Como o Galo preservou a maioria dos jogadores e contratou pouco, técnico acredita que poderá montar time competitivo. Seja qual for o esquema
Paulo Galvão - Estado de Minas
Publicação:12/01/2012 07:00
A pré-temporada do Atlético ainda está bem no começo, mas os torcedores já comentam a melhor forma de o técnico Cuca armar a equipe. Como contratou apenas três jogadores – o volante Leandro Donizete e os armadores e atacantes Danilinho e Escudero –, a expectativa é de que eles cheguem para ser titulares, mas, como o time se encaixou muito bem na reta final do Campeonato Brasileiro, os remanescentes prometem brigar para se manter na equipe.
De qualquer forma, como um dos únicos titulares a deixar o clube foi o armador Daniel Carvalho, o treinador conta com uma boa gama de opções para montar a equipe. Até por isso, ele nem está preocupado sobre quem será o responsável por armar as jogadas, concentrando-se mais em ter uma “equipe de velocidade”. “O Escudero faz essa função (de armar jogadas), o Danilinho estava no México jogando assim. A gente está muito bem servido. Perde-se um pouco de posse de bola que o Daniel tinha, mas ganha-se na agudez em direção ao gol, que é a característica do Danilinho e do Escudero também”, declarou Cuca, que não descarta a chegada e/ou saída de atletas nas próximas semanas.
Entre as opções está manter no meio-campo três titulares do fim do ano passado, Pierre, Fillipe Soutto e Bernard, mais um dos novos contratados. Se quiser um pouco mais de segurança, escala Leandro Donizete. Para mais agressividade ofensiva, Danilinho ou Escudero.
Ele também pode deslocar Danilinho ou Bernard para o ataque, já que eles gostam de atuar pelos lados do campo. Com isso, poderia atuar até com três atacantes, um armador e dois volantes. “Uma das coisas que gosto no grupo que estamos montando é que podemos atuar no 4-4-2 ou 3-5-2 sem mudar os jogadores”, disse.
Para isso, o treinador aposta no trabalho de pré-temporada, que começou na segunda-feira e deve invadir as primeiras rodadas do Campeonato Mineiro, no qual o Galo estreia dia 29, contra o Boa, em Sete Lagoas. “Gosto de fazer esse trabalho de montagem de grupo e, modéstia à parte, acho que sei montar. Este ano, preservou-se a equipe e contratou-se pouco para ter uma qualidade de trabalho melhor, até porque teremos só três competições.”
Se do meio para frente a indefinição é grande, na defesa algumas posições parecem cativas. O gol, ao menos até segunda ordem, continua sob responsabilidade de Renan Ribeiro, enquanto Réver e Leonardo Silva devem continuar formando a dupla de zaga. Na lateral direita, Carlos César, além do volante Serginho, ganha a concorrência de Marcos Rocha, que volta ao clube depois de dois anos emprestado ao América. Já na esquerda, Triguinho renovou contrato e tem como concorrentes o jovem Eron e o volante Richarlyson.
Ânimo renovado Apesar de não ter a vaga garantida, quem começa a temporada bastante animado é o atacante Guilherme. Contratado em março, ele sofreu com contusões, que o impediram de corresponder dentro de campo. Agora, quer ficar longe do departamento médico para cumprir a missão para o qual foi contratado: balançar as redes adversárias. “A única vez na minha carreira que fiz uma pré-temporada de verdade foi em 2008 e, coincidência ou não, foi um ano excepcional para mim. Então, espero trabalhar firme para, junto com meus companheiros, dar muitas alegrias à torcida do Atlético”, declarou o jogador.
Explica, mas não justifica
Com três títulos da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o Atlético não tem conseguido se impor na competição. Nas últimas cinco edições, o Galinho só não foi eliminado logo na primeira fase em 2011, quando caiu logo em seguida, ao perder nos pênaltis para o Coritiba, depois de empate por 2 a 2 no tempo regulamentar.
Este ano, novamente fracassou logo no começo, em grupo que tinha Porto Feliz, Criciúma e CRB-AL. Depois de estrear vencendo os alagoanos e empatar com os catarinenses, o alvinegro voltou para casa mais cedo ao ser derrotado pelo paulista Porto Feliz, equipe de empresários, por 2 a 0.
O clube, ainda que não deseje justificar as más campanhas, tem alguns argumentos para tentar explicá-las. Uma delas é a mudança no regulamento, que proibiu a inscrição de atletas com mais de 18 anos a partir de 2010. “Temos de utilizar atletas do juvenil, que mal chegam ao júnior e já têm de jogar um torneio deste porte. Além de estarem desentrosados, não conhecem o treinador, ou seja, têm uma série de dificuldades. A organização da Copa São Paulo quer tratar todos os jogadores como fenômenos e não pode ser assim”, argumenta o gerente técnico das categorias de base alvinegra, André Figueiredo. Ele também acredita que a limitação de idade beneficia os clubes menores, que podem se preparar exclusivamente para a Copa São Paulo, enquanto os grandes têm de se dividir entre campeonatos estaduais e torneios na Europa, importantes na formação dos atletas.
Trabalho comprometido Ele ainda lembra que o próprio trabalho de revelar jogadores acaba prejudicando o desempenho da equipe. Se já não estivessem no time principal e o regulamento usasse a idade normal da categoria júnior, atletas como o armador Bernard e o volante Fillipe Soutto poderiam ter contribuído para campanha melhor: “São jogadores que estão se destacando, titulares do profissional, que certamente fariam a diferença na base. Mas muita gente não vê isso, quando formamos bons jogadores, temos o desempenho das equipes de base comprometido”.
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