sábado, 7 de abril de 2012

Público ruim. Espetáculo pior ainda

Pouco mais de 4 mil torcedores estiveram na Arena do Jacaré e viram o Galo vencer de virada o Coelho por 2 a 1. Mas não saíram satisfeitos, pois o clássico ficou devendo
Antônio Melane - Estado de Minas
Publicação:05/03/2012 09:31
Normalmente, quando há o duelo de rivais, disputando a liderança de um campeonato, ambos com 100% de aproveitamento, é para se esperar um futebol da melhor qualidade, lances empolgantes, festa da torcida e muito mais. O espetáculo tem de ser nota 10. Não no caso de ontem, quando América e Atlético se encontraram pela quinta rodada da primeira fase do Estadual, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. O que predominou foi o futebol ruim, sem vibração. Venceu o Galo, por 2 a 1, de virada. É líder absoluto, com 15 pontos, agora o único invicto.
Foi uma pobreza de futebol, especialmente no primeiro tempo. O América chegou duas vezes. Um chute de Rodriguinho, que Renan Ribeiro defendeu, e outro fora, de Luciano. Já o Atlético brincou de desperdiçar chances com Neto Berola, André, Mancini e outros que chegaram mais à frente. Dava a impressão de que tinha a certeza de um futebol para resolver a questão quando bem entendesse. Para reforçar a tese, ainda foi favorecido aos 43mim, quando o volante Leandro Ferreira, que marcava Neto Berola, recebeu o cartão vermelho. Por sinal, injustamente, porque foi uma disputa de bola com Richarlyson.
Mas o Coelho estava decidido a contrariar algumas teorias do futebol, como a de que time com 10, em um clássico, tem de ficar atrás para não perder de muito. Não insistir tanto em jogadas duras, já que estava sendo prejudicado pela arbitragem de Igor Junior Benevenuto, sem influência no placar, mas cometendo até aquele instante alguns equívocos. Ainda, o fato de sua torcida apresentar apenas 20% dos 4.067 pagantes. Ficou em um dos cantos do estádio, gritou muito, mas acuado diante do maior número dos rivais.
O técnico Givanildo Oliveira teve uma visão perfeita do jogo, quando o time ficou com 10. Ele tinha de apostar nos mais jovens, no caso Kaio e China, para que eles, com resistência, ocupassem mais espaço, essencialmente na marcação. Kaio, com sua habilidade e esperteza, poderia fazer a diferença na frente. Deu certo, porque ele, no começo da segunda etapa, tocou para Moisés, que disputou dentro da área com Renan Ribeiro. A bola sobrou livre para Fábio Júnior, que fez 1 a 0.
A partir daí, o América ficou todo atrás. Foi seu erro. Jogou apenas no contra-ataque, enquanto o Atlético, com certo desespero, porque alguns jogadores não seguiam fielmente o que foi traçado taticamente, deixando seus espaços no campo, foi à frente. A proposta era tudo ou nada, jogando pela esquerda. Na pressão, usou quatro atacantes. André, até então isolado, passou a ter a companhia de Danilinho, Guilherme e Neto Berola. Além do lateral Marcos Rocha e do armador Escudero. Não tinha como os gols não saírem. No de empate, a bola sobrou livre para Guilherme na esquerda e ele chutou rasteiro. No da virada, também pela esquerda, Escudero cruzou, a bola passou pela área e do outro lado Marcos Rocha estava presente para completar de cabeça, empurrando para as redes.
Impossível não deixar de fazer alguns questionamentos. Foi justa a virada do Galo? Não há o que contestar, apesar de um futebol nada empolgante. O América perdeu a invencibilidade, mostrando que sua carência está justamente do meio-campo para a frente e que o técnico necessita, com urgência, arranjar um lugar para Kaio. Não se justifica mais ele começar os jogos como reserva.
Agora, o lado triste de toda a história: um clássico, com poucos torcedores e fraco futebol, mostra que estamos, com a atual fórmula, em uma competição falida. Ou há mudanças ou então a tendência é vermos o barco afundar, numa viagem sem volta.

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