sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
Falou tudo: sincero, Fred analisa ano dele e do Galo, carências e sacrifício de Robinho
Centroavante destaca sucessivas trocas durante a temporada e discursa a favor do desprendimento do estilo Galo Doido: sem voadora dos tempos de Leandro Donizete
Por Guilherme Frossard e Rafael Araújo, de Belo Horizonte
01/12/2017 13h00 Atualizado há 2 horas
Dia primeiro de dezembro, dois dias antes do último jogo do Atlético-MG do ano. Fred é o escolhido para dar entrevista coletiva na Cidade do Galo. Dois principais assuntos em pauta: o duelo com o Grêmio, claro, com possibilidade de classificação para a Libertadores, e a temporada como um todo, uma espécie de retrospectiva, análise. No segundo, Fred se saiu muito bem.
A coletiva durou 25 minutos. Questionado sobre diversos assuntos, o centroavante não fugiu de nenhum deles. As respostas sobre o jogo e sobre depender de outros times para ir à Libertadores também foram boas. Para ele, a situação atual é justificada por uma série de erros do Galo durante o ano. Fred ainda garantiu: é impossível não procurar saber o resultado dos concorrentes diretos durante a partida contra o Grêmio, às 17h (de Brasília) do próximo domingo, no Independência.
- Oswaldo pediu para a gente não se preocupar no que acontece durante os jogos, mas é quase impossível. Vamos fazer nossa parte e procurar saber dos outros resultados. Não é simples, a gente depende dos outros, quem sabe a vaga não vem para a gente. Todos os erros que a gente comete temos que usar para crescer, amadurecer. Pelo que a gente fez, acho que estamos na situação que a gente merece. Temos que ganhar e depender dos outros. As outras equipes fizeram por merecer estarem melhor. A gente fez por merecer estar nessa situação. Não foram os últimos dois jogos, cinco jogos.
Muito sincero, Fred passou a discursar - direcionado pelas perguntas - sobre o ano, de forma ampla. O jogo contra o Grêmio ficou em segundo plano na entrevista. Vários erros cometidos durante a temporada foram apontados pelo centroavante, entre eles as excessivas trocas no comando técnico.
- Oswaldo tem uma média muito boa, esse ano tivemos três treinadores. A troca é ruim para qualquer clube, não só para o Galo. É ruim para toda equipe que troca muito. Vai sofrer, brigar lá embaixo. Todo mundo tem uma parcela de responsabilidade no ano, que não foi do jeito que a gente esperava, achava que deveria ser. Precisa servir de aprendizado para todo mundo.
Características
Durante todo o ano, como sempre, muitas análises foram feitas sobre a distância entre expectativa e realidade na temporada atleticana. O time era apontado como um dos melhores do Brasil, mas não venceu nenhum título de expressão. Muita gente bateu na tecla da característica em campo, da estratégia. Deveria o Galo insistir no estilo "Galo Doido"? No futebol ofensivo e quase "suicida" que deu certo na Libertadores 2013? Vários defendem que não. Entre eles, Fred. Para ele, é impossível jogar daquela maneira com o grupo atual. Ele ainda confessou: a tentativa de agradar e atender às exigências do torcedor acabou atrapalhando.
- É impossível você pedir ao Robinho que dê voadora como o Donizete dava. É diferente. Não fomos o melhor de nós mesmos. Sofremos pressão da torcida, da imprensa, e caímos na pressão. Tem que dar carrinho, vir atrás. Tem que ter a raça que a torcida quer, mas eu preciso ter na grande área, brigando com o zagueiro. Saímos das características, não fomos nós mesmos.
Fred também falou muito sobre Robinho e sobre a queda de rendimento do companheiro na temporada atual, principalmente antes da chegada de Oswaldo de Oliveira. Para ele, o sacrifício tático é a justificativa.
- No primeiro ano (no Galo, 2016) ele foi artilheiro do Brasil, foi muito bem. Chegou junto com o Galo na final da Copa do Brasil, foi um ano muito bom para ele, ano em que mais fez gols na carreira. Esse ano a gente conversava muito, a gente estava sofrendo muito, querendo fazer algo que não era da nossa característica. O Robinho foi o que mais sofreu. Eu sou centroavante, consigo voltar menos. O Robinho, principalmente com o Roger, ia lá na nossa grande área defensiva marcar, o campo tem 80 metros para chegar. Acho que ele sobrecarregou muito taticamente. Sequência quarta, domingo. É fácil com os mais novos. Você pega o Otero, se tiver um jogo domingo e um segunda, ele joga. Para a gente, não. Cazares sofre para fazer isso, pela característica, apesar de ser mais novo. Acho que o Robinho saiu muito das características dele. Sofri querendo ajudar, mas acabou me prejudicando.
Luan, o alívio
Ainda no assunto característica dos jogadores e do grupo, Fred ressaltou algo que boa parte da torcida defende: a falta de jogadores de velocidade pelos lados.
- Não é crítica para a diretoria: nós fomos treinados para jogar com a bola. O time tem muita qualidade técnica com a bola. Passe, posse. Tivemos fases de jogar muito bem tocando a bola. Mas sentíamos a necessidade da fumaça (jogadores de velocidade) No Galo. Otero é bom no um contra um, mas não é velocista. Cazares não tem característica de ponta. Era um alívio para todo mundo ver o Luan jogando, tinha mais profundidade. Sofremos um pouco com isso. Lembro do Roger (Machado) pedindo profundidade, mas a gente sofria, porque não tinha essa caracterítisca.
Mea culpa
No último jogo, contra o Corinthians, Fred teve uma chance incrível para marcar o gol da vitória (veja no vídeo abaixo). Passou por Cássio, mas bateu para fora. Apesar de lamentar muito o erro, garante: não foi aquele lance que complicou a temporada atleticana.
- Qualquer um poderia ter errado aquele gol, menos eu. Fui frio quando o Cássio saiu, fechou meu ângulo. Um pouco de precipitação no arremate, tive que dar uma ajeitada. Quando dei o corte, vi um vulto passando, acho que era o Balbuena, a bola ficou muito no meio do meu corpo, acabou subindo. Foi detalhe. O que me conforta é que tentei dar o meu melhor. A Libertadores não vai deixar de vir porque errei aquele gol, porque perdi um pênalti há dez rodadas. A Libertadores não está consolidada, dependendo só da gente, pelas irregularidades, trocas, metodologias, Uma hora uma coisa, outra hora outra. Os números comprovam. A gente não pode nem falar isso para não causar uma injustiça. Oswaldo poderia ter ficado o ano inteiro e não ter dado certo. Mas as coisas melhoraram (com o atual comandante). A culpa deste ano nosso estar nas mãos de outras equipes é nossa. Nossa é todo mundo que está diretamente e indiretamente no campo.
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