sábado, 21 de março de 2015
Tática de mudanças gradativas assegura ao Atlético manutenção de base desde 2012
Ano após ano, Galo faz trocas no elenco, sempre mantendo uma 'espinha dorsal'
postado em 10/02/2015 08:18 / atualizado em 10/02/2015 14:02
Rodrigo Fonseca /Superesportes
Bruno Cantini/ Atlético
Em 2015, técnico Levir Culpi vai trabalhar com a base campeã da Copa do Brasil na temporada passada
O Atlético de 2015 é bem diferente do Atlético de 2012, quando o clube iniciou a montagem de um time que se tornaria vitorioso nas temporadas seguintes. Dos 37 atletas do atual elenco, apenas oito são remanescentes daquele período (Victor, Giovanni, Leonardo Silva, Marcos Rocha, Leandro Donizete, Pierre, Guilherme e Jô). Mas, ao longo desse tempo, o planejamento adotado garantiu ao Galo a manutenção de uma ‘espinha dorsal’ ano após ano mesmo reformulando o grupo.
A estratégia é simples: depois de formar uma base sólida entre 2012 e 2013, as alterações no elenco passaram a ser graduais, muitas vezes, diluídas durante o ano, assegurando renovação e afastando acomodação. A tática resistiu a duas trocas de treinadores (Cuca/Paulo Autuori, Autuori/Levir Culpi) e à mudança na presidência (Alexandre Kalil/ Daniel Nepomuceno).
“Os resultados positivos são sinais que está dando certo. Quanto mais certo dá, menos você mexe. A manutenção do que dá certo é a chave do sucesso. Ano passado, chegamos no meio do ano e fomos criticados porque todo mundo contratava e nós não. Eu sentava com o Levir e ele falava que era isso que queria. No futebol se você não tiver perseverança naquilo que você acha que é certo, dá errado. Se começar a sofrer críticas e fazer mudanças, não vai a lugar nenhum. Mantivemos uma base de elenco e ganhamos títulos importantes. Para 2015, diversos times fizeram muitas contratações. Nós fizemos três, mas mantivemos a base”, explicou o diretor de futebol Eduardo Maluf.
Primeiras conquistas
De 2012 para 2013, apenas reservas (foram seis) deixaram o clube. O grande reforço foi Diego Tardelli. O Atlético alcançou resultados em campo: a conquista inédita da Copa Libertadores. Ao final da competição, o Galo iniciou o processo lento e gradual de ‘mudar e manter’ o grupo. O atacante Bernard e o zagueiro Rafael Marques saíram. O atacante Fernandinho e o zagueiro Emerson foram contratados para suprirem as lacunas. O meia Dátolo também chegou.
Para começar 2014, foram apenas três baixas: Gilberto Silva, Alecsandro e Junior César. Três também foi o número de reforços: Otamendi, Pedro Botelho e Claudinei. Cenário bem diferente dos apresentados entre 2004 e 2011, quando dezenas de jogadores, entre chegadas e saídas, movimentavam o Alvinegro.
“Em 2010, quando fizemos muitas contratações, o Atlético tinha um elenco de jogadores de idade, com característica lenta, pesada. Fizemos uma mudança brusca. De lá para lá, fizemos apenas ajustes dentro de um perfil novo, que é velocidade, rapidez”, disse Maluf.
Durante o restante da temporada 2014, as mudanças seguiram, um pouco mais numerosas, mas sem provocar ruptura no trabalho. Saíram Otamendi, Ronaldinho, Fernandinho, Neto Berola e Rosinei. Chegaram Emerson Conceição, Maicosuel, Tiago, Rafael Carioca, Douglas Santos e Cesinha. As conquistas também vieram: Recopa Sul-Americana e Copa do Brasil.
Sai Tardelli, chega Pratto
Em 2015, mais uma vez, o Atlético inicia o ano com uma base montada. Foram apenas cinco saídas, sendo duas de peso: Diego Tardelli e Réver. “Era um momento que você não tinha mais como segurar”, disse Eduardo Maluf. Tardelli foi seduzido por uma oferta milionária do Shandong Luneng, da China. Reserva no Galo, depois de se lesionar e ver Jemerson despontar, Réver buscou novos rumos e acertou com o Internacional. Os outros foram Marion, Alex Silva e Claudinei.
Para suprir a perda de Tardelli, o Galo buscou na Argentina o melhor jogador de 2014 em atividade no país: Lucas Pratto, atacante do Vélez. Outra contratação foi o armador colombiano Sherman Cárdenas, do Nacional de Medellín, além do meio-campista Danilo Pires, destaque do Santa Cruz na Série B do Brasileiro.
O Atlético começa 2015 com um time mais jovem (média de idade entre os titulares é de 26,4 anos. Na temporada passada, a equipe que iniciou o ano tinha média de 29,9), mas ainda contando com atletas experientes como Victor, Leonardo Silva, Donizete e Dátolo.
“A cada ano, você tem de fazer com que os jogadores contratados sejam de perfil para baixar a média de idade”, ressaltou o diretor de futebol atleticano, que não pretende mudar a estratégia já visando 2016. “Nossa intenção para o ano seguinte é mudar o mínimo possível, 15 ou 20% do elenco.”
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