domingo, 3 de janeiro de 2016

Futuro Pode diminuir o gol, professor! Mineiro de Lavras, atacante já serviu à seleção e foi artilheiro em quatro de sete competições no ano; jogador balançou as redes 68 vezes em 2015 PUBLICADO EM 03/01/16 - 04h00 Thiago Nogueira @SUPER_FC Atacante de ofício que é, Alerrandro tem aprendido, desde novo, como tratar com carinho e precisão os caixotes que delimitam e guardam a essência do futebol, o gol. Prestes a completar 16 anos, o atacante da base alvinegra sobe o degrau do infantil para o juvenil com uma impressionante marca de 68 gols na temporada 2015. Oficialmente, o clube tem anotado 59 em 42 partidas, uma média de 1,4 por jogo (os amistosos não são contabilizados nos registros da base). “Tenho facilidade de fazer gols, mais pelo posicionamento e pelo trabalho em equipe”, ressaltou o garoto. Fã do francês Karim Benzema e admirador do perfil aguerrido do argentino Lucas Pratto, Alerrandro, de 1,78 m de altura e muita ainda por crescer, é um centroavante típico, daquele que faz gol de tudo quanto é jeito. No ano passado, marcou de dentro e de fora da área, de cabeça, de pênalti, de voleio e de calcanhar, esse último em pleno Mineirão, na preliminar do último jogo da equipe principal contra a Chapecoense, quando estreou no Gigante deixando logo cinco tentos. Pelo Campeonato Mineiro da última temporada, o atacante fez um gol a cada dez minutos na vitória do Galinho por 14 a 0 sobre o Valério. Mas, engana-se quem pensa que foi apenas um dia de sorte. Em outros seis jogos no ano, Alerrandro balançou as redes por, no mínimo, três vezes. Das sete competições de que participou, levou para a casa o troféu de artilheiro em quatro: Copa 2 de Julho, Copa Brasil de Laranjal, Campeonato Mineiro e BH Cup. Natural de Lavras, no Sul de Minas, o atacante tem formação semelhante a de muitos outros jogadores país afora. Jogou bola em rua de terra até os 8 anos, quando entrou para a escolinha do SindUfla, da Universidade Federal de Lavras. Descoberto por um olheiro, chegou à Cidade do Galo em maio de 2014, aos 14 anos. O centro de treinamento do Galo também virou a casa do garoto. De manhã, ele atravessa a rodovia para frequentar a escola, que fica bem perto do CT de Vespasiano. Alerrandro encerrou o ano não só com a bola cheia em campo, mas também aprovado nos estudos. Ele vai para o primeiro ano do ensino médio. Seleção. Mesmo com tão pouco tempo em uma categoria de base de um grande clube, Alerrandro já teve a oportunidade de vestir a camisa amarela. Em fevereiro do ano passado, foi convocado para o time sub-15 pelo então técnico Caçapa, que o conhecia muito bem, já que é seu conterrâneo de Lavras. O atacante disputou o Mundial da categoria, que aconteceu na França. Amizades e sucesso à prova A quantidade de gols marcados por Alerrandro impressiona, mas o garoto ainda tem muito o que evoluir. Para treinadores e observadores do garoto, o jogador ainda vai passar por outros estágios, afinal, ainda tem mais cinco anos de formação. “Na base, a gente trata todos da maneira igual. No sub-20 é que vamos ver quem é quem. O trabalho é no intuito de se chegar ao profissional. De agora em diante, ele tem que estar comprometido e dedicado”, ressalta André Figueiredo, diretor de futebol de base do Atlético. A valorização faz com que o jogador passe a se preocupar cada vez mais como o ambiente que o cerca. “O Alerrandro é um grande atleta, um grande jogador. Ele precisa continuar evoluindo. Ele tem que melhorar com o envolto dele, com as pessoas que estarão ao seu redor e com os amigos. Essa é a grande preocupação, ainda mais com um jogador desse calibre”, pondera Cláudio Caçapa, treinador que lhe deu a primeira oportunidade na seleção de base. Até a própria exposição na mídia nas últimas semana – por causa da quantidade de gol –, é motivo de cautela. “Quanto mais holofote, mais ele tem que ser preparado para que não fique deslumbrado e saiba absorver esse sucesso repentino”, ressalta Figueiredo. Alerrandro, por sua vez, mostra-se centrado. “Estão tendo muitos comentários nas redes sociais, mas estou normal, sempre trabalhei para isso. Mas ainda tenho muita coisa para melhorar”, destacou o jogador, que vez ou outra recebe a visita dos pais em BH. Mesmo com tanta qualidade, Alerrandro não constou nas mais recentes listas da seleção sub-15. Para o Sul-Americano, disputado no último mês de novembro, na Colômbia, outros dois atleticanos tiveram chance com o atual técnico, Guilherme Dalla Déa: o lateral esquerdo Hélio Júnior e o atacante Wandrew, que fez 14 gols na temporada passada. Frases “Estou tranquilo com essa repercussão. Sempre trabalhei para isso, e hoje está acontecendo. Mas ainda tenho muita coisa para melhorar, como aprimorar o chute de perna esquerda e melhor os improvisos”, Alerrandro, atacante infantil do Atlético. “O trabalho da base é no intuito de se chegar ao profissional. De agora em diante, ele tem que estar comprometido. Quanto mais holofote, mais tem que ser preparado para que não fique deslumbrado”, André Figueiredo, diretor de futebol de base do Atlético. “O Alerrandro vai precisar de foco e concentração. A base é diferente do profissional. Tem que trabalhar mais do que ele trabalha. Ele é um jogador interessantíssimo, tanto que o convoquei para a seleção sub-15”, Cláudio Caçapa, ex-técnico da seleção sub-15. A dimensão dos gols Marca. “Os números que o Alerrandro teve em 2015 são realmente muito raros. É preciso considerar também que, principalmente no Estadual, o Atlético enfrentou times bem fracos, que são escolinha de futebol e não treinam em dois períodos, nem tem a estrutura que Atlético, Cruzeiro e América tem. Ele fez nove gols em uma vitória contra o Valério, por exemplo”, ressalta Caio Henrique, do site Galo Future, especializado na cobertura das categorias de base do Atlético. Comparativo. “Mas, ainda assim, a quantidade de gols é acima da média. Jogadores do Cruzeiro, que enfrentaram os mesmos times no Campeonato Mineiro, não tiveram números nem próximos. Em 2015, não há registros de números que se aproximem aos do Alerrandro, nem mesmo dos atacantes que foram convocados para a seleção”, ressalta Caio. Característica. “Ele apresenta muitos recursos. Não é aquele atacante fixo. Sai bem da área, também cria muitas chances de gol para os companheiros. Faz muito bem o pivô e prende bem a bola”, analisa Caio.

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