sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Craques na berlinda

Recebidos com festa no ano passado, o cruzeirense roger e o atleticano Diego Souza não corresponderam à expectativa e nem no banco ficaram na estreia no Estadual
Eugênio Moreira - Estado de Minas
Ludymilla Sá - Estado de Minas
Publicação:01/02/2011 07:00
Eles desembarcaram em Belo Horizonte no ano passado como grandes reforços, recebidos festivamente por suas torcidas. Encarados como solução para um problema crônico no futebol brasileiro – a carência de um camisa 10 –, estrearam sob grande expectativa. Se o futebol não foi o ideal nos primeiros jogos, a justificativa de que precisavam de tempo para se adaptar persistiu por longo tempo. Meses depois, já eram motivo de desconfiança. E hoje, se saírem, não deixarão muitas saudades.
Ambos cariocas, o cruzeirense Roger e o atleticano Diego Souza, por motivos diferentes, nem ficaram no banco domingo, na primeira rodada do Campeonato Mineiro. Jogadores de técnica indiscutível, lutam para se firmar novamente em um time de ponta. Que pode ser fora das divisas de Minas.
Na Toca da Raposa, a permanência de Roger ficou difícil depois das declarações que deu na segunda-feira da semana passada, reclamando publicamente por iniciar a temporada na reserva. “Fui o único que não tive a posição mantida”. O armador questionou o trabalho de Cuca, por ter o técnico anunciado Montillo e Gilberto como os titulares. “Se fosse treinador, não colocaria ninguém como titular absoluto, porque todos aqui têm qualidade.”
A reação foi imediata. No dia seguinte, Cuca mandou seu recado: “No grito, não vai”. No domingo, repetiu que conversou duas vezes com Roger, explicando sua opção e ouviu do jogador que dessa maneira “não servia”. Gilberto também rebateu as declarações do companheiro: “Nunca reivindiquei titularidade em lugar nenhum”.
O que ambos temiam ocorreu domingo na Arena do Jacaré. Quando o time não estava bem no primeiro tempo, a torcida passou a gritar o nome de Roger, que nem no banco estava, por ter reclamado de contusão na coxa no treino de quinta-feira. Depois da vitória sobre a Caldense, Gilberto, mais duro nas críticas, falou em falta de caráter do companheiro.
Com a briga de Carlos Alberto com o presidente do Vasco, Roberto Dinamite, surgiu a possibilidade de troca entre os dois armadores. Roger foi liberado pela diretoria celeste para conversar com dirigentes vascaínos sobre sua transferência, mas, ontem à tarde, ainda treinava na Toca da Raposa com os demais jogadores não relacionados para a partida em Sete Lagoas. A negociação somente deverá ser fechada depois de o clube carioca definir o nome do novo treinador, que terá de aprovar a negociação.
Assim, Roger, aos 32 anos, pode deixar o Cruzeiro pela porta dos fundos. Contratado em fevereiro do ano passado, depois de duas temporadas no Catar, precisou de 15 dias para estrear. Seu primeiro jogo foi dos mais auspiciosos. No clássico contra o Atlético, pela primeira fase do Estadual, no Mineirão, entrou no segundo tempo com o jogo empatado por 1 a 1. Em seu primeiro lance, fez milimétrico lançamento a Thiago Ribeiro, que chutou para fora. No segundo, cobrou escanteio na cabeça de Leonardo Silva, que fez o segundo gol celeste. No terceiro, fez ele mesmo o terceiro, em belo chute de fora da área.
PROBLEMA FÍSICO Diego Souza, de 25 anos, começou 2011 diferentemente de como terminou 2010. Titular contra o São Paulo, na última rodada do Campeonato Brasileiro, nem foi relacionado para a estreia no Estadual, diante do Funorte, em Montes Claros, apesar de ter atuando no amistoso contra o River Plate-URU, quatro dias antes, na Arena do Jacaré. A ausência foi motivo de especulações. Afinal, contratado em junho do ano passado para solucionar a carência da camisa 10 alvinegra, mais decepcionou do que correspondeu às expectativas.
Eleito craque do Brasileiro de 2009 pelas boas atuações no Palmeiras, Diego Souza foi anunciado como reforço atleticano em 30 de junho pelo presidente atleticano, Alexandre Kalil, via Twitter. Ganhou status de estrela, ao receber da diretoria a camisa 1 e ser considerado a principal contratação alvinegra. Recebido com festa no aeroporto pela massa, demorou a estrear, pois precisava entrar em forma, segundo o técnico Vanderlei Luxemburgo.
O armador estreou na vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-GO, na Arena do Jacaré, em 14de julho, substituindo Diego Tardelli no segundo tempo. Desde então, embora titular na maioria das partidas, teve fugazes momentos de brilho, frustrando os torcedores. Ainda assim, segue nos planos de Dorival Júnior.
No início do ano, o Atlético recebeu de um clube europeu proposta de 500 mil euros (mais de R$ 1 milhão) por quatro meses de empréstimo do jogador. Kalil recusou. Depois do triunfo sobre o Funorte, Dorival Júnior fez questão de pôr fim às especulações, dizendo que o problema de Diego Souza ainda é físico. “Nós ainda faremos um trabalho à parte. Ele voltou em situação um pouco diferente. Vamos ter paciência para que o coloquemos em reais condições, para que ele faça realmente um grande ano. Não quero Diego para uma partida, quero para o ano todo. Por isso é necessário um trabalho.”

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