
Leandro defendeu o Cruzeiro entre 2002 e 2004 e, numa segunda passagem, em 2006. Pelo time celeste, ele alcançou os principais títulos da carreira, com a tríplice coroa em 2003 (Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro). Ele está no Atlético desde o início de 2010

Leonardo Silva, que ainda não estreou pelo Atlético-MG, diz que Cruzeiro é passado
Gustavo Andrade e Bernardo Lacerda
Em Belo Horizonte
Trocar um clube pelo arquirrival no futebol mineiro tem se tornado algo comum nos últimos anos. Nas temporadas de 2009 e 2010, o lateral-esquerdo Fernandinho e o zagueiro Leonardo Silva deixaram o Cruzeiro e foram diretamente para o Atlético-MG. Essa postura era rara há três décadas, gerava polêmica e envolvia atletas com currículos recheados de conquistas.
Enquanto atualmente jogadores com pouca expressão no futebol mineiro ou com passagens curtas por um clube se transferem para o rival, na década de 80 essas trocas envolviam jogadores que defendiam a seleção brasileira. Os próprios atletas daquela época avaliam que a decisão de mudar de equipe por outra da capital mineira já não causa tanta polêmica.
“O torcedor ainda fica chateado, mas diminuiu aquela barreira. O jogador é profissional e o torcedor tem de entender. Hoje, a compreensão é muito maior”, observa Paulo Isidoro. Revelado pelo Atlético-MG, o meia-atacante, que disputou a Copa do Mundo de 1982, passou pelo Guarani antes de chegar ao Cruzeiro, aos 36 anos, em 1989.
Uma das mais famosas trocas entre os arquirrivais mineiros foi a do lateral-direito Nelinho, no final da década de 70, quando deixou o Cruzeiro e se transferiu ao Atlético-MG. Campeão da Libertadores pelo time celeste em 1976, o lateral da seleção na Copa de 1978, na Argentina, foi um dos destaques atleticanos na conquista do hexacampeonato estadual entre 1978 e 1983.
A relação de jogadores com currículos vitoriosos a mudar de lado em Minas conta ainda com ex-atletas como Toninho Cerezo, Éder Aleixo, Luisinho e Reinaldo. Todos eles defenderam inicialmente o Atlético, mas passaram por outros clubes antes de chegar à Toca da Raposa.
Maior ídolo da história do Atlético e autor de 255 gols pelo clube, Reinaldo disputou apenas dois jogos pelo Cruzeiro no Campeonato Brasileiro de 1986 e não marcou gols. Anteriormente, ele havia passado pelo Palmeiras.
Para outros ídolos atleticanos nos anos 80, a chegada ao Cruzeiro aconteceu na década de 90. Revelado pelo Atlético, Toninho Cerezo foi para o arquirrival em 1994 e chegou a retornar ao time alvinegro para encerrar sua carreira. O ponta-esquerda Éder Aleixo também retornou ao Atlético depois de passar pelo Cruzeiro, onde chegou em 1993.
BEM RECEBIDO NO RIVAL
Depois de 11 anos no Atlético, voltei da Europa e a ida para o Cruzeiro causou polêmica. O torcedor não aceita, mas sou profissional e fui para onde me pagaram melhor. E fui muito bem recebido pelo torcedor do Cruzeiro
LUIZINHO, EX-ZAGUEIRO
Para o zagueiro Luizinho, a troca do Atlético pelo Cruzeiro aconteceu depois de quatro anos no Sporting, de Portugal. “Depois de 11 anos no Atlético, voltei da Europa e a ida para o Cruzeiro causou polêmica. O torcedor não aceita, mas sou profissional e fui para onde me pagaram melhor. E fui muito bem recebido pelo torcedor do Cruzeiro”, comentou.
Luizinho avalia que as transferências atuais entre os arquirrivais mineiros causam menos polêmica devido a pouca identificação desses jogadores com seus clubes. “Hoje causa bem menos polêmica. Qual jogador fica mais de dez anos num clube, como fiquei no Atlético? Isso não acontece mais”, ressaltou.
No passado, o então zagueiro Adilson Batista, que foi treinador do Cruzeiro por dois anos e meio, defendeu o Atlético, o mesmo acontecendo com nomes como Marcelo Djian, Valdo, e Careca, entre outros.
Pedido de indenização
Entre as transferências recentes no futebol mineiro, a do zagueiro Leonardo Silva pode ser considerada uma exceção, por ter gerado consequências. O jogador era o capitão do Cruzeiro até sofrer uma lesão no joelho direito em junho do ano passado. Depois de passar o restante do ano em recuperação na Toca da Raposa, ele não chegou a acordo com o clube para a renovação de contrato, encerrado no fim de dezembro.
ATACANTES NÃO DEIXARAM SAUDADES
Outros dois jogadores trocaram recentemente de lado no futebol mineiro. Revelado pelo América, Alessandro foi contratado pelo Cruzeiro no princípio de 2009. Sem espaço na equipe, ele decidiu deixar o clube e acabou acertando sua transferência para o Atlético, onde permaneceu por pouco tempo.
O também atacante Jael chegou à Toca da Raposa na mesma época que Alessandro. Em 2008, ele havia defendido o Atlético. Entretanto, sua passagem pelo Cruzeiro durou pouco mais de dois meses e sequer foi a campo pela equipe celeste.
Livre no mercado, Leonardo Silva aceitou proposta do Atlético e passou a defender o arquirrival. Agora o Cruzeiro tenta na Justiça do Trabalho uma indenização pelo período em que o jogador foi pago, ficou em recuperação da contusão no centro de treinamentos do clube, mas não foi a campo.
Uma primeira ação foi extinta por erro de informação no endereço do atleta, por decisão do juiz do trabalho Julio Correa de Melo Neto, da 36ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte. O departamento jurídico cruzeirense, entretanto, ainda pretende recorrer ao poder judiciário.
Para Leonardo Silva, a mudança entre os arquirrivais mineiros não influenciará em seu desempenho no Atlético. “Não vejo problema algum nesta troca, não fui o primeiro e nem serei o último, vários jogadores já fizeram, trocaram de lado. É comum no futebol e não influenciará no meu trabalho no Atlético. O Cruzeiro é passado, fiz o meu trabalho lá, fui feliz, mas agora estou no Atlético”, afirmou.
O zagueiro é o segundo jogador em menos de um ano a trocar o Cruzeiro pelo Atlético. O lateral-esquerdo Fernandinho foi para a equipe alvinegra após ser comunicado pela diretoria cruzeirense que não teria seu contrato renovado. No fim de 2010, ele foi liberado pelos dirigentes atleticanos depois de seu vínculo se encerrar em 31 de dezembro.
Além de Leonardo Silva, o Atlético conta com outro ex-cruzeirense em seu elenco para a temporada de 2011. Tão logo o zagueiro chegou à Cidade do Galo, o lateral-esquerdo Leandro o defendeu. “A torcida fala muito pela rivalidade. Mas eu até conversei com o Léo, porque falam que jogador é mercenário, mas é engraçado porque, quando o jogador tem contrato e é mandado embora, ninguém fala nada”, analisou.
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