sábado, 12 de fevereiro de 2011

Saudades do Nelinho

Justamente os clubes que contaram por anos a fio com o futebol do famoso lateral-direito escalam seus times no clássico de sábado sem um especialista na posição
Eugênio Moreira - Estado de Minas
Paulo Galvão - Estado de Minas
Publicação:10/02/2011 07:00
O clássico Cruzeiro x Atlético já contou com a habilidade de um dos maiores laterais-direitos do futebol brasileiro. Nelinho defendeu a camisa celeste de 1973 a 1982 e a alvinegra de 1982 a 1987. Foram várias partidas, muitos gols e apresentações de encher os olhos de ambas as torcidas. Curiosamente, no jogo de sábado, às 17h, na Arena do Jacaré, pela terceira rodada do Campeonato Mineiro, as duas equipes não deverão contar com um jogador nato na posição que o consagrou. Na Raposa, que vendeu Jonathan para o Santos, Rômulo começou a temporada como titular, mas não agradou e, contra o Villa Nova, domingo passado, Pablo foi improvisado na posição. No Galo, a busca por um lateral-direito já dura algumas temporadas. Patric foi contratado para este ano, mas sua presença é incerta. E Rafael Cruz está vetado.
“Essa situação é reflexo de decisões tomadas, principalmente no Atlético. Um dos melhores jogadores da posição, no momento, o Mariano, esteve no clube e foi dispensado por causa de uma noitada. O Marcos Rocha foi o melhor lateral do futebol mineiro em 2010, pertence ao Atlético e foi emprestado novamente ao América”, comenta Nelinho.
Ele, no entanto, acredita que a deficiência de laterais-direitos nas duas equipes é coincidência: “Em alguns momentos, os clubes têm dificuldades em determinadas posições. Já foi assim com a lateral esquerda”. Para o ex-lateral, a solução do problema cabe aos treinadores. “Eles têm de criar um esquema de jogo que não dependa do lateral improvisado, que se preocuparia só em marcar, porque ofensivamente é mais fácil resolver o problema.”
No Cruzeiro, o técnico Cuca vai manter a improvisação de Pablo, como na vitória diante do Villa – ele treinou o tempo todo entre os titulares no coletivo de ontem à tarde, na Toca da Raposa. Na estreia contra a Caldense, Pablo começou como volante e terminou como lateral-direito, com boa atuação. Curiosamente, no ano passado, o jogador foi escalado na lateral esquerda nas cinco vezes em que foi titular, no Brasileiro. Mas garante que a improvisação não é problema para ele: “Minha posição de origem é volante, porém, já deixei claro para o Cuca que tenho facilidade em várias posições”.
Apesar da improvisação, a diretoria e o treinador negam que o clube esteja buscando reforço para a lateral direita. “Não é uma sangria desatada. Se aparecer um bom jogador para qualquer posição, não necessariamente lateral, vamos analisar. No momento, não estamos buscando ninguém para essa posição não”, avisa o presidente Zezé Perrella. “Temos o Rômulo, o Pablo, o Diego Renan, tem uma outra situação que quero trabalhar, quando o jogador não estiver machucado, mas não vou falar quem é, é volante, mas não quero falar. Tudo isso eu quero colocar em prática antes”, justifica Cuca.
IMPROVISAÇÃO Ter um jogador improvisado na lateral direita não é nenhuma novidade para o Galo. Afinal, o clube pena em busca de um atleta que se firme na posição desde 2007, quando Coelho assumiu a camisa 2 e se destacou. Desde então, passaram pelo setor especialistas como o próprio ex-corintiano, Mariano, Diego Macedo, Marcos Rocha e Sheslon, e também foram improvisados atletas como Márcio Araújo, Carlos Alberto, Élder Granja e Zé Luís.
Este ano o panorama não se alterou. O clube investiu 1 milhão de euros para ter 50% dos direitos de Patric, mas quem começou como titular foi mesmo Rafael Cruz. Como o remanescente do ano passado se contundiu logo na estreia, Patric ganhou a chance contra o Tupi, mas também acabou no departamento médico, obrigando o técnico Dorival Júnior a improvisar.
Serginho já atuou como lateral em outras oportunidades e, apesar de reafirmar sua condição de volante, diz estar pronto para ajudar, ainda mais por se tratar de um jogo da importância do clássico. “Sou funcionário do clube e, em caso de necessidade, estou pronto para contribuir no que for necessário. Nas vezes em que fui para a lateral acho que me saí bem, nosso time conseguiu a vitória e espero que continue assim”, afirmou o jogador, recordando-se, por exemplo, do jogo com o Corinthians, em 6 de outubro, quando deixou o meio-campo para atuar na lateral e contribuiu para a vitória por 2 a 1, de virada, pelo Campeonato Brasileiro.
Para que tudo saia como desejado, ele tem procurado aperfeiçoar os fundamentos, principalmente os passes, o que será muito útil seja como volante ou lateral. “Minha característica é de levar o time ao ataque, arrancar com a bola, tentar criar jogadas. É isso que vou continuar fazendo, independentemente de onde for escalado”, argumentou.

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