Ex-ala foi campeão brasileiro e mundial com a camisa 5 alvinegra, no histórico time do fim dos anos 90; hoje ele vive em Fortaleza e cuida de projeto social
Thiago de Castro - Superesportes
Publicação:29/11/2011 09:30
Atualização:29/11/2011 09:38
No dia 8 de agosto de 1999, o Mineirinho foi palco do recorde mundial de público de uma partida de futsal. O time do Atlético, no seu auge, era visto por 25.713 olhos alvinegros. Manoel Tobias brilhou na quadra e ajudou o Galo a conquistar a Liga Futsal.
“Para mim, todos os momentos dentro do Atlético foram importantes. Fazer parte da história do clube, da forma que foi, é muito bom. Ganhar a Liga Futsal de 1999, com dez equipes que poderiam ser campeãs, foi demais. Acredito que foi uma das mais difíceis de todos os tempos. A maioria desses jogadores depois foram para fora, no futebol europeu”, destaca o ex-ala.
O Atlético venceu o Rio de Janeiro por 5 a 4. Manoel Tobias marcou uma vez e criou a jogada de outros dois gols. A primeira partida, fora de casa, também havia terminado com vitória alvinegra, por 5 a 3.
O camisa 5 do Galo foi o artilheiro da Liga Futsal com 52 gols, o que representa um recorde até hoje não batido. Ao lado de outros craques, como Rogério, Euler, Lenísio, Índio, Falcão e Piu, Manoel deixava o seu nome cravado na história do clube.
“O Atlético, nos dois anos que joguei, eu guardo com todo carinho. A torcida sempre nos recepcionou bem em todos os lugares de Belo Horizonte. Até mesmo torcedores do Cruzeiro e América nos respeitavam, pelo o que a gente produzia. Isso não tem dinheiro no mundo que pague. Tenho muita saudade daquela fase que ficou na história. Agradeço a Deus por ter me permitido vivenciar aquilo”, afirma.
No ano anterior, Manoel Tobias também ajudou o Galo a conquistar o mundo. O time do técnico Miltinho foi campeão da Copa Intercontinental, ao bater o Dínamo Moscow, na Rússia, em três finais. Como se não bastasse, ele ainda ganhou dois Mineiros.
O antigo ala, considerado por muitos o melhor jogador da história, defendeu também clubes como o Internacional, Vasco (em 2000, após deixar o Atlético), Jaraguá, além de jogar no futsal espanhol. Pela Seleção Brasileira, foram vários títulos de destaque, como o Mundial de 1996.
Em 2000, Manoel foi campeão da Liga justamente contra o Atlético, na final. O Galo poderia ter conquistado o tricampeonato, já que havia levantado o caneco em 1997 – neste ano, sem o ala direita. O craque do time, no primeiro título, era Vander Carioca.
Vida hoje: projeto social em Fortaleza
Manoel Tobias, aos 40 anos, cuida hoje do seu projeto social, em Fortaleza, onde mora. O Manoel Tobias Futsal Sesc trabalha com crianças e adolescentes, com a inclusão social através do esporte.
Confira a entrevista completa com o craque do futsal:
Você nasceu em Salgueiro, interior de Pernambuco. Por que escolheu Fortaleza para morar?
Desde que eu comecei a jogar profissionalmente, eu já tinha essa meta na cabeça. Minha esposa é daqui, assim como os meus filhos. É uma terra que me apaixonei. Quando parei, em 2007, já viemos para Fortaleza.
Além do futsal, você se dedica a algum outro segmento profissional?
Nós somos do segmento de calçados. Temos três lojas em Fortaleza. Esse sonho nasceu da minha esposa.
Qual a importância do Manoel Tobias Futsal Sesc para você?
É fundamental. O esporte hoje é uma ferramenta importante para preencher o ócio dessas crianças e adolescentes, de 8 a 20 anos de idade. É oportunizar e disponibilizar caminhos para eles. Sou idealizador, coordenador e gestor do projeto. Além da parceria com o Sesc, temos parcerias como faculdades, que contribuem, disponibilizam bolsas para eles, alémm de parceiros importantes como um colégio particular. São 24 bolsas de estudos. Em 18 de fevereiro, completaremos cinco anos de projeto.
Você ajuda crianças com dificuldade. No seu início de carreira, você teve que vencer muitos desafios?
Era dificuldade total. Você tinha que buscar tudo mesmo. Tive momentos que não tinha o básico, como passagem de ônibus e material para treinar. Eram doações de amigos, familiares, professores que ajudavam. Foram dificuldades. O esporte me ensinou o fundamental, que é ser um bom cidadão. O esporte é assim mesmo, você matar um leão por dia. Agradeço a Deus por essa fase que passei no início para manter o pé no chão quando chegou a questão do auge. O mais difícil não foi chegar na Seleção com 14 anos, servir o país. Difícil foi permanecer por 14 anos, todo dia e todo ano, mostrando dedicação. O esporte me deu momentos inesquecíveis.
Por que você acha que muitas equipes de futsal, no Brasil, duram tão pouco tempo, como foi o caso do Atlético?
O futsal ainda não tem essa tradição aqui. Só o Carlos Barbosa mantém 20 anos de existência. As outras equipes passam por uma fase de três anos e terminam. Já o futebol espanhol e italiano sim, consegue ser mais tradicional, nessa questão. Acho que as empresas que vêem no futsal um produto vendável, entram na onda para divulgação da sua marca. Malwee é um exemplo, que entrou em 2001 e terminou no ano passado. Em dez anos, conseguiram atingir as metas estipuladas e, a partir daí, pararam.
Na sua opinião, qual foi o auge da sua carreira?
Acho que todos os momentos foram importantes. Cada momento me ajudou a crescer, a ganhar experiência. Tive momentos marcantes, como no Atlético, Internacional e Vasco da Gama. Tive o privilegio de ser campeão em três times de camisa e massa. Foram momentos marcantes. Já parei há cinco anos e as pessoas me param na rua, lembram e falam de coisas que até mesmo eu esqueci. O legado é o mais importante, quando você sai bruscamente da mídia e passa a ser não muito perseguido. Quando eu parei, achava qeu isso aconteceria e está sendo o contrário.
Para muitos jogadores, o grande ídolo é você. Mas quais são os grandes atletas que você também admira no futsal?
Puxa, como é difícil responder isso. Por posição, Serginho, Bagé, Franklin, Lavoisier, Tiago, no gol. Pivô, cito Ortiz, Lenísio, Jorginho, Chôco. Alas, Fininho, Falcão, Vinícius, Fabinho, Jackson, grande desbravador e também foi o melhor do mundo na década de 80. Fixo, Raul, Paulo Nunes, Schumacher, Índio, Euler. Muita gente boa. O Brasil é privilegiado. Deus colocou a mão aqui e falou que não seria só no futebol, mas também nEm 1996, você teve uma passagem pelo Grêmio, no futebol de campo. Como foi esse período?
Sou oriundo do futebol de campo. Quando comecei a jogar futsal, fazia os dois. A opção por futsal foi muito rápida. Com 16 anos, já estava jogando o primeiro campeonato profissional. Com 18 anos, o Takão me convocou para a seleção profissional. Até ali, jogava os dois. Optei pelo futsal. Com 19 para 20 anos, fui campeão mundial com a Seleção. No futebol, veio a oportunidade em 1995 para 1996. Na verdade, confesso para você que não queria ter feito essa experiência. Mas persisti, porque o pessoal falou que daria certo. O Felipão me ligou e falou que daria certo. Acredito que deu, já que joguei algumas partidas como titular e, em algumas delas, ganhei troféus de melhor em campo. Era um grande time com Paulo Nunes, Jardel e outros craques. Mas tinha o desejo de jogar o futsal de novo. Eu vi que a grande dificuldade que tive foram os anos que passei longe do futebol.
Como você vê a relação entre jogar futsal e futebol quando se é jovem, antes do profissionalismo?
Para quem quer futebol de campo, o futsal é importante. Pela habilidade, espaço curto, raciocínio... Grandes clubes de futebol poderiam usar isso para os seus garotos. Se fosse diretor de um clube de futebol, investiria em futsal na base. O Barcelona é um bom exemplo disso, que aproveita bem e mantém um estilo de jogo muito bom.o futsal, basquete, vôlei... É impressionante.
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