terça-feira, 6 de dezembro de 2016
06/12/2016 14h11 - Atualizado em 06/12/2016 14h21
Joel Santana já viveu difícil situação
de Giacomini e vê Galo com chances
"É um time grande, de camisa", destaca "Papai Joel" que, em 2000, assumiu o
Vasco antes da finalíssima da Copa Mercosul e conseguiu ser campeão
Por Rafael AraújoBelo Horizonte
Imagine ser chamado para comandar um time às vésperas da decisão de título, na casa do adversário e, ainda, precisando reverter a vantagem do rival. Situação atípica que está sendo vivida por Diogo Giacomini, técnico interino do Atlético-MG. Ele assumiu o clube no lugar de Marcelo Oliveira, demitido após perder por 3 a 1 para o Grêmio, no primeiro jogo da final da Copa do Brasil. Para conquistar o bicampeonato, o Galo precisará vencer o Tricolor gaúcho, nesta quarta-feira, às 21h45 (de Brasília), em Porto Alegre, por dois gols de diferença para levar a decisão aos pênaltis, ou por três gols para de vantagem ficar com a taça. O caso de Giacomini, no entanto, não é inédito no futebol brasileiro.
Em 2000, Joel Santana assumiu um dos maiores desafios da carreira. Foi contratado pelo Vasco antes da finalíssima da Copa Mercosul, contra o Palmeiras, e teve pouco tempo para mexer no time. A decisão da competição internacional era na melhor de três jogos. Como os cariocas venceram o primeiro embate, e os paulistas levaram o segundo confronto, quem ganhasse o terceiro duelo levava o título da disputa, que hoje seria equivalente à Copa Sul-Americana.
Joel foi contratado como substituto de Oswaldo de Oliveira, demitido antes da terceira partida, marcada para a casa do adversário. Diante de um Palestra Itália lotado, o treinador vascaíno viu o time paulista abrir 3 a 0 no primeiro tempo. Apesar de não ter muito tempo para trabalhar, usou a experiência de "Papai Joel" para buscar a reação e o título, virando o jogo para 4 a 3 na segunda etapa e levantando o troféu .
Sem a experiência de Joel, Diogo Giacomini tem a vantagem de conhecer bem o elenco atleticano, pois já treinou o time interinamente em 2015 e também comanda a base do Galo. As dificuldades de substituir um técnico entre duas decisões são grandes, e Joel Santana dá a dica para o jovem treinador alvinegro ir bem na quarta-feira.
- Difícil você ir para uma final de uma competição internacional importante, com título, que marca a vida de um clube. Você tem que ir para a decisão com muito conhecimento dos jogadores, ter uma situação tática definida e torcer para que as coisas darem certo, daquilo que você vai fazer e pretende fazer - disse o técnico veterano.
Sem muito treino, o segredo é conversar com os jogadores. No entanto, o teor do papo não pode ser revelado. É um segredo de vestiário, afirma Joel, lembrando a dificuldade que enfrentou há 16 anos.
- É difícil falar em público, porque tem coisas que são de bastidores, que você conversa no pé do ouvido, que ficam guardadas para os jogadores. Mesmo com a dificuldade de ter pouco tempo de trabalho, nós tínhamos dois estilos de jogo já na nossa mente para colocar na partida se as coisas não dessem certo.
Como o Atlético-MG perdeu de 3 a 1 a ida, pode fazer 3 a 1 perfeitamente. É um time grande, de camisa, de história. É ver como os jogadores vão se comportar e a maneira de o Atlético jogar
Joel Santana
Atualmente sem clube, Joel Santana assistiu ao primeiro duelo entre Atlético-MG e Grêmio, no Mineirão, e apontou a defesa atleticana como vilã na derrota por 3 a 1. Ao destacar a força do Galo, o treinador vê o time mineiro em condições de devolver o placar e ser campeão no Sul.
- Eu assisti ao jogo. É difícil de analisar, porque não sei como o Atlético vai entrar agora. Eu acho que a defesa falhou bastante no último jogo. É um jogo de 180 minutos. Como o Atlético perdeu de 3 a 1 a ida, pode fazer 3 a 1 perfeitamente. É um time grande, de camisa, de história. É ver como os jogadores vão se comportar e a maneira de o Atlético jogar, porque da forma como ele jogou em Belo Horizonte, não pode sustentar. Em uma competição não se perde jogo dentro de casa - completou a análise. (A partida da volta seria realizada na semana passada, mas foi adiada em função do acidente com a Chapecoense. Esta reportagem foi feita antes da tragédia - por isso, o entrevistado não a cita)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário