi para o Atlético. Nem te digo o que eu achei disso”.
Parceria desfeita após seis anos
A decepção maior do empresário é com o zagueiro e não com o suposto atravessador. “O Leo trabalhou comigo seis anos e eu sempre construí a imagem de honestidade, seriedade, de um cara equilibrado, tanto que ele foi capitão do Cruzeiro. Foi só aparecer o Augusto Castro e o Leo virou a cabeça. Eu fico preocupado quando acontece isso, porque com certeza teve a interferência de outras pessoas. Mas o Leo, com 30 anos, por tudo que ele passou comigo, ele não poderia atuar como juvenil. Ele foi o único prejudicado até agora, porque toda a imagem que ele tinha construído está indo por água abaixo em função de um problema que não precisava ter”.
A ausência nas conversas com o Cruzeiro
Indagado pelo Superesportes sobre a sua omissão em dezembro, durante as negociações de renovação entre Cruzeiro e Augusto Castro, constantemente divulgadas pela mídia, Fernando César alegou: “Eu me incomodava e eu cobrava do Leo, só que o jogador me disse que o Augusto Castro era amigo do Zezé Perrella, era o conselheiro oficial do Perrella, e o que ele pedia, o presidente fazia. O Leo me dizia que, antes de fechar tudo, sentaríamos os três para estudar a proposta”.
Além disso, Fernando César dava como certa a permanência do jogador no Cruzeiro, pela existência da cláusula que o obrigava a estender o vínculo por conta do seu tratamento de seis meses.
”Eu não quis renovar o contrato com o Cruzeiro na época do tratamento porque ele (Leonardo Silva) estava machucado e não era hora de renovar. O Maluf ainda era o diretor. E como ele tinha mais seis meses de contrato com o Cruzeiro, eu estava esperando que ele ficasse no clube. Eu estava tranquilo”, concluiu o agente. (UAI)

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