quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

No Atlético, goleiro Velloso ficou atrás apenas dos ídolos João Leite e Kafunga


Em 2002, como capitão do Galo

Encontro de ídolos: Velloso e J. Leite

Camisa 1 de 1999 a 2004 é o terceiro maior goleiro do clube em número de jogos
Thiago de Castro - Superesportes
Publicação:21/02/2012 09:30
Atualização:21/02/2012 14:04
Os últimos anos foram de rotatividade no gol do Atlético. Danrlei, Juninho, Edson, Fábio Costa, Carini e outros tentaram se firmar na meta alvinegra mas não agradaram. Jovens como Bruno ou Diego poderiam ter conquistado maior sequência mas foram negociados. O último camisa 1 a virar ícone do clube por um período maior foi Velloso.
Não é por acaso que Velloso é dono de uma marca de respeito. Na frente de ídolos como Mão de Onça, Ortiz, Mussula e Taffarel, ele é o terceiro que mais defendeu o Galo. Foram 231 partidas e 274 gols sofridos.
“Foi bastante importante e gratificante ser reconhecido em Minas como grande ídolo do clube. Tinha muito tempo de Palmeiras e precisava reconquistar o torcedor. Um clube como o Atlético, com a torcida que tem, fiquei cinco anos e conquistei a confiança da torcida. O Taffarel tinha deixado o clube há pouco tempo. E acredito que consegui fazer o meu nome também”, afirma Velloso ao Superesportes.
Apenas João Leite e Kafunga defenderam mais a meta alvinegra do que Velloso. O primeiro fez 684 partidas, com 453 gols sofridos, entre 1976 e 1992, período não seqüencial. O segundo jogou 335 vezes e foi vazado com 430 tentos, entre 1935 e 1954.
Velloso foi o responsável por comandar a defesa entre 1999 e 2004, quando deixou o Atlético após lesões em um dos ombros e assinou com o Atlético de Sorocaba-SP, antes de se aposentar.
Desde que deixou o clube, nenhum outro goleiro se firmou por um período tão grande no Galo. Hoje, a missão de fechar o gol é do jovem Renan Ribeiro.
“Sempre acompanhei o Atlético desde que deixei o clube. Hoje vejo o Renan bem no clube. Começou muito bem, teve algumas oscilações e agora tem tudo para se firmar novamente”, analisa Velloso.
A posição de goleiro é completa, na opinião do ídolo atleticano. “É uma posição difícil. Você vê que, no Brasil, a renovação é demorada. Os grandes goleiros, como Rogério Ceni e Marcos, continuam jogando até quase 40 anos. É difícil apostar em um jovem sem experiência”.
Boas lembranças de Belo Horizonte
Velloso foi contratado em 1999. No início daquela temporada, ele havia se machucado no Palmeiras, abrindo o caminho para Marcos se firmar como titular com grandes atuações na Copa Libertadores daquele ano, que culminaram no título.
“Fiquei cinco meses parado em recuperação. Quando voltei, o meu contrato estava vencendo. Acabei recebendo propostas do Atlético e do Vasco. Assinei rapidamente com o Atlético, após receber uma ligação do Bebeto de Freitas e me reunir com ele”, recorda.
No Palmeiras, Velloso havia deixado o seu nome marcado, com títulos importantes conquistados, como Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Mercosul e Estaduais. Ele é o quinto camisa 1 que mais defendeu o clube, atrás apenas de outras lendas: Leão, Oberdan, Valdir de Morais e Marcos.
No Atlético, ele começou a construir a sua história de forma positiva, com ótima campanha no Brasileirão de 1999. “Cheguei com a montagem do time sendo feita. Não sabíamos se ia dar certo. Claro que a expectativa era sempre de fazer uma boa campanha. Mas chegar até a final foi muito bom e um pouco surpreendente”.
As fases finais do Brasileiro, quando o Galo eliminou Cruzeiro e Vitória, ficaram na memória de Velloso. “As festas que nós vaziamos após as partidas eram inesquecíveis. Reuníamos em uma chopperia. Eram atletas, diretoria e torcedores juntos. Comemorávamos cada classificação. O torcedor cantava o hino e todos cantavam juntos. Era uma confraternização muito legal e uma união grande”, conta.
Na final, no entanto, o título ficou com o Corinthians. “Era um grande clube. No ano seguinte, conquistou o título Mundial também”, lembra Velloso. No primeiro da decisão, ele ficou fora por suspensão de cinco cartões amarelos. Kleber foi o seu substituto e o goleiro titular assistiu ao jogo de uma cabine do Mineirão (ver vídeo abaixo).
Como treinador, confronto contra o Galo adiado
Velloso iniciou a temporada 2012 como treinador do Cene, do Mato Grosso do Sul. O antigo goleiro alvinegro poderia reencontrar o Atlético na primeira fase da Copa do Brasil. No entanto, ele já deixou o comando da equipe sul-mato-grossense.
“Por uma contenção de despesas, eles demitiram um auxiliar técnico meu e, por ética, eu achei melhor sair também. Mas eu estava na expectativa de enfrentar o Atlético”, explica.
A carreira de treinador foi iniciada em 2008. “Fiz curso de educação física e me preparei com estágio com grandes treinadores, como Felipão e Antônio Lopes. Sempre procurei absorver o melhor de nomes como eles, Leão e Luxemburgo”.
Além do Cene, Velloso já treinou equipes como América-SP, Paraná e Mogi Mirim. “O início de carreira é difícil. Às vezes, você tem condições ruins de trabalho. Não tem condição de indicar nenhum atleta porque não há dinheiro para investir. Você precisa trabalhar muito, para formar um time, fazer trabalhos técnicos e táticos. Mas é bom para amadurecer”, reflete.

Nenhum comentário: