terça-feira, 23 de abril de 2013

NO INDEPENDÊNCIA

Com "show" de Réver, Atlético goleia o América por 5 a 2 no Campeonato Mineiro
O capitão do Galo marcou três gols - duas pinturas - e foi o destaque da partida
Thiago Madureira - Superesportes
Publicação:17/03/2013 20:24
Atualização:18/03/2013 09:03
A categoria de Ronaldinho Gaúcho não fez falta ao Atlético no clássico deste domingo contra o América, válido pela sexta rodada do Campeonato Mineiro, no Estádio Independência. Isso porque o zagueiro Réver tratou de dar seu “show particular”. O capitão marcou três gols - duas pinturas - e foi firme na defesa, sendo o destaque da vitória alvinegra, por 5 a 2. Leandro Donizete e Tardelli também fizeram para o Galo. Fábio Júnior e Laércio descontaram para o América.
Com o resultado, o Atlético reassumiu a segunda posição, com 12 pontos e um jogo a menos. O América se complicou, e está a quatro pontos do Tombense, último time na zona de classificação para a segunda fase. Na próxima quarta, às 19h30, o Galo encara o América-TO, fora de casa. No mesmo dia, o Coelho pega o Guarani, no Independência, às 22h.
Primeiro tempo intenso
Misterioso, Cuca só revelou o Atlético no vestiário do Independência. Em função do jogo em La Paz, contra o Strongest, pela Libertadores, na última quarta-feira, o técnico resolveu poupar Junior César e Leonardo Silva, além de Ronaldinho Gaúcho. Para substituir R10 na articulação das jogadas, Guilherme, recuperado de um estiramento na panturrilha, foi acionado como titular para fazer sua estreia na temporada.
Mesmo com mais volume de jogo nos primeiros minutos, o Atlético saiu em desvantagem no placar. Aos 10, em ótimo cruzamento de Gedeílson pela direita, Fábio Júnior cabeceou e marcou para o Coelho. No lance, falha dupla do setor defensivo alvinegro: tanto no lançamento para a área quanto na finalização da jogada os americanos estavam desmarcados.
O gol deu mais intensidade à partida. O Atlético chegou principalmente em jogadas rápidas na entrada da área. Aos 14, Guilherme acionou Jô, que tocou para Tardelli chutar. A bola passou por Neneca, mas Lula espanou na pequena área. Seis minutos depois, Tardelli chutou para defesa do goleiro americano. O América, por sua vez, respondia principalmente em chutes de fora da área e cruzamentos para o isolado atacante Fábio Júnior.
Guilherme, ainda buscando o ritmo de jogo ideal, não fugiu da responsabilidade de ser o criador do time e se mostrou participativo. Em função da boa marcação feita pelo América, o meia errou muitos passes e foi vaiado por parte da torcida.
Aos 32 minutos, Leandro Donizete empatou o jogo. Bernard chutou cruzado, Neneca espalmou para o meio da área e o volante entrou livre e marcou seu primeiro gol com a camisa do Atlético.
O Galo ainda teve chances de virar na etapa inicial. Na melhor oportunidade, Guilherme cruzou para Bernard, que, sozinho, chutou para fora.
Réver brilha na defesa e no ataque
Precisando se recuperar no Estadual, o América voltou para o segundo tempo mais agressivo. Em bela jogada, Doriva deixou Richarlyson na saudade e cruzou para Fábio Júnior, que escorou para Juninho bater. Victor fez uma boa defesa.
O Atlético respondeu com Tardelli, que chutou cruzado. A bola passou rente à trave. A partir daí, Réver começou seu "show particular". Aos 13 minutos, um golaço. O capitão do Atlético recebeu lançamento em cobrança de falta de Tardelli, dominou e encobriu Neneca. Claudinei dava condição ao zagueiro.
Aos 14, outra pintura. Após desvio na cobrança de escanteio, Réver acertou um chute plasticamente perfeito. A bomba foi a meia altura, no canto esquerdo de Neneca.
Posteriormente, na defesa, Réver ainda interceptou uma boa oportunidade do América tirando de “letra”. E ainda teve mais: aos 34, ele fez o terceiro gol na partida. Bernard cobrou escanteio, e Réver só escorou para o gol.
Aos 36, o América diminuiu com Laércio. Para coroar a goleada, Bernard lançou Tardelli, que driblou Neneca e marcou o último gol da partida.
ATLÉTICO 5 X 2 AMÉRICA
ATLÉTICO
Victor; Marcos Rocha, Gilberto Silva (Rafael Marques), Réver e Richarlyson; Pierre, Leandro Donizete, Guilherme (Luan), Diego Tardelli e Bernard; Jô (Alecsandro).
Técnico: Cuca
AMÉRICA
Neneca; Gedeílson (Patrick), Everton Luiz, Lula e Wanderson; Claudinei, Leandro Ferreira, Doriva, Juninho (Kaká); Geovanni (Laércio) e Fábio Júnior.
Técnico: Paulo Comelli
MOTIVO: sexta rodada do Campeonato Mineiro
LOCAL: Estádio Independência, Belo Horizonte
DATA: domingo, 17 de março de 2013, às 18h30
ÁRBITRO: Cleisson Veloso Pereira (CBF/FMF)
ASSISTENTES: Guilherme Dias Camilo (Aspirante FIFA/MG) e Breno Rodrigues (CBF/FMF)
GOLS: Réver (3), Tardelli e Leandro Donizete para o Atlético. Fábio Júnior e Laércio para o América.
CARTÕES AMARELOS: Pierre, do Atlético. Lula, Leandro Ferreira e Kaká, do América.
PÚBLICO E RENDA: 16.281 e R$ 407.710
Dois extremos

Galo faz campanha impecável na Libertadores e só perdeu um jogo na temporada. Coelho só venceu uma vez no Mineiro e tem técnico estreante para tentar a reação
Antônio Melane - Estado de Minas
Roger Dias - Estado de Minas
Publicação:17/03/2013 10:23
As situações de Atlético e América em 2013 são totalmente distintas. Enquanto o Galo tem a melhor campanha da Copa Libertadores com 100% de aproveitamento e está assegurado na próxima fase, depois de vencer o Strongest na altitude de La Paz, o Coelho vive a desconfiança da torcida e tenta se reerguer antes que ocorra uma tragédia. Hoje, os dois rivais estarão frente a frente, às 18h30, no Independência, pela sexta rodada do Campeonato Mineiro, dispostos a lutar para se dar bem na temporada.
No Estadual, o Galo só perdeu para o Cruzeiro (2 a 1), na primeira rodada, na reabertura do Mineirão, e outra vez poupará o armador Ronaldinho Gaúcho, cansado por causa da viagem de volta da Bolívia. Mas a intenção do técnico Cuca é aproveitar a qualidade do grupo e mandar a campo um time forte, já que não quer abrir mão do Mineiro. “Temos confiança no pessoal que não jogou ou que entrou um pouco contra o Strongest. Se tiver de escalar um time alternativo, a gente põe para priorizar a Libertadores, mas isso só vai ocorrer se o grupo não estiver bem.”
Se quisesse, o treinador do Galo poderia escalar força máxima, já que não tem problemas de contusão ou cartões. Mas ele entende que é necessário observar jogadores que ainda não jogaram em 2013, caso do armador Morais e do atacante Guilherme. O garoto Bernard avisa que o Galo tem de manter o bom momento: “O Atlético tem um grupo forte e preparado para enfrentar as dificuldades. Foi difícil vencer em La Paz, mas conseguimos o objetivo com união. É isso que a equipe precisa para alcançar seus êxitos”.
ESTREIA
Pressionado pela campanha ruim no Mineiro – uma vitória, três empates e uma derrota –, o América apresenta duas novidades no clássico que chamam a atenção. Inicialmente, a estreia do técnico Paulo Comelli, de 52 anos, um paulista que jamais teve uma experiência no futebol mineiro. Conhecia a maioria dos jogadores como adversários, exceto o goleiro Neneca, a quem comandou no Oeste, de Itápolis, em 2010.
Com menos de uma semana de trabalho, parte para mais um desafio, com a experiência de que tem muito a construir para chegar à lista dos técnicos de ponta do futebol brasileiro. Hoje, é respeitado pelo bom trabalho que fez no ano passado no Criciúma, vice-campeão brasileiro da Série B, e no comando de times do interior paulista, como XV de Piracicaba, Marília e Noroeste.
O ex-zagueiro chegou disposto a fazer a sua história em Minas. Trouxe seu filho, Bruno, de 22 anos, como assistente, certo de que dará certo, como no ano passado: “Fomos bem no CRB e melhor ainda no Criciúma. A tendência é que se repita aqui”. A semana foi de muitos cuidados, a partir de terça-feira, quando a nova comissão técnica chegou e começou a trabalhar no CT Lanna Drumond: “Conheço o Cuca e seus assistentes. Já os enfrentei várias vezes. Não terei dificuldades. Apenas estamos conscientes da realidade do América. Ele lamentou apenas os poucos dias de treinamentos para o clássico.
Pelo que foi possível ver nos treinos, ele adiantou o armador Geovanni, que estava na reserva, para jogar no ataque ao lado de Fábio Júnior, revivendo uma dupla de sucesso do Cruzeiro de 2000, campeão da Copa do Brasil. Geovanni, de 33 anos, deu certo há 12 anos e pode ser melhor ainda, com a experiência acumulada.O América tem 18 pontos a disputar e precisa de pelo menos mais 13. Missão impossível? Para Fábio Júnior, não: “Precisamos colocar a raça em campo e apostar jogo a jogo. O clássico será o melhor deles para realmente mostrarmos nosso poder de reação e o que queremos”.
FICHA TÉCNICA
Atlético X América
Atlético: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Júnior César; Pierre, Leandro Donizete e Luan (Guilherme); Diego Tardelli, Jô e Bernard
Técnico: Cuca
América: Neneca; Gedeílson, Lula, Éverton Luiz e Wanderson; Claudinei, Doriva, Leandro Ferreira e Rodriguinho; Geovanni e Fábio Júnior
Técnico: Paulo Comelli
Estádio: Independência
Horário:18h30
Árbitro: Cleisson Veloso Pereira
Assistentes: Guilherme Dias Camilo e Breno Rodrigues
Ingressos: Atlético: especial Pitangui R$ 60, especial Minas R$ 40, vip Pitangui R$ 300, vip Minas R$ 200, cadeira Ismênia R$ 30 e cadeira Minas R$ 20. América: cadeira Pitangui R$ 30TV: Pay per view
Chaves do jogo
Com o entrosamento cada vez maior com os companheiros, Diego Tardelli vem se firmando na equipe, ajudando na criação de jogadas e mostrando oportunismo na hora de marcar os gols A velocidade de Geovanni, que formará dupla de ataque com Fábio Júnior, é um dos trunfos do Coelho para balanças as redes alvinegras e sair vencedor no clássico
'A torcida merece esse título'

Técnico atleticano exalta o grupo e vê boas possibilidades de êxito na temporada
Cláudio Arreguy - Estado de Minas
Luiz Martini - Superesportes
Roger Dias - Estado de Minas
Publicação:17/03/2013 09:54
Estão vendo o Atlético com respeito, porque estamos fazendo por onde. Sabemos que não ganhamos nada, mas estamos jogando bem e é gostoso ver o trabalho fluindo positivamente
Na Cidade do Galo, longe do congestionado trânsito de Belo Horizonte, o treinador Cuca encontrou seu refúgio e um lugar tranquilo para trabalhar e viver. Em quase dois anos no clube, ele conquistou um título (invicto) do Campeonato Mineiro, mas espera dar à torcida o que ela mais deseja: uma conquista de expressão, seja do Campeonato Brasileiro ou da Copa Libertadores. Contudo, o treinador não se cobra por ter poucos troféus na carreira e garante que será a massa alvinegra a maior premiada pelos bons resultados. Nessa entrevista exclusiva ao Estado de Minas, Cuca fala sobre as expectativas para a temporada e o fato de contar com um jogador diferenciado: Ronaldinho Gaúcho.
Você vai completar no segundo semestre dois anos de Atlético, um clube já estruturado, e com orçamento milionário e que conta com um astro como o Ronaldinho. É a melhor condição de trabalho em sua carreira?
Já trabalhei em outros clubes que tiveram essa condição, como o São Paulo (2004) e o Botafogo, em que fiquei dois anos e meio e tive prazer em trabalhar. Tem outros que apresentam orçamentos maiores, mas estamos medindo força com eles também. Só na Libertadores são seis grandes e graças a Deus estamos muito bem.
Você assumiu o Atlético em agosto de 2011, pouco tempo depois de deixar o Cruzeiro. Como conseguiu enfrentar a desconfiança dos torcedores atleticanos?
No Cruzeiro, também enfrentei desconfiança da torcida e de parte da imprensa. Ninguém me conhecia, mas isso mudou. No Atlético, a torcida entendeu que a gente é profissional, trabalha e se dedica muito em prol do clube. A mesma dedicação que tive no Cruzeiro tenho no Atlético. Começamos com seis derrotas seguidas, mas tive a compreensão e a tolerância da direção e do Eduardo Maluf (diretor de futebol) para continuar o trabalho. Eles souberam entender o momento. No início, o trabalho é difícil, porque é a transição e tem de fazer mudança. Fizemos muitas, já que o trabalho requer tempo para pensar as coisas. Hoje, a equipe é outra e conseguiu se superar.
Houve um pacto do grupo depois daquela goleada por 6 a 1 para o arquirrival Cruzeiro. Ela já foi esquecida?
Tínhamos 78% de chance de cair e demos a vida em todos os jogos. Quando vencemos o Botafogo por 4 a 0, rezamos e agradecemos a Deus e à torcida pelo êxito. Enquanto comemorávamos, o Cruzeiro estava com a corda no pescoço e se mobilizou, trabalhou melhor. Naquele jogo, criou oito chances e marcou seis gols; nós tivemos seis e marcamos apenas um. Toda bola que chegava no nosso gol entrava, essa foi a diferença. Foi um resultado ruim, vexatório e difícil de explicar. Depois daquele jogo, não consegui dormir na Cidade do Galo, a torcida ficou enfurecida. Quando saí de férias, quase apanhei no aeroporto. Lá em Curitiba não foi diferente, pois os torcedores do Atlético-PR, que foi rebaixado, falaram um monte de coisas que não deviam. São coisas que a gente passa no futebol. As férias foram horríveis. O torcedor às vezes pensa que somente ele sofre, mas não é verdade. Sofremos muito também, o presidente, os jogadores e eu. De repente, aquilo foi uma lição de vida, para encarar as competições com o pé no chão e humildade. Foi um marco negativo que se tornou positivo para o futuro, pois tivemos de mudar e não aceitar situações como aquela. A partir dali, o Atlético se tornou outro time.
O Atlético persegue um título de expressão e você também, em sua carreira. Se o objetivo for alcançado este ano, você vislumbra um casamento duradouro com o clube?
Particularmente, não penso em mim. Não quero ser campeão, não quero nada para mim individualmente. Quero somente saúde e felicidade, para mim e minha família. O sonho é fazer a torcida do Atlético feliz e campeã. Ela precisa do título. Em 2009, o Fluminense tinha 99% de chance de cair. No ano seguinte, no Cruzeiro, perdi o título justamente para o Flu. No ano passado, perdi o título outra vez para o Flu. Às vezes, penso: ‘Será que se não tivesse salvado o Fluminense eu seria bicampeão brasileiro?’ Mas aqui valeu a pena, talvez mais importante do que a conquista. Não vivemos só de conquistas. Esse tipo de trabalho também se torna muito marcante nas nossas carreiras.
O Telê Santana também não havia ganhado títulos de expressão, a não ser aquele Brasileiro pelo Atlético em 1971. Só depois foi vencer os Mundiais pelo São Paulo. São coincidências entre vocês...
É, mas ainda sou novo, tenho 49 anos. Ainda vou ter chances, como este ano, dirigindo um clube organizado e bom de trabalhar. Não sei se seremos campeões, mas se não formos, pode ter certeza de que estaremos próximos. É um grupo bom, com jogadores de caráter, dá prazer em trabalhar. Não temos pressa de ir embora e esse ambiente de felicidade é garantido pelos atletas.
A derrota para o Cruzeiro por 2 a 1, no início do Mineiro, contribuiu para que o Atlético acordasse?
O Cruzeiro mereceu a vitória e não houve choro e nem queixa do grupo. O nosso adversário estava montando o grupo e qualquer resultado seria considerado natural. E nós estávamos com o grupo pronto, mas sem ritmo. Foi o primeiro jogo do ano. Pelo que o campeonato está apresentando, a final deverá ser entre Atlético e Cruzeiro. Logo, teremos uma chance de reagir.
No ano passado, o Galo foi campeão mineiro invicto, liderou o Brasileiro por 15 rodadas, mas perdeu o título para o Fluminense. O que deu errado no fim?
Não deu nada errado, porque fizemos pontuação para ser campeões. Em 2009, o Flamengo foi campeão com 67; em 2010, o Fluminense teve 71; em 2011, o Corinthians também teve 71. Fizemos 72. A diferença foi a campanha do Fluminense, perfeita, com 76 pontos. Mas duas situações não me saem da cabeça e poderiam ter mudado tudo: o empate com o Cruzeiro por 2 a 2, em que houve um erro de arbitragem – a falta do Montillo no Guilherme, que antecedeu o gol de empate do adversário – e o adiamento do jogo contra o Flamengo, no Rio, que interrompeu nosso crescimento. Mas não serve de desculpa, porque o Fluminense foi o primeiro merecidamente, embora jogando bem menos do que nós.
O Atlético tem o melhor aproveitamento da Libertadores e já está classificado às oitavas. Os adversários já observam o Galo de forma diferente?
Estão vendo o Atlético com respeito, porque estamos fazendo por onde. Sabemos que não ganhamos nada, mas estamos jogando bem e é gostoso ver o trabalho fluindo positivamente. Não podemos sofrer com futebol. Temos de mostrar alegria e nos divertir. E estamos jogando com essa alegria.
A derrota do Cruzeiro para o Once Caldas em 2011 serve de exemplo?
A derrota até hoje dói, porque o time estava pronto para vencer. Jogamos sete partidas e empatamos uma, com o Tolima, atuando bem. Contra o Once Caldas não tivemos Wallyson, Brandão e Thiago Ribeiro, e no primeiro tempo o Roger foi expulso. Um dia ruim deixa você fora da competição. Certamente, é um episódio que tiramos de lição.
Qual foi a melhor partida do Galo na Libertadores?
A vitória sobre o Arsenal, que não toma mais de dois gols num jogo e tem qualidade. É difícil vencê-los. Mas encaixamos um jogo maravilhoso e vencemos.
Você teve uma conversa com o Assis para trazer o Ronaldinho Gaúcho para o Atlético. Em algum momento teve receio de o jogador não render o esperado e frustrar a torcida?
Foi difícil falar com o Assis, mas consegui e disse que não queria o Ronaldo na esquerda e sim no meio, pensando o jogo. Contava com jogador de velocidade, volantes e uma referência na área, mas precisava de alguém para liderar. Já havia testado alguns e não deu certo. Tive um pouco de indagação como ele se sairia na função, porque jogou anos na esquerda. A imprensa inteira nos reprovou, mas ele mostrou ser uma pessoa boa, muito humilde, e se adaptou ao sistema. Ele nos engrandeceu muito, dando moral à torcida e aos companheiros. Foi um casamento justo e espero que ele possa nos dar alegrias.
Por que ele não conseguiu se tornar ídolo no Flamengo?
Não sei responder.
No Cruzeiro, a melhor fase do Montillo foi sob sua direção. Você tem facilidade de orientar os camisas 10?
Não tem segredo. Às vezes, é preciso que o jogador mude a função, e isso conversamos no dia a dia. Mas o Ronaldo e o Montillo são diferenciados, acima da média.
Como encaixou o Diego Tardelli no time? A opção ao lado de Jô sempre foi a primeira ou pensou em jogar com apenas um centroavante?
Não é característica do Tardelli ser centroavante. O Jô é imprescindível para nós, sobretudo na bola aérea. Mas o Tardelli é bom jogador, teve uma mudança de direção, tem habilidade fora do comum e é taticamente responsável.
Outro jogador de destaque é o Bernard. Como conseguiu fazer com que rendesse tanto?
O que mais me deixa feliz é quando o Bernard faz a diagonal. É raro um brasileiro executar essa função e vemos tantos lá fora se destacando. Isso foi trabalhado intensamente, até porque ele tem 20 anos e não sabia usar esse potencial. Hoje ele se torna uma arma extremamente mortal.
O Bernard está preparado para ir para o futebol europeu?
Ainda não. Está preparado para jogar no Atlético.
Quais são as vantagens de morar na Cidade do Galo, enquanto suas filhas e sua mulher residem em Curitiba?
Tudo na vida tem um preço, porque eu abro mão da minha mulher e das minhas duas filhas para viver o dia a dia do clube. Então, faço daqui minha família. E aqui tenho tudo de que preciso e não enfrento o caos do trânsito diário. Sou muito feliz aqui.
Muitos reclamam que você não parece alegre, mesmo depois das vitórias. Afinal, você é triste ou alegre?
Prefiro que reclamem que sou triste do que não ganhar jogo. Sou sério, quieto, e isso é diferente de ser triste. Não preciso demonstrar que estou feliz sorrindo para todos.
Você é muito religioso. O que achou da escolha de um papa argentino?
Mas Deus é brasileiro (risos) e foi bom para nós, porque é o primeiro papa sul-americano. Estava acompanhando ao vivo na Bolívia e fiquei até perplexo, mas é ótimo. Não temos de mostrar rivalidade. Pelo contrário, é bom.
Se fosse hoje, estaria preparado para voos mais altos, como dirigir a Seleção Brasileira?
Não. Minha seleção é preto e branco. Estou satisfeito.
A diretoria investiu pesado em André e Guilherme, mas eles não caíram nas graças da torcida. Houve pressão por causa disso?
Eles ainda vão ter alegria com o Guilherme. Muitas vezes o torcedor tem impaciência pelo fato de ele ter jogado no Cruzeiro. É um jogador que passa por dificuldades e o torcedor precisa mostrar carinho especial. Ele esteve com a filha internada (pneumonia), precisa do apoio da torcida, pois é diferenciado. O Botafogo o quer, o Fluminense o quer, mas ninguém vai levá-lo, pois é um titular nosso
NÚMEROS DO CLÁSSICO

América leva desvantagem em retrospecto recente de confrontos contra o Atlético
Nas últimas quatro temporadas, Coelho só conseguiu bater o rival em uma partida. Alvinegro, por sua vez, levou a melhor em cinco confrontos, além de seis empates
Rafael Arruda - Superesportes
Publicação:16/03/2013 09:00
Atualização:16/03/2013 00:03
Em desvantagem para o Atlético nos clássicos disputados nos últimos quatro anos, o América quer quebrar a sequência ruim e vencer neste domingo, às 18h30, no Independência, pela sexta rodada do Campeonato Mineiro. Desde que retornou à elite, em 2009, o Coelho enfrentou o Atlético em 12 oportunidades: triunfou apenas uma vez, empatou seis e perdeu cinco. A disparidade alvinegra aconteceu principalmente nos jogos válidos pelo mata-mata do Estadual.
O ano de 2009 marcou o retorno do América à elite do Campeonato Mineiro – o clube foi rebaixado no Estadual de 2007, mas conseguiu o acesso com direito a título do Módulo II na temporada seguinte. Logo na primeira rodada da competição, o Coelho fez jogo duro contra Atlético e empatou por 0 a 0. A equipe do Horto terminou o torneio em quinto lugar.
Em um dos confrontos pelo Campeonato Brasileiro de 2011, Atlético venceu América
O América entrou na temporada de 2010 embalado com o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro – o time, então treinado por Givanildo Oliveira, conquistou a Série C de 2009. Nessa edição do Campeonato Mineiro foram três duelos contra o Atlético e três empates: 1 a 1, 3 a 3 e 2 a 2, respectivamente. Os dois últimos embates valeram pelas quartas de final do torneio e o time alvinegro se classificou pelos critérios de desempate.
Em 2011, América e Atlético duelaram em cinco oportunidades: três pelo Campeonato Mineiro e duas pela Série A do Brasileiro. Foi nesse ano que o Coelho conseguiu a única vitória dos últimos quatro anos, pela primeira fase do Estadual: 2 a 1. O Galo venceu as duas partidas válidas pela semifinal da competição regional e um dos duelos pelo Brasileirão, por 2 a 0 – o outro terminou empatado em 0 a 0.
América e Atlético voltaram, em 2012, a decidir um Campeonato Mineiro após 11 anos. Se em 2001 o Coelho ficou com o título pela 15ª vez em sua história, dessa vez quem levou a melhor foram os alvinegros. No primeiro jogo, houve empate por 1 a 1. Já na partida decisiva, o Galo contou com a boa atuação de Bernard e fez 3 a 0 contra os americanos. Os comandados de Cuca também venceram na primeira fase: 2 a 1.
Retrospecto geral
O Atlético tem retrospecto superior nos clássicos contra o América. As estatísticas oficiais, porém, apresentam divergências. De acordo com o levantamento feito pelo time alvinegro, são 389 confrontos na história. Já os números do Coelho apontam 396 partidas.
Estatísticas do Atlético (389 jogos)
Vitórias: 191
Empates: 96
Derrotas: 102
Estatísticas do América (396 jogos)
Vitórias: 111
Empates: 99
Derrotas: 187
Primeiro jogo da história
Atlético 2x0 América (13 de maio de 1914)
Último jogo
Atlético 3x0 América (13 de maio de 2012)
Lista de confrontos dos últimos quatro anos
2009
América 0x0 Atlético – primeira fase do Campeonato Mineiro - Mineirão
2010
América 1x1 Atlético – primeira fase do Campeonato Mineiro – Mineirão
Gols: Rodrigo (AME); Fabiano (CAM)
América 3x3 Atlético – jogo de ida das quartas de final do Mineiro – Mineirão
Gols: Laécio, Danilo e Rodrigo (AME); Fabiano 3x (CAM)
Atlético 2x2 América – jogo de volta das quartas de final do Mineiro - Ipatingão
Gols: Zé Luís e Carlos Alberto (CAM); Joãozinho e Danilo (AME)
2011
Atlético 1x2 América – primeira fase do Campeonato Mineiro – Arena do Jacaré
Gols: Neto Berola (CAM); Fábio Júnior 2x (AME)
América 1x3 Atlético – jogo de ida da semifinal do Campeonato Mineiro -Arena do Jacaré
Gols: Gabriel (AME); Patric, Neto Berola e Serginho (CAM)
Atlético 2x1 América – jogo de volta da semifinal do Campeonato Mineiro – Arena do Jacaré
Magno Alves e Serginho (Atlético); Luciano (América)
Atlético 2x0 América – nona rodada do Campeonato Brasileiro – Arena do Jacaré
Gols: Jônatas Obina e Neto Berola (CAM)
América 0x0 Atlético – 27ª rodada do Campeonato Brasileiro – Arena do Jacaré
2012
América 1x2 Atlético – primeira fase do Campeonato Mineiro – Arena do Jacaré
Fábio Júnior (AME); Guilherme e Marcos Rocha (CAM)
América 1x1 Atlético – jogo de ida da decisão do Campeonato Mineiro – Independência
Bruno Meneghel (AME); André (CAM)
Atlético 3x0 América – jogo de volta da decisão do Campeonato Mineiro – Independência
Serginho e Bernard 2x (CAM)
Artilheiros dos últimos quatro anos do confronto
4 gols: Fabiano (Atlético)
3 gols: Neto Berola e Serginho (Atlético); Fábio Júnior (América)
2 gols: Rodrigo e Danilo (América); Bernard (Atlético)
1 gol: Zé Luís, Carlos Alberto, Patric, Magno Alves, Jônatas Obina, Marcos Rocha, Guilherme e André (Atlético); Laécio, Joãozinho, Gabriel, Luciano e Bruno Meneghel (América)
VAI ESTREAR

Será que agora vai?
Roger Dias - Estado de Minas
Publicação:16/03/2013 08:33
Atualização:16/03/2013 08:36
Contestado por parte da torcida, Guilherme conta com o apoio de Cuca e Alexandre Kalil
Da mesma forma que gosta de contar com força máxima nos jogos da Copa Libertadores, o técnico Cuca quer que os jogadores do Atlético tenham descanso e superem o desgaste físico. Nesta etapa da temporada, a prioridade é a competição internacional, ao passo que o Campeonato Mineiro se torna importante para que o treinador observe novas opções e varie o esquema tático. Por isso, o clássico contra o América, amanhã, às 18h, no Independência, pode ser um bom teste para quem ainda não teve oportunidade de mostrar serviço.
O atacante Guilherme é um deles. Ao participar do treino técnico de ontem à tarde, na Cidade do Galo, depois de quase dois meses afastado por causa de problema na panturrilha esquerda, ele quis mostrar a Cuca que tem condições de enfrentar o Coelho e, quem sabe, ser o substituto de Ronaldinho Gaúcho, poupado nos últimos jogos do Estadual e que novamente ficará de fora amanhã, como garantiu o treinador. A equipe alvinegra tem sobrevivido bem sem o craque em 2013, diferentemente do ano passado, quando venceu apenas uma das quatro partidas que disputou sem o Gaúcho: 3 a 2 sobre o Botafogo, no Engenhão.
“Há tempos vivemos momentos conturbados, mas hoje o time está fortalecido, com ótimas opções. O ano não começou para mim por causa da contusão, mas estou feliz por ter passado essa fase ruim. Penso em estar entre os titulares, mas o importante é o trabalho e estar feliz. O que tenho de ter em mente é manter o preparo físico e ter responsabilidade”, afirma Guilherme, que custou R$ 15 milhões aos cofres do Gale e não é unanimidade entre a torcida, mas conta com o apoio do presidente Alexandre Kalil e de Cuca.
Ontem, o técnico alvinegro fez mais uma manifestação pública de apoio ao jogador. “Tenho visto e ouvido muita coisa sobre propostas. Sou apenas o treinador e não mando no clube, mas, se for ouvido, o Guilherme, enquanto eu ficar aqui, não sai do Atlético”, disse, a respeito dos rumores que dão conta do interesse do Botafogo em Guilherme.
Camisa 10 no ano passado, o atacante a perdeu para a estrela da cia., contudo evita qualquer tipo de comparação com o companheiro: “Essa comparação não existe. Nenhum jogador do futebol brasileiro se compara ao Ronaldinho. Ele ganhou tudo na vida e eu tive meus méritos. Tenho o meu valor, que não deve ser pouco, e o Ronaldo tem o dele. Quero jogar meu futebol e fazer o melhor para o Atlético”.
O volante Rosinei e o armador Morais também voltaram a treinar com bola, mas ainda ficarão de fora. O primeiro se recuperou da dor muscular que o atormentou nas últimas duas semanas e o segundo, com lesão na coxa esquerda, nem sequer estreou com a camisa do Galo.
Na visão do atacante Alecsandro, o fato de o América viver fase ruim não joga o favoritismo para o lado do Atlético: “O América é uma grande equipe, já mostrou em outras competições. É um clássico importante para Minas Gerais e o nosso adversário está passando por um momento difícil, mas não significa que podemos menosprezá-lo. O Cuca poupará titulares por causa do desgaste, mas continuaremos a ter um time forte. Quero meu espaço e estou preparado para assumir vaga no setor ofensivo”.
ACADEMIA Ontem, os titulares que venceram o Strongest, em La Paz, pela Libertadores, fizeram apenas um trabalho regenerativo na piscina e na academia. Hoje, o time conclui sua preparação às 9h30, na Cidade do Galo, e Cuca confirmará os titulares.
Eu não me engano: o papa é atleticano

Fred Melo Paiva - Estado de Minas
Publicação:16/03/2013 08:28
Atualização:19/03/2013 14:09
Já faz tempo que uma boa parte dos atleticanos assumiu a Seleção da Argentina como seu 11º time (os nove primeiros são o Atlético; o 10º qualquer um que jogar contra o Cruzeiro, à exceção de Flamengo e Corinthians). Isso se deu porque vestir uma camisa onde se lê CBF é igual a sair de azul, cheio de vaidade, cravejado de estrelinhas no peito. Assim sendo, como argentinos expatriados, saudemos o novo papa, torcedor do San Lorenzo, mas santo de casa, atleticano como nosotros, nem que seja para retribuir a nossa gentileza.
Bento 16 era sósia de Willy Fritz Gonzer – o verdadeiro Willy Fritz Cover. Até o momento não identifiquei parentesco ou semelhança de Francisco com um dos nossos. Talvez o massagista Belmiro, se desse uma tosa naquele seu bigode de Paulo Leminski.
Ainda assim, rogo a ele, Chico bento, que dê o toque no homem lá em cima: chegou a vez do Atlético! E do jeito que joga esse time, nem precisa se dar ao trabalho de fazer o universo conspirar a nosso favor. O Ronaldinho cuida dessa parte, enquanto Ele se dedica a tarefas menos importantes (mas que se acumulam sobre a mesa), como a fome na África, a desavença das Coreias, a pedofilia que grassa sob as suas barbas de Karl Marx.
No ano passado o universo conspirou a favor do Fluminense, que terminou campeão. O universo, a CBF e o STJD. Este ano, como se vê, acabou a magia.
Desde o assassinato em Oruro, a conspiração universal a favor do Corinthians também parece ter entrado em recesso – férias merecidas, visto que labuta nisso incessantemente nos últimos anos, alcançando até mesmo a imbatível meta de construir um estádio para os caras com o dinheiro de palmeirenses, são-paulinos, santistas e quaisquer outros que pagam seus impostos em São Paulo.
O Galo entrou na Libertadores em um grupo com um brasileiro forte, um argentino encardido e um boliviano residente a 3,6 mil metros de altura. Se havia um grupo da morte, era esse, sinal de que o universo, como de costume, conspirava contra o Atlético. Mas desta vez sem nenhum resultado. Na Argentina foi o baile que foi. Na Bolívia, quarta-feira, ficou claro que o céu é o limite: podem mandar os jogos do Galo na Lua, que R10 e Serginho vão garantir os três pontos.
Faz tempo o Galo ensaia a frieza que nunca teve e custou títulos nos anos 1970 e 1980, mesmo considerando os assaltos a que o clube foi submetido. Essa frieza, somada ao calor de uma torcida que está para nascer igual, à técnica e ao comprometimento que se mostra, faz do Atlético um timaço – difícil demais de bater e bom demais de se ver.
No ano passado sugeri ao presidente Kalil, por ocasião da ocupação do Independência, que promovesse também a anexação do próprio América. Fui atacado pelos americanos. Por uma semana me senti um iraquiano sob fogo cruzado. Esses americanos, promovidos à condição de torcedores do Galo, poderiam agora estar comemorando se não a redenção do América, pelo menos o reconhecimento das Américas. Mas, ao contrário, jogam contra o Atlético amanhã, no Horto. E não adianta nem rezar, agora que o papa é atleticano.
Botafogo recebe resposta negativa do Atlético-MG por Guilherme

Após reunião, diretoria do Galo avisa ao Botafogo que não vai liberar o atacante
Eduardo Mendes e Vinícius Perazzini - 16/03/2013 - 16:41 Rio de Janeiro (RJ)
Na busca por Guilherme, o Botafogo recebeu neste sábado um não do Atlético-MG pelo jogador. O atleta foi o principal alvo do Glorioso durante a semana, mas o clube esbarrou na pedida de compra pela transferência. O Glorioso não teve condições para a aquisição e tentou um empréstimo, que acabou sendo rejeitado. Assim, o atacante seguirá no Galo, com quem tem contrato até o fim de 2014.
Na noite desta sexta-feira, após conceder entrevista coletiva em Belo Horizonte (MG) e afirmar que desejava continuar no Atlético-MG, Guilherme se reuniu com o diretor de futebol do Galo, Eduardo Maluf, e com o treinador atleticano, Cuca, e ali ficou decidido de vez o fico do atacante. Diante disso, na manhã deste sábado o Botafogo foi comunicado de que o clube mineiro agora não abrirá mão do jogador de forma alguma - nem por empréstimo, nem por compra.
Todo o diálogo por Guilherme foi conduzido pelo assessor institucional do Botafogo, Bernardo Arantes, que é o homem forte do Glorioso na articulação com empresários e dirigentes de outros clubes. É Bernardo Arantes o responsável pelas negociações nos bastidores e o dirigente segue atento às oportunidades no mercado da bola. Nesta sexta-feira, o técnico Oswaldo de Oliveira afirmou que ainda espera por reforços no ataque.