domingo, 1 de maio de 2011

Do jeito que a massa gosta

Uma vitória de virada sobre o América, por 2 a 1, depois de atuar todo o segundo tempo com um jogador a menos, dá tranquilidade ao Galo para disputar as finais da competição
Antônio Melane - Estado de Minas
Publicação:01/05/2011 08:02
Mais uma vez, o Atlético está na final do Campeonato Mineiro. Apesar de oscilar em alguns momentos na primeira fase da competição, chega com todos os méritos graças às duas vitórias sobre o rival América, nas semifinais: 3 a 1 no primeiro jogo e 2 a 1, ontem à noite, na Arena do Jacaré. E tinha a vantagem de jogar, por ter feito melhor campanha na fase de classificação, por dois resultados iguais. Somando as duas etapas chega a 31 pontos.
O segundo triunfo, também de virada, teve um sabor ainda mais especial. Desta vez jogando com 10 no segundo tempo, devido à expulsão de Richarlyson, por reclamação, logo aos 30 segundos.
O América passou o Estadual fixo no objetivo de chegar à etapa final em uma das duas primeiras colocações para fugir do confronto nas semifinais com Cruzeiro ou Atlético. Na visão do Coelho, sua chance aumentaria muito se enfrentasse um deles na finalíssima. Mas o destino estava traçado. Teria de ser nas semifinais, já que foi o terceiro colocado. Teve o que desejava: árbitro de fora nos dois jogos para que não fosse prejudicado como no ano passado. Conseguiu alguns bons momentos e chegou a dar a impressão de que poderia vencer quando, no começo da segunda etapa, fez 1 a 0. Mas não aguentou a reação do Galo.
A explicação do experiente goleiro Flávio foi bem lógica: “Tínhamos o jogo nas mãos, com 1 a 0 e um jogador a mais. Mas fomos afoitos. Oferecemos o contra-ataque e jogar assim diante de uma equipe de qualidade como a do Atlético é suicídio. Foi duro. Não estávamos preparados para essa derrota. Queríamos muito disputar o título”. Foi, em resumo, o que disse também o artilheiro Fábio Júnior.
Mas o mais lógico foi o argumento dos atleticanos para que a 10ª vitória fosse alcançada em 13 jogos: “Quando levamos o gol, sabíamos que tínhamos força para reagir e fomos buscar o resultado com raça, ocupando os espaços. Tinha de ser assim. A gente troca a técnica pela experiência e o coração. Deu tudo certo. Estou feliz, porque há muito procurava um momento como este e fazer dois gols seguidos em clássicos contra o América (o outro foi nos 3 a 1) dá segurança para seguirmos em frente. Estava precisando muito. Acredito que o título será nosso”, destacou Serginho.
No toque de bola e nas jogadas de velocidade, o Atlético mostrou que está preparado para disputar a decisão com tudo. Mas falta ainda algo para a torcida sentir que o bicampeonato está próximo: a regularidade. Quando um time está em armação, esse é o perigo que se corre. Mais ainda quando o técnico insiste que a solução está na categoria de base, aproveitando jogadores como Fillipe Soutto, Giovanni Augusto e, no segundo tempo, também Leleu, que entrou no lugar de Magno Alves. Tal decisão exige muita atenção e há riscos. Por esse motivo, mais de uma vez, o zagueiro e capitão Réver alertou o volante Fillipe Soutto. “Você está jogando à frente da linha da bola. Não pode. Tem de dar a proteção aqui”. Também pediu para que Magno Alves e Neto Berola – este entrou ainda no primeiro tempo no lugar de Mancini, que sentiu uma fisgada na coxa – ajudassem, já que com 10 o Atlético teve de apresentar um futebol ainda mais solidário.
Impressão falsa No primeiro tempo, houve apenas alguns bons momentos, com o ataque atleticano mais eficiente. Já o América tocava a bola com segurança, graças às assistências de Irênio e principalmente Camilo. No começo do segundo tempo eles começaram firmes. O Coelho aproveitou e fez 1 a 0, gol de Luciano, depois de jogada de Sheslon pela direita. O Galo estava com 10 e a impressão era que o adversário poderia chegar ao segundo gol e pôr fogo na decisão pela vaga na finalíssima. Foi inocente. Deixou a marcação de homem a homem, com um na sobra, e levou dois gols que incendiaram de emoção o torcedor atleticano e deixaram os americanos envergonhados e o coração doído. Agora, é pensar no Campeonato Brasileiro, o que pode ser ainda pior se não buscar reforços.
O gol de empate do Galo foi marcado por Magno Alves, depois de boa jogada de Giovanni Augusto pela direita. O atacante girou e tocou à direita de Flávio. O segundo foi em jogada de velocidade: Berola recebeu e lançou Serginho, que invadiu pelo meio, praticamente sem marcação. Ele tocou com precisão e levou a massa atleticana ao delírio. A partir daí foi festa, com os alviverdes humilhados.

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