domingo, 5 de maio de 2013

A massa não para de rir

Atlético é recebido em clima de euforia por cerca de 300 torcedores em Confins depois da vitória sobre o São Paulo. Desafio do Galo é superar sua melhor campanha, a de 1978
Antônio Melane - Estado de Minas
Publicação:04/05/2013 09:21
A atmosfera era de festa. Numa euforia que aumenta a cada resultado positivo na Copa Libertadores, cerca de 300 pessoas, entre torcedores e curiosos, recepcionaram os jogadores do Atlético ontem no aeroporto de Confins, ainda celebrando o resultado alcançado algumas horas antes: a vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo no jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores, no Morumbi, o que coloca o time a caminho das quartas de final, sonhando superar a sua melhor campanha na competição: a de 1978, quando foi eliminado pelo Boca Juniors, da Argentina, nas semifinais. Se empatar ou perder por 1 a 0 para o São Paulo na quarta-feira, no Independência, garante a classificação, tendo como adversário Palmeiras ou Tijuana, que decidem a vaga dia 14, em São Paulo.
Empolgados, por volta das 15h30 os atleticanos foram recebendo um a um de seus heróis, que passaram por um corredor com um cordão de isolamento feito pela Polícia Militar. Bernard, Luan e Richarlyson foram os primeiros a deixar a sala de desembarque, sendo muito aplaudidos. Eles ouviram o que era cantado no terminal uma hora antes, quando apareceram os primeiros alvinegros: “Hi, hi... saiu do Horto pra calar o Morumbi”, numa referência ao público de 57.401 pagantes – cerca de 3 mil deles do lado do Galo. Para ironizar o adversário, usavam o refrão: “São-paulino otário, pagou ingresso para ver o show do Galo”.
Naturalmente, o assédio maior ficou para Ronaldinho Gaúcho e Tardelli. Mas eles saíram rapidamente, cada um em seu carro particular, cercados de seguranças, enquanto os demais foram para o ônibus do Atlético, que os levou até a Cidade do Galo. Lá foram liberados até as 9h30 de hoje. Alguns serão convocados para enfrentar o Tombense amanhã, às 16h, no Independência, no segundo confronto das semifinais do Campeonato Mineiro. No primeiro, o Galo venceu por 2 a 0. O técnico Cuca disse que não deve usar todos os titulares.
Quem foi ao aeroporto na expectativa de ganhar um carinho de um dos craques atleticanos ficou decepcionado, porque eles tiveram muito pouco tempo de contato com o torcedor. O volante Pierre foi um dos raros a dizer alguma coisa: “Estamos felizes, mas certos de que não conseguimos nada na Libertadores. Apenas alcançamos um bom resultado. E é importante agora pensarmos no Campeonato Mineiro, porque temos um jogo decisivo contra o Tombense.” Uma criança ganhou um autógrafo de Cuca. Ficou tão emocionada que quase chorou.
A atleticana Cristina Duarte Siqueira, moradora do Bairro Jardim Encantado, em São José da Lapa, fez questão de levar os seus dois filhos, os gêmeos Felipe e Henrique, de 11 anos, para o que chamou de festa: “Maravilhoso. Eles merecem muito mais. Pelo que fizeram no Morumbi, mais de 60 mil atleticanos deveriam estar aqui para aplaudi-los para mostrar que somos maiores do que eles. Não podia deixar de dar este momento de alegria para os meus filhos”. Foi a primeira vez que ela foi a Confins com as crianças para receber os jogadores depois de uma vitória.
CONFIANÇA
Sandro Júnior, de 18 anos, Jesiel Silva, de 22; Sadrack Meireles, de 18, e Deivison Pena, de 23, todos do Bairro Copacabana, disseram que não poderiam perder a oportunidade para mostrar o quanto estão acreditando no time: “Tudo pelo Galão doido. Eles (jogadores) precisam ver que estamos com eles”, exaltou Sandro. Já para Jesiel a razão era um nome em especial: “O show Ronaldinho. Até caminhando aqui ele é o nosso show-man”. Deivison destacou a qualidade do grupo e, mesmo cauteloso, não perde o otimismo: “Campeões não somos, mas esta foi uma vitória de campeão e estamos no caminho da glória na Libertadores. Nunca estive tão seguro de que este Galo vai nos dar a maior alegria”.
MEMÓRIA: superar 1978, a missão
Esta é a quinta participação do Atlético na Libertadores. O melhor desempenho foi em 1978, quando como vice-campeão brasileiro de 1977, ao lado do São Paulo, campeão, entrou no Grupo 3, formado ainda pelos chilenos Palestino e Unión Española. Foi o vencedor dessa fase, com quatro vitórias e dois empates em seis jogos. No triangular das semifinais, não resistiu aos rivais argentinos River Plate e Boca Juniors, ficando em último lugar. Na despedida, perdeu em La Bombonera por 3 a 1 para o Boca. O goleiro João Leite relembra a catimba, com gandulas atirando bolas, empurrando e irritando os atleticanos no aquecimento. O Boca foi o campeão naquele ano.
E MAIS...
AINDA HÁ INGRESSOS
Restam pelo menos 2,5 mil ingressos para a decisão de quarta-feira, no Independência, mas apenas os mais caros: os especiais, com acesso pela Rua Pitangui, a R$ 160, e os corporativos, a R$ 400. Eles podem ser adquiridos na sede de Lourdes, no Labareda e nas bilheterias do Horto. Os demais estão esgotados.

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