Antônio Melane - Estado de Minas
Paulo Galvão - Estado de Minas
Publicação:05/03/2012 09:47
A parceria comercial firmada entre a empresa que venceu a licitação para administrar o Estádio Independência e o Atlético foi mote para provocação entre as torcidas ontem, antes do clássico na Arena do Jacaré, pela quinta rodada do Campeonato Mineiro. Enquanto os americanos atacavam a direção do Galo, os atleticanos enalteciam o acordo que dá ao clube alvinegro direito a 45% dos resultados líquidos sobre os valores arrecadados no Horto, espaço cedido pelo Coelho aos Estado por 20 anos.
“P...que p..., é o maior idiota do Brasil, Kalil”, gritava a torcida do mandante, referindo-se ao presidente do clube adversário, Alexandre Kalil, cujas declarações iniciais sobre o contrato não foram bem digeridas pelos rivais históricos.
Os atleticanos, porém, tripudiaram com a situação: “Ah, é sem estádio” e “Aha, uhu, o Independência é nosso”.
O clima de rivalidade entre as torcidas ficou só na guerra verbal. A proibição de atleticanos entrarem com camisas do clube pelo acesso principal da Arena do Jacaré foi respeitada e nenhum incidente foi registrado.
Nas cadeiras logo abaixo das cabines de imprensa, o único problema foi um atleticano à paisana, descoberto pelos adversários. A Polícia Militar foi rapidamente acionada e pediu ao torcedor que se retirasse do local, indo para o espaço reservado aos alvinegros.
Pouca gente
Para o clima de tranquilidade contribuiu o pequeno público presente àquele que já foi chamado de “Clássico das Multidões”. Com ingressos a R$ 30, transmissão ao vivo pela TV aberta, um calor infernal (28°) e a distância de Belo Horizonte a Sete Lagoas (70 quilômetros), poucos americanos e atleticanos se dispuseram a comparecer à Arena do Jacaré. (PG)
Vitória que veio da alma
A vitória sobre o América deixa o Atlético líder isolado do Mineiro, no qual passa a ser o único time invicto. Porém, diante das dificuldades encontradas, ainda mais contra uma equipe que jogou com um atleta a menos desde o fim do primeiro tempo, a torcida ainda está desconfiada. O técnico Cuca reconheceu que o time não esteve bem no segundo tempo, mas enalteceu o triunfo, tão importante para atingir o objetivo de terminar a primeira fase do Estadual em primeiro lugar.
“Às vezes, você vence com base na qualidade. Hoje (ontem), foi com a alma. Os jogadores estão de parabéns”, afirmou o treinador, fazendo questão de destacar a campanha irretocável do alvinegro. “Temos a melhor defesa (ao lado do Boa, ambos com dois gols sofridos) e um dos melhores ataques (12 gols, um a menos que o América). Estamos crescendo, ganhando confiança, e passando isso para o torcedor.”
Segundo ele, sua equipe permitiu ao adversário crescer, mesmo com um jogador a menos. “Jogamos muito no primeiro tempo, mas pecamos nas finalizações. Depois, mesmo com um a mais, deixamos o adversário encaixar um contra-ataque e abrir o placar. Eles ainda criaram outras chances, pois nos desorganizamos, demos espaço. Felizmente, nosso volume de jogo cresceu e conseguimos mais uma vitória”, argumentou.
Planos
Hoje, os jogadores do Galo poderão comemorar a vitória de folga. A partir de amanhã, porém, todos já começam a se preparar para pegar o Nacional-NS, novamente em Sete Lagoas, pela sexta rodada. A equipe não poderá contar com o volante Pierre, que recebeu o terceiro cartão amarelo e cumprirá suspensão.
No jogo de ontem, Cuca decidiu pôr Serginho no lugar do titular, que já havia sido advertido e corria o risco de ser expulso. Para sábado, porém, ele não confirma a manutenção do volante, destacando que tem também Fillipe Soutto para substituí-lo. Uma coisa é certa: o treinador quer uma equipe bem mais compacta. (PG)
Criticados dão a volta por cima
A vitória, de virada, foi sofrida, como manda a tradição do Atlético. Os gols só saíram nos minutos finais e foram marcados depois de jogadas criadas muito mais com transpiração que com inspiração. Quis o destino que os autores fossem jogadores que vinham sendo criticados. Um por ainda não ter retribuído o alto investimento em sua contratação, o atacante Guilherme; o outro, um prata da casa que ainda luta para se firmar no time profissional, o lateral-direito Marcos Rocha.
Para ter o artilheiro, revelado pelo Cruzeiro, o Galo pagou 6 milhões de euros (cerca de R$ 14 milhões) ao Dínamo de Kiev, da Ucrânia, há um ano. Além de demorar a se readaptar, ele foi vítima de contusões e não conseguiu se firmar em 2011. Este ano, depois da pré-temporada, disse estar pronto para corresponder, o que ainda não havia ocorrido.
“Fico feliz por ter marcado, principalmente por ter ajudado a equipe não só no jogo, mas também na competição, que está em momento importante. É a confirmação do trabalho e isso me dá confiança para seguir em frente”, disse Guilherme, que fez apenas seu terceiro gol com a camisa alvinegra, mas que ajudou o Galo a se isolar na liderança do Estadual e acabou com o jejum do jogador, que se iniciou em 17 de agosto, quando marcou na derrota por 3 a 2 para o Corinthians, em Ipatinga, pelo Campeonato Brasileiro. Por isso, ele o dedicou à filha, Giovanna, de um ano e 10 meses. “Ela já está grandinha e, agora, finalmente, pôde gritar ‘gol do papai.’”
Em casa
Já Marcos Rocha voltou ao clube este ano, depois de duas temporadas emprestado justamente ao América. O jogador ganhou a condição de titular depois que Carlos César fraturou o nariz, mas ainda luta para mostrar que merece continuar usando a camisa 2 do Galo.
Ontem, chegou a ser vaiado, mas, no fim, pôde sorrir. “Estou muito feliz, pois vinha sendo cobrado. Errei muito, até porque sou um jogador que gosta de participar bastante do jogo. Temos de enaltecer a garra da equipe, que não se entregou em nenhum momento”, declarou o lateral, que é de Sete Lagoas e contou com o apoio de familiares no estádio.
O resultado está sendo muito comemorado, mas ele sabe que ainda há muito a ser feito. “Fui criado no Atlético e conheço essa torcida. Sei que ela cobra muito, como cobrou. Mas também sei que ela sabe reconhecer nosso esforço, tanto que nos aplaudiu no final”, argumentou.
Apesar da vitória, Marcos Rocha reconheceu que o Galo não apresentou bom futebol. “Tentamos fazer o gol de qualquer jeito e isso complicou. Quando começamos a tocar a bola e fazer nosso jogo, conseguimos o resultado e a liderança isolada do Mineiro.” (PG)
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