
Bernard, que ainda tem idade de júnior, admite que abriu mão da infância pelo sonho de ser jogador
Diretoria do Atlético-MG elaborou programação especial para comemorar o Dia das Crianças

Mascote Galo Doido é presença certa na comemoração atleticana do Dia das Crianças
Bernardo Lacerda
Em Vespasiano (MG)
Com o time ameaçado de rebaixamento no Brasileiro, os torcedores mirins do Atlético-MG não encontram motivo para comemorar o dia das crianças, nesta quarta-feira, estampando no peito a camisa do clube. Apesar disso, a esperança de dias diferentes ainda motiva os pequenos atleticanos, que, nunca viram o time comemorar um título além do Estadual, mas garantem que a paixão é para sempre.
“Está difícil, o time não vem bem, a gente torce, tenta, mas não consegue os resultados, não dá nem para comemorar muito, ficar feliz no dia das crianças. Depois destes dois últimos jogos, o desânimo ficou maior ainda”, disse o jovem torcedor Marcelo Souza, de 12 anos, referindo-se aos empates com Ceará e América-MG, em 1 a 1 e 0 a 0.
O garoto atleticano, porém, afirma que o amor pelo clube não muda e segue esperançoso. “Não dá para desistir, fica triste, é difícil, muitos anos sem felicidades, mas o amor é grande e ainda torço para que não seja rebaixado, ainda dá para acreditar”, acrescentou Marcelo Souza, que afirma estar contando as horas para o Mineirão voltar a receber jogos do Atlético, para poder comparecer.
O momento ruim da equipe mineira é sentido pelos torcedores também no dia a dia, na escola, nas brincadeiras dos torcedores do rival Cruzeiro, cuja situação é um pouco menos incômoda, e também na família. “Me zoam muito, eu nem sei direito como responder, os cruzeirenses falam que nunca vi meu time ser campeão, mas eu vi, campeonato mineiro. Em casa meus tios que são cruzeirenses falam para mudar, mas não mudo”, contou Lucca Diniz, de nove anos.
Para tentar motivar e dar alegrias a estes pequenos torcedores que estão sofrendo ao longo do ano dentro das quatro linhas, o Atlético-MG elaborou uma programação especial para comemorar o dia das crianças, tanto nas lojas oficiais do Atlético, quanto em seus clubes sociais, com distribuição de brindes e, principalmente, a participação do mascote oficial do clube, o Galo Doido.
A loja oficial do clube mineiro, que recebe maior número de torcedores, localizada na região do Bairro de Lourdes, em Belo Horizonte, informa que as vendas estão abaixo do esperado, em se tratando da data comemorativa, mas afirma que, apesar disso, muitas crianças estão indo a loja para comprar materiais esportivos do clube alvinegro.
“Eu já pedi de presente a camisa de goleiro do galo, tenho orgulho de sair vestido com ela. Dia das crianças, aniversário, natal é hora de pedir de presente pros meus pais camisas do galo. Já tenho um tanto de outros anos guardadas”, afirmou Marcelo Souza.
Nesta quarta, os sócios dos clubes Labareda e da Vila Olímpica terão atividades recreativas com palhaços, oficinas de arte e diversos brinquedos como piscina de bolinhas, cama elástica e castelo pula-pula e terão a visita do mascote do clube mineiro, o Galo Doido, sempre presente nos jogos em Sete Lagoas e nas escolas de Belo Horizonte e que irá comparecer também, no mesmo dia no Aglomerado Cabana, na Região Oeste de Belo Horizonte.
Nas lojas oficiais, os eventos aconteceram no final de semana passado, quando o mascote Galo Doido divertiu as crianças. Nas compras acima de R$ 30 o torcedor ganhou cupons para concorrer a kit infantil do clube. Já nas aquisições acima de R$ 200 o premio é uma miniatura do mascote oficial.
Jogadores querem dar vitória de presente
O verdadeiro presente que o clube atleticano espera dar a seus torcedores, tanto mirins quanto de outras idades, será na quinta-feira, quando enfrentará o Santos, em Sete Lagoas, com grande necessidade de vitória, para seguir na luta contra o rebaixamento no Brasileiro.
“Queremos vencer o Santos, sabemos da importância deste jogo e assim dar alegria para o torcedor, quem sabe um presente para o dia das crianças, atrasado, mas para que eles tenham felicidade. Vamos batalhar para conseguir este objetivo”, disse o zagueiro Werley.
O armador Bernard, formado na base do time mineiro e um dos atletas mais jovens do elenco, lembra da sua época de torcedor do Atlético na arquibancada e reconhece querer dar felicidade para a torcida. “Perdi bastante, cheguei ao Atlético com 14 anos, perdi muita coisa da minha infância, tenho saudade”, destacou.
“Toda criança gosta de brincar, mas cheguei a um ponto que eu tinha de levar a sério o que eu queria, e consegui chegar onde queria, que era o profissional. Mas nas horas vagas dá sempre para brincar, se divertir com os amigos”, acrescentou Bernard, de 18 anos.
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