Atlético-MG aplicou R$ 28,5 milhões em contratação de jogadores em 2011, mas amarga a zona de rebaixamento
Felipe Ribeiro e Thiago Fernandes
Publicada em 19/08/2011 às 09:00
Belo Horizonte (MG)
Se o sucesso no futebol tivesse uma receita a ser seguida, provavelmente o Atlético estaria com meio caminho andado para alcançar seus objetivos. Fora de campo, o clube vem se reestruturando, honrando os compromissos financeiros, aumentando as receitas e cada vez mais melhorando a estrutura de trabalho. O problema é que dentro das quatro linhas, onde tudo se decide, o resultado está longe de ser um título expressivo.
O Galo tem investido pesado na contratação de jogadores, vencido concorrências com grandes clubes, mas na hora em que a bola rola, a grande maioria não mostra qualificação para vestir a camisa alvinegra ou não consegue se dar bem no clube. Os medalhões parecem esquecer o futebol em seus clubes anteriores, enquanto as apostas sentem a responsabilidade ou até mesmo mostram falta de capacidade.
Em 2010, chegaram 23 atletas e apenas Réver, Muriqui e Obina deram retorno. Os R$ 6 milhões aplicados em Diego Souza, Craque do Brasileirão um ano antes, não passaram nem perto de corresponder às expectativas. Daniel Carvalho, meia-atacante com status de Seleção Brasileira, lutou contra a balança e as contusões. Com isso, o máximo que o time conseguiu foi se livrar do rebaixamento na penúltima rodada do Brasileirão.
Na atual temporada, a diretoria está perto de anunciar Pierre como 20ª contratação. Já foram gastos R$ 28,5 milhões em jogadores na tentativa de reforçar o elenco. E, por incrível que pareça, o quarto maior investimento foi afastado do grupo ontem. A fatia de 50% dos direitos econômicos do lateral-direito Patric custou R$ 2,2 milhões, mas em campo, a qualidade técnica passou a léguas de distância deste valor exorbitante.
Existem boas peças no grupo, mas por outro lado, fica nítida a carência em posições fundamentais. É praticamente impossível um time ser campeão sem contar com bons laterais e um camisa 10 diferenciado. A esquerda e a direita estão tão órfãs, que os volantes Richarlyson e Serginho estão tendo de assumi-las, enquanto que a armação está nas costas do jovem promissor Bernard.
- A responsabilidade pela escolha do elenco é minha, do presidente (Alexandre Kalil) e do treinador. Que nós erramos em algumas contratações, acredito que sim. Não vamos acertar em todas. Agora, eu quero chegar lá na frente e falar que nós erramos menos e acertamos mais – disse o diretor de futebol Eduardo Maluf, há cerca de 40 dias, quando Dorival Júnior ainda era o treinador da equipe.
O pior de tudo para o torcedor é que o filme do ano passado começa a passar bem vivo no pensamento. Com 15 pontos em 17 partidas realizadas, o Galo ocupa hoje a 18ª colocação, na zona do rebaixamento. Em 2010, com esse mesmo número de jogos, o time somava 14 pontos e estava na mesma posição na tabela. Acorda, Galo!
Contratações do Atlético em 2011:
Guilherme – R$ 14,5 milhões
André – R$ 4,9 milhões
Dudu Cearense – R$ 2,5 milhões
Patric – R$ 2,2 milhões
Richarlyson – R$ 1,5 milhão
Toró – R$ 750 mil
Guilherme Santos – R$ 680 mil
Wesley – R$ 500 mil
Jonatas Obina – 500 mil
Jobson – R$ 300 mil (já deixou o clube)
Gilberto – R$ 200 mil
Magno Alves – sem custos
Leonardo Silva – sem custos
Giovanni – sem custos
Luiz Eduardo – sem custos
Lee – não revelado
Mancini – sem custos
Marquinhos Cambalhota –
Caio –sem custos
Pierre – sem custos
TOTAL: R$ 28, 53 milhões
Opinião dos especialistas
Por que os investimentos do Atlético não condizem com as campanhas em 2010 e 2011 no Brasileirão?
MAURÍCIO MIRANDA
TV Horizonte
O Atlético foi um dos clubes que mais investiu em contratações na atual e na última temporada. Porém, agiu de forma errada. Não bastasse a aposta em jogadores fracos tecnicamente, o clube apostou na recuperação de medalhões como Diego Souza, Mancini e outros. Fora isso, cometeu o grande erro de negociar atletas que faziam a diferença, como Obina, Tadelli e Muriqui.
LÉO GOMIDE
Rádio Minas/Estadão/ESPN
Poucas contratações foram de atletas que chegaram com status de titular. Posso citar Diego Souza, Réver, Leonardo Silva e Richarlyson. As demais, nomes que vieram como apostas e não renderam. Não adianta trazer jogador renomado quando aqueles que "carregam o piano" não fazem a retaguarda de forma eficiente.
VICTOR MARTINS
Portal iG
Em 2010 por tentar montar o time durante o Brasileiro, já em 2011 por fazer apostas erradas, como pagar R$ 2,2 mihões no Patric e abrir mão de jogadores importante, como Diego Tardelli e Diego Souza para apostar em Caio e Cambalhota, que nada ajudaram até agora.
MÁRIO MARRA
Rádio Globo/CBN
Não dá para explicar. Mas o pânico do torcedor e da diretoria de ser rebaixado prejudica. Falta planejamento e ser sincero também, chegar e assumir que não tem time e que vai demorar a ganhar, porque aí vai às compras na correria, gasta muito dinheiro e traz jogadores caros e fora de forma.
FÁBIO PINEL
Band/MG
Não adianta fazer uma grande quantidade de contratações se não houver a qualificação das mesmas. É preciso concentrar o investimento em quem faz a diferença, o que não foi o caso dos dois últimos anos.
BERNARDO LACERDA
UOL
O Atlético contrata mal. A diretoria troca a qualidade por quantidade em muitos casos. Os problemas crônicos da equipe de 2010 seguiram em 2011, mesmo com algum investimento. O clube nao monta uma base e por isso luta contra o rebaixamento.
MARCOS GUIOTTI
Rádio Globo
É inegável que foram feitas contratações boas e contratações ruins. O time tem uma das melhores estruturas do país, mas eu não sei dizer porque as coisas não dão certo. O Atlético contrata jogadores famosos e rodados, mas não tem dado certo. Acho que é hora de modificar um pouco a política de contratações. O Coritiba, por exemplo, fez apostas e vem bem.
GABRIEL GAMA
Observatório do Esporte
Falta de planejamento e paciência. Vejo estes como os principais fatores que impediram o crescimento e a competitividade do Atlético nas últimas temporadas. O clube não proporcionou uma seqüência de trabalho suficiente para criar uma ‘espinha-dorsal’.
THIAGO DE CASTRO
Superesportes
O Atlético tem uma rotatividade de jogadores muito grande. Por isso, é normal que o time não consiga se acertar em um longo período, tanto no quesito entrosamento quanto no preparo físico. É necessário dar uma sequência.
THIAGO REIS
(Rádio Itatiaia)
As recentes contratações do Atlético se baseiam apenas em nomes, mas não na fase recente dos jogadores, como Dudu Cearense e Guilherme. Eles podem voltar a ser grandes jogadores, porém, isso leva tempo, o que o Atlético não tem. Além disso, o clube fez contratações inexplicáveis, como a do lateral-direito Patric, que é um jogador de baixíssima qualidade técnica.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário