sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pimenta no caldeirão

Patric é o primeiro a ser desligado do Atlético, depois de atuações críticas que levaram a equipe à zona do rebaixamento. Cuca diz que já avaliou o grupo para fazer os cortes
Paulo Galvão - Estado de Minas
Publicação:19/08/2011 07:00
Como interromper a queda livre do Atlético no Campeonato Brasileiro? Essa é a pergunta que o técnico Cuca deve estar se fazendo desde que assumiu o comando da equipe alvinegra, há 11 dias. Pelo que se viu na derrota por 3 a 2, de virada, para o Corinthians, na noite de quarta-feira, pela 17ª rodada, a resposta definitiva ainda está longe, mas o treinador já começou a se mexer para encontrá-la. A paciência da torcida, que ontem fez protesto pacífico na sede do clube, em Lourdes, passou do limite.
Além de apostar em jovens valores, como o volante Fillipe Soutto e o armador Bernard, o treinador quer sacudir o grupo não só com palavras, mas com atitudes. Ontem, o clube anunciou que o lateral Patric não faz mais parte dos planos. Outros podem seguir o mesmo caminho. O armador Daniel Carvalho e o atacante Mancini, por exemplo, não vêm sendo relacionados para as partidas. Já o volante Pierre, emprestado pelo Palmeiras, começou a treinar ontem com os novos companheiros, devendo ser apresentado hoje, se tornando opção possivelmente dentro de duas rodadas. Seu nome já foi inscrito na Federação Mineira de Futebol e o clube espera agora publicação no Boletim Informativo Diário (BID), da CBF.
O prazo para implementar todas as mudanças está definido: “Já tenho análise profunda do grupo, do que necessitamos, de repente dar uma enxugada (diminuir o número de jogadores). Vamos esperar acabar o primeiro turno para fazer isso com calma, com bastante tranquilidade. De cabeça quente você não toma a medida certa”, afirmou Cuca, ainda no vestiário do Ipatingão, na madrugada de ontem. Depois da derrota por 3a 0 para o Coritiba, domingo, na capital paranaense, ele havia garantido que afastaria quantos jogadores fossem necessários para o trabalho gerar resultados.
Mudar peças pouco depois de chegar a um clube não é novidade para Cuca. No segundo semestre de 2009, ele salvou o Fluminense do rebaixamento, ao afastar sete jogadores: o goleiro Fernando Henrique, o atacante Roni, o lateral-direito Ruy, o lateral-esquerdo Paulo César, o zagueiro Luiz Alberto (capitão) e os volantes Fabinho e Wellington Monteiro. Em 25 jogos, obteve 14 vitórias, oito empates e sofreu três derrotas.
TÍTULO? Apesar das três derrotas nos três jogos em que comandou o Atlético – também perdeu para o Botafogo, pela Copa Sul-Americana – e de admitir deficiências da equipe, Cuca continua otimista. “Tenho bem claro na minha cabeça quais são nossas necessidades, em todos os sentidos, para que a gente possa tentar fazer um bom segundo turno, para buscar o título do segundo turno”, disse ele, que costuma usar a expressão “mexer a água” para se referir a mudanças que mexam com o grupo .
Enquanto trabalha para recolocar o time no bom caminho, a diretoria vai decidir o que fazer com os atletas que não forem mais utilizados. Patric, por exemplo, teve 50% dos direitos adquiridos por 1 milhão de euros (cerca de R$ 2,25 milhões à época). Como tem contrato até dezembro de 2014, o mais provável é que o clube tente negociá-lo em definitivo ou por empréstimo. Ele fez mais seis jogos com a camisa alvinegra e não pode mais atuar por clubes brasileiros das séries A e B.
Mas antes de definir quem sai, Cuca tem de pensar quem enfrentará o Botafogo, amanhã, às 18h, no Engenhão. Se não terá o zagueiro Réver, suspenso, voltam o zagueiro Leonardo Silva e o volante Serginho, livres de suspensão, e os atacantes André e Neto Berola, recuperados de contusão.

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